Piquerez sofre entorse no tornozelo e preocupa Palmeiras e Uruguai
O lateral Joaquín Piquerez sofre entorse no tornozelo direito em amistoso entre Uruguai e Inglaterra nesta sexta-feira (27), em Wembley, e acende alerta no Palmeiras às vésperas de sequência decisiva na temporada. O uruguaio deixa o gramado de maca ainda no primeiro tempo e vira preocupação imediata para clube e seleção.
Choque em Wembley muda o roteiro da Data Fifa
O relógio marca 12 minutos quando Piquerez divide uma bola com o inglês Noni Madueke, pela ponta esquerda, no estádio de Wembley, em Londres. O lance parece comum à primeira vista, mas o lateral cai sentindo dores fortes no tornozelo direito e não consegue se levantar. O amistoso, que termina empatado por 1 a 1, ganha outro peso para o Palmeiras.
O atendimento médico em campo dura alguns minutos, sob olhar apreensivo dos companheiros. Sem condições de seguir em jogo, Piquerez deixa o gramado de maca, aplaudido pela torcida presente. Marcelo Bielsa reage rápido à baixa e chama o zagueiro José Giménez, do Atlético de Madrid, para reorganizar a defesa uruguaia ainda na etapa inicial.
A comissão técnica da seleção confirma a entorse no tornozelo direito e decide preservar o jogador. O lateral está fora do amistoso contra a Argélia, marcado para 31 de março, no estádio da Juventus, em Turim. O foco passa a ser a reavaliação médica nos próximos dias, já em solo brasileiro, quando o atleta retorna ao Palmeiras.
Palmeiras monitora e faz contas para sequência da temporada
O departamento de futebol do Palmeiras acompanha a cena à distância, mas em contato direto com a seleção uruguaia. O clube mantém desde o início da Data Fifa uma rotina de troca de informações com as comissões técnicas de todas as seleções que convocam seus atletas. Nesta janela, oito jogadores do elenco estão a serviço de quatro países: Paraguai, Uruguai, Argentina e Colômbia.
Piquerez é uma das peças mais estáveis do time de Abel Ferreira. O lateral acumula desgaste elevado desde 2023, com presença constante em jogos decisivos do Palmeiras e da seleção uruguaia. A entorse em Londres surge às vésperas de um trecho pesado do calendário: duelo contra o Grêmio, no dia 2 de abril, pela abertura da campanha no Campeonato Brasileiro, em Barueri, e estreia na Libertadores em 8 de abril, fora de casa, contra o Junior Barranquilla, na Colômbia.
Internamente, o clube trabalha com cautela. O plano definido antes da Data Fifa prevê o retorno de todo o grupo convocado a São Paulo até a noite de quarta-feira (1º), véspera do jogo com o Grêmio. A situação de Piquerez, porém, tende a fugir do roteiro original. Sem exame de imagem divulgado até agora, o Palmeiras aguarda o lateral para avaliação detalhada na Academia de Futebol, que vai determinar se ele terá condições de atuar já no início de abril.
A lesão mexe também com os planos da seleção uruguaia, que já tem vaga garantida na Copa do Mundo e usa os amistosos desta janela como laboratório. O Uruguai está no Grupo H do Mundial, ao lado de Espanha, Cabo Verde e Arábia Saudita, e testa variações táticas sob comando de Bielsa. Piquerez, titular regular nas últimas convocações, é visto como peça importante no ajuste da linha defensiva para enfrentar adversários de estilos diferentes.
Impacto tático e pressão por respostas rápidas
A ausência de Piquerez no amistoso contra a Argélia obriga Bielsa a testar alternativas para o setor. A lateral esquerda uruguaia perde profundidade no ataque e segurança na construção de jogadas desde a defesa. O treinador, que costuma valorizar laterais com boa saída de bola, precisa reorganizar o lado esquerdo em pleno período de afinação para a Copa.
No Palmeiras, a preocupação é imediata e prática. Abel Ferreira já conta com pouco tempo de preparação entre o retorno dos convocados e o jogo contra o Grêmio. Uma eventual ausência prolongada do uruguaio pode forçar mudanças na estrutura defensiva, com uso de reservas na lateral ou até adaptações de jogadores de outras posições. A definição do tempo de recuperação interfere diretamente na estratégia para o Brasileiro e para a fase de grupos da Libertadores, disputada em ritmo intenso ao longo de abril e maio.
O risco de desfalques simultâneos não é detalhe. Além de Piquerez, o Palmeiras tem Emiliano Martínez com a seleção uruguaia, três atletas com o Paraguai, dois com a Argentina e Jhon Arias a serviço da Colômbia. A qualquer sinal de problema físico, o clube precisa reajustar rapidamente a gestão de elenco em competições de pontos corridos e mata-mata. A entorse em Wembley acende uma luz amarela sobre a exposição dos titulares em amistosos de Data Fifa em meio a um calendário já comprimido.
Nos bastidores, o discurso é de cautela. A expectativa inicial é de que a entorse não seja grave, mas ninguém se arrisca a prever prazo de volta antes dos exames no Brasil. A experiência recente com lesões em jogadores-chave pesa. O Palmeiras prefere perder o lateral por alguns jogos agora a colocá-lo em campo sem condições ideais e prolongar o problema em uma temporada que se estende até dezembro.
Reavaliação define rota de Piquerez em 2026
O próximo passo é objetivo: reavaliar Piquerez tão logo ele se reapresente em São Paulo. O departamento médico do Palmeiras vai repetir testes, realizar exames de imagem e cruzar os dados com o relatório da seleção uruguaia para estabelecer o grau da entorse no tornozelo direito. A partir daí, o clube traça o plano de tratamento e discute, em conjunto com Bielsa, o ritmo de utilização do lateral nos próximos meses.
A temporada de 2026 impõe decisões rápidas. O Palmeiras encara, em poucas semanas, jogos pelo Brasileiro, pela Libertadores e compromissos que moldam o ano esportivo e financeiro do clube. A seleção uruguaia entra na reta final de preparação para a Copa do Mundo, com pouco espaço para erros na montagem do elenco. Entre Londres, São Paulo e Montevidéu, o tornozelo de Piquerez se transforma em ponto de atenção constante. As respostas médicas dos próximos dias vão indicar se o lance aos 12 minutos em Wembley será apenas um susto ou o início de uma ausência que muda planos em duas frentes.
