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Piloto que agrediu adolescente por causa de chiclete deixa prisão após fiança

O piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, deixa a prisão neste sábado (24/1) após pagar fiança de R$ 24.315. Ele é acusado de agredir um adolescente de 16 anos em Vicente Pires, no Distrito Federal, na noite de sexta-feira (23/1), causando traumatismo craniano grave.

Discussão banal termina em UTI

A confusão começa na saída de uma festa em Vicente Pires e tem origem em um gesto aparentemente banal. Dentro de um carro, Pedro arremessa um chiclete na direção de um amigo que está próximo da vítima. O adolescente ouve a provocação e reage em tom de desafio, segundo relato dado à polícia. “O adolescente teria dito que, se fosse com ele, não deixaria”, afirma o delegado-chefe da 38ª DP (Vicente Pires).

A troca de provocações se transforma em agressão física em poucos segundos. Pedro sai do carro, empurra o jovem de 16 anos e inicia uma briga. Durante os socos, um golpe mais forte atinge o adolescente, que cai e bate a cabeça. O impacto causa traumatismo craniano. Levado às pressas para o Hospital Brasília, em Águas Claras, ele é intubado e permanece internado na UTI em estado grave na tarde deste sábado.

Imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas circulam entre moradores de Vicente Pires e geram indignação nas redes sociais. A agressão expõe a escalada de violência em situações triviais entre jovens e reacende a discussão sobre limites, consumo de álcool em festas e a rapidez com que desentendimentos se convertem em espancamentos.

Decisão judicial e medidas impostas

Pedro é preso em flagrante ainda na sexta-feira (23/1) e passa a noite detido. Na manhã deste sábado, ele é apresentado em audiência de custódia. O juiz analisa o auto de prisão em flagrante, os depoimentos e o histórico do investigado. A defesa destaca que o piloto tem bons antecedentes e residência fixa no Distrito Federal.

Na decisão, o magistrado afirma que a prisão preventiva antes do julgamento é uma medida excepcional. Segundo ele, essa forma de encarceramento só deve ser usada quando há necessidade concreta e comprovada para garantir a ordem pública, evitar novas agressões ou assegurar o andamento do processo. “A conduta do investigado, neste momento inicial, não demonstra periculosidade elevada a ponto de justificar a prisão preventiva”, conclui o juiz ao converter o flagrante em liberdade provisória mediante fiança.

A fiança é fixada em R$ 24.315, valor que permite a saída do piloto da cadeia. A liberação, porém, vem acompanhada de uma série de medidas cautelares. Pedro deve comparecer a todos os atos do processo, está proibido de se ausentar do Distrito Federal por mais de 30 dias sem autorização judicial e não pode mudar de endereço sem avisar a 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras.

O caso permanece sob investigação na 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires. Os investigadores reconstituem a dinâmica da agressão, ouvem novas testemunhas e analisam imagens de câmeras. O inquérito vai definir se o piloto responde por lesão corporal grave ou tentativa de homicídio, a depender da evolução do quadro clínico do adolescente.

Repercussão, sensação de impunidade e próximos passos

A decisão de conceder liberdade provisória provoca reações imediatas entre moradores da região e nas redes sociais. Famílias de Vicente Pires e de Águas Claras relatam medo com episódios violentos ligados a festas de jovens e criticam o que veem como resposta branda do sistema de Justiça. A imagem de um adolescente de 16 anos, entubado e entre a vida e a morte, contrasta com a saída rápida do acusado mediante o pagamento de pouco mais de R$ 24 mil.

Juristas lembram que a lei brasileira prevê a fiança como instrumento para evitar prisões prolongadas antes da condenação. Explicam que a prisão preventiva não funciona como punição antecipada, mas como medida de proteção quando há risco concreto de fuga, ameaça a testemunhas ou repetição do crime. No caso de Pedro, o juiz entende que as medidas cautelares são suficientes, ao menos neste momento.

A família da vítima acompanha, do lado de fora da UTI, a evolução lenta do quadro clínico. O estado grave do adolescente pode alterar o rumo do processo. Se houver piora, o enquadramento jurídico da agressão tende a ficar mais severo, com penas mais altas em eventual condenação. Cada boletim médico passa a ter peso direto nas decisões policiais e judiciais.

O episódio se soma a outros casos recentes de violência entre jovens em áreas de classe média do Distrito Federal, o que pressiona autoridades de segurança a reforçar a presença policial em festas e eventos. Escolas e famílias também entram no debate, discutindo como mediar conflitos e evitar que provocações triviais terminem em UTI.

Nas próximas semanas, o Ministério Público deve analisar o inquérito e decidir se apresenta denúncia formal contra o piloto. A Justiça pode marcar nova audiência para ouvir o acusado, testemunhas e médicos responsáveis pelo atendimento. Até lá, duas histórias seguem em paralelo: a de um jovem que volta para casa com a obrigação de responder na Justiça e a de um adolescente que luta pela vida em um leito de UTI. A resposta sobre qual Justiça a sociedade considera suficiente ainda está em aberto.

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