PM apreende 725 kg de maconha em condomínio de luxo na Grande BH
A Polícia Militar apreende 725 quilos de maconha em barras, na madrugada deste sábado (21/2), em Jaboticatubas, na Grande BH. A droga está dividida entre um Fiat Palio cinza e uma casa do condomínio Estância do Cipó. Um homem é preso e outro foge por uma mata próxima.
Denúncia anônima leva PM a carro e casa usados para o tráfico
A operação começa com uma ligação silenciosa. Do outro lado da linha, um denunciante descreve uma rotina de tráfico que passa pela região de Lagoa Santa e pela estrada até o Cipó. Ele fala em um estoque expressivo de maconha guardado em uma residência e em um Fiat Palio cinza que faz a distribuição. Informa também a placa do veículo, o que permite à PM montar uma rota de vigilância.
De acordo com o sargento Gama, que participa da ação, as equipes identificam o carro ainda em Lagoa Santa. Os policiais acompanham o veículo à distância, por uma avenida da cidade, evitando qualquer movimento brusco que alerte o motorista. O Palio segue em direção a Jaboticatubas, entra no condomínio Estância do Cipó e, depois de alguns minutos, volta para a estrada. Nesse momento, os militares decidem abordar.
O carro encosta à beira da via, perto de uma área de mata fechada. Antes que os policiais cheguem à janela, o motorista abre a porta e corre em direção ao matagal. “Ele saiu do carro e se embrenhou pela mata. Infelizmente, não conseguimos localizá-lo. Ele fugiu”, relata o sargento Gama. A equipe vasculha o entorno, mas perde o suspeito no escuro da madrugada.
Dentro do veículo, a história é outra. Em uma vistoria rápida, os policiais encontram 15 quilos de maconha em barras. A quantidade indica para a tropa que o automóvel não é apenas um meio de transporte ocasional, mas parte de uma engrenagem de distribuição. O volume apreendido no carro reforça a necessidade de chegar ao endereço que o motorista havia visitado instantes antes.
Os militares retornam ao condomínio e consultam o sistema da portaria, que registra entradas e saídas de veículos. A placa do Fiat Palio leva a uma casa específica. A equipe segue até o imóvel, contorna o terreno e, pelos fundos, enxerga um quarto com dezenas de pacotes empilhados. O cheiro de maconha atravessa a janela entreaberta.
Golpe milionário no tráfico e impacto na segurança local
Diante da cena, os policiais entram na residência. Um homem que está no imóvel se assusta ao ver a farda e reage com uma confissão involuntária. “Perdi, perdi”, grita ao perceber que a sala improvisada como depósito está exposta. Ele recebe voz de prisão em flagrante e é levado à Delegacia de Lagoa Santa, junto com toda a droga apreendida.
No interior da casa, os militares contabilizam 710 quilos de maconha, todos em barras. Somados aos 15 quilos encontrados no carro, o total chega a 725 quilos. Em valores de rua, a carga representa centenas de milhares de reais e abasteceria por meses pontos de venda na Grande BH. Para investigadores, o volume revela uma estrutura de logística que vai além de um grupo amador.
A apreensão ocorre em um condomínio de padrão elevado, com controle de acesso, o que mostra a tentativa do grupo de esconder a operação por trás de muros altos e segurança privada. O uso de bairros residenciais e condomínios de luxo como depósitos de drogas se torna mais frequente nos últimos anos, à medida que quadrilhas buscam se afastar de áreas já saturadas pela presença policial.
O caso também recoloca em evidência o papel da denúncia anônima. Sem a ligação que detalha a placa do veículo e o esquema de distribuição, a carga provavelmente seguiria circulando pelas cidades da Grande BH. “A informação da comunidade é fundamental para esse tipo de resultado. A gente consegue agir de forma cirúrgica e reduzir o risco de confronto”, afirma o sargento Gama.
Para a região de Lagoa Santa, Jaboticatubas e entorno, a operação representa um baque direto no fluxo de drogas. Menos maconha nas ruas tende a reduzir disputas entre grupos rivais e crimes associados, como roubos e homicídios. A apreensão derruba, de uma só vez, um estoque planejado para alimentar uma rede que ainda está em mapeamento.
Fugitivo segue procurado e investigação mira rede criminosa
O motorista do Fiat Palio, que abandona o carro e foge pela mata, continua foragido até o momento. A PM mantém buscas na área de vegetação e compartilha informações com a Polícia Civil, que assume a investigação formal. Imagens de câmeras de segurança, tanto da portaria quanto de vias da região, passam a ser analisadas para identificar deslocamentos anteriores do veículo.
O homem preso em flagrante deve ser ouvido novamente nos próximos dias, já com acompanhamento da defesa, e pode ajudar a esclarecer a origem da maconha, a rota usada para chegar à Grande BH e o destino final da droga. A partir dessas informações, investigadores esperam chegar a outros integrantes da cadeia, incluindo financiadores e responsáveis pelo armazenamento.
A estratégia de usar um mesmo carro para entrar e sair do condomínio facilita o acompanhamento policial e pode revelar um padrão de repetição. Se as análises confirmarem outras viagens semelhantes, o caso pode se desdobrar em novas operações e prisões. O condomínio, por sua vez, tende a rever protocolos de controle de acesso e colaboração com as forças de segurança.
O desfecho do inquérito define não apenas a responsabilização dos envolvidos, mas também o alcance real dessa rede de tráfico na Grande BH. Enquanto o Palio cinza e os 725 quilos de maconha permanecem como prova, a pergunta que orienta a investigação é objetiva: quem, além do homem preso e do motorista foragido, ganha com essa carga que não chega às ruas?
