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PL oficializa Carol De Toni ao Senado por SC e mira 2026

O PL oficializa nesta quarta-feira (25) a deputada federal Carol De Toni como pré-candidata ao Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026, em reunião em Brasília. A sigla aposta na parlamentar para fortalecer a chapa bolsonarista no Estado e impulsionar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Chapa pura e alinhamento com o bolsonarismo

A confirmação sai de uma sala lotada na sede do partido, em Brasília, onde a cúpula do PL nacional e lideranças catarinenses fecham a estratégia para 2026. Carol De Toni entra na disputa ao Senado em uma “chapa pura” da legenda, que reserva a outra vaga da eleição majoritária para Carlos Bolsonaro, também do PL.

O movimento consolida o plano de transformar Santa Catarina em um dos principais redutos da campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto. O Estado dá 3 das 81 cadeiras do Senado e, em 2022, entrega mais de 65% dos votos válidos para Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Carol fala em alívio com o desfecho das negociações internas. “Estou muito aliviada de finalmente ter finalizado essa situação toda e de poder, assim, ser pré-candidata para representar Santa Catarina aqui no Congresso Nacional”, afirma. Ela reforça o tom de confronto com o governo federal e com a esquerda. “Nosso principal objetivo é tirar a esquerda do poder e eleger nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro como presidente da República.”

O apoio do governador Jorginho Mello, também do PL, retira dúvidas sobre o palanque oficial da sigla no Estado. Ele confirma não apenas o nome de Carol, mas a moldura completa da chapa majoritária. “A Carol é a nossa candidata a senadora, o Carlos (Bolsonaro) é o candidato a senador”, diz, ao detalhar a composição.

Santa Catarina no centro da disputa

A reunião desta quarta-feira sela um processo de meses de articulação. O PL testa cenários desde o início do ano e mede o impacto de lançar dois nomes nacionais ao Senado, ligados de forma direta ao bolsonarismo. A estratégia mira o eleitorado conservador catarinense, que, em 2022, elege 16 dos 40 deputados estaduais e 5 dos 16 deputados federais alinhados à direita.

Jorginho Mello trata o anúncio como parte de um desenho mais amplo. Ele afirma que a legenda entra em 2026 com a chapa majoritária praticamente fechada: governador como pré-candidato à reeleição, vice do partido Novo e duas candidaturas ao Senado sob o guarda-chuva do PL. “O vice é do Novo, o prefeito de Joinville, Adriano Silva. Portanto, a chapa está montada. Agora, estamos fazendo composições com outros partidos que queiram estar conosco para disputar a eleição”, afirma o governador.

Carol tenta se conectar ao eleitorado que a elege, em 2022, para a Câmara dos Deputados com votação robusta em cidades médias e pequenas de Santa Catarina. Ela promete uma campanha de rua intensa e insiste na ideia de retribuição. “A forma que eu tenho de retribuir esse carinho e essa confiança é trabalhando duro”, diz. “Seremos oposição efetiva como fizemos hoje e vamos continuar fazendo diariamente.”

A definição, porém, não encerra todas as incógnitas no tabuleiro catarinense. O senador Esperidião Amin, do PP, sinaliza intenção de buscar a reeleição em 2026 e mantém base consolidada no Estado desde os anos 1980. O próprio Jorginho reconhece o peso político do aliado eventual. “O senador Amin é o senador de Santa Catarina hoje. É um bom quadro, é um homem respeitado. Mas não sei qual é a posição dele”, afirma.

Impacto nas alianças e na eleição de 2026

A aposta em uma chapa pura ao Senado tem efeito direto nas negociações com outros partidos. O PL indica que não abre mão das duas vagas que estarão em disputa em 2026, o que restringe espaços para siglas que desejam colocar nomes na corrida majoritária. Ao mesmo tempo, a presença de um vice do Novo na chapa de Jorginho Mello sinaliza abertura para acordos em torno da eleição ao governo estadual.

Santa Catarina aparece, nos cálculos internos do PL, como peça-chave para pavimentar o caminho de Flávio Bolsonaro até o segundo turno presidencial. Em 2026, mais de 5 milhões de eleitores catarinenses voltam às urnas, repetindo um peso semelhante ao de 2022, quando o Estado registra abstenção próxima de 20% no segundo turno. A expectativa é reduzir esse índice com uma campanha forte e nacionalizada, colando o nome de Carol à candidatura presidencial do partido.

Na prática, a pré-candidatura de Carol pressiona legendas de centro e de direita que ainda buscam espaço no palanque catarinense. O PP, de Amin, o Republicanos e parte do próprio Novo tentam manter margem de manobra para negociar tanto com o PL quanto com blocos rivais em formação. O recado de Jorginho, ao afirmar que outros partidos são “autônomos” para apoiar quem quiserem, reforça que o PL quer liderar a coalizão, não apenas compor.

O posicionamento firme na oposição ao governo federal também ajuda a consolidar a narrativa de campanha. Carol promete manter o tom combativo já visto na Câmara dos Deputados. “Temos muito trabalho pela frente neste ano e é nisso que vamos focar. Quanto ao futuro, com o apoio do povo catarinense, estou pronta para essa batalha”, afirma.

Próximos passos e cenário em aberto

O anúncio em Brasília abre agora uma fase de testes de discurso e agenda pública. Carol deve intensificar viagens pelo interior catarinense ainda no primeiro semestre de 2026, ao lado de Jorginho Mello e de aliados municipais. A campanha pretende explorar redes sociais, lives e eventos presenciais, apostando na imagem de proximidade com o eleitor e na defesa de pautas conservadoras nos costumes e liberais na economia.

O PL precisa, até o prazo das convenções partidárias de 2026, previsto pelo calendário eleitoral entre julho e agosto, transformar a pré-candidatura em candidatura oficial. Até lá, negocia apoios, calibra o discurso e observa o movimento de rivais, em especial o do PP de Esperidião Amin. A confirmação de Carol De Toni ao Senado antecipa o tom da disputa em Santa Catarina, mas deixa uma pergunta no ar: quantos palanques para a direita o Estado comporta em uma eleição que tende a ser uma das mais polarizadas desde a redemocratização?

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