Piastri lidera TL2 em casa e motores Mercedes dominam na Austrália
Oscar Piastri coloca a McLaren na frente no segundo treino livre do GP da Austrália, nesta sexta (6), em Melbourne. O australiano lidera uma sessão dominada por carros com motor Mercedes e alimenta a expectativa da torcida para a abertura da temporada 2026 da Fórmula 1.
Domínio em casa e virada em relação ao TL1
Piastri registra 1min19s729 no TL2 e encerra o dia como o mais rápido no Albert Park. O resultado inverte o cenário do primeiro treino livre, quando a Ferrari lidera as ações e deixa a McLaren em segundo plano. Agora, o time de Woking confirma o bom ritmo que exibia desde a pré-temporada e abre o fim de semana na Austrália em posição de ataque.
A sessão acontece no mesmo horário da classificação deste sábado, o que dá ao TL2 um peso estratégico maior. As equipes tratam o treino como um ensaio geral para a tomada de tempos, ajustando acerto de carro, uso de pneus e consumo de combustível para as condições reais de pista. Nesse contexto, o desempenho de Piastri em casa ganha relevância esportiva e simbólica.
A torcida local vibra com cada volta rápida do piloto da McLaren, que corre diante de arquibancadas lotadas. A performance sólida, sem sustos e com boa consistência, indica que o carro laranja não depende apenas de uma volta perfeita, mas apresenta ritmo competitivo em stints mais longos, peça-chave para a corrida de domingo.
Mercedes reage e motores ganham protagonismo
Kimi Antonelli e George Russell completam o top 3, com 1min19s943 e 1min20s049. Os dois confirmam a reação da Mercedes depois de um TL1 discreto e ajudam a desenhar um quadro claro: os motores Mercedes ditam o ritmo nesta sexta. Ao lado da McLaren, a própria equipe de fábrica, Williams e Alpine usam o mesmo propulsor, o que pode redesenhar o equilíbrio de forças da temporada.
Russell chega a dominar a tabela de tempos na metade da sessão, quando coloca pneus macios e crava os três melhores setores de uma volta. Antonelli mantém o companheiro de equipe na mira quase todo o treino, reforçando a impressão de que a Mercedes encontra uma base competitiva já na etapa de abertura de 2026. A equipe, que vinha de anos de altos e baixos na era dos novos regulamentos, volta a aparecer com consistência na parte de cima da tela.
Logo atrás, Lewis Hamilton e Charles Leclerc fecham o dia em quarto e quinto, com 1min20s050 e 1min20s291. A Ferrari, que lidera o TL1, perde espaço quando o sol baixa e a pista se aproxima das condições da classificação. O time italiano ainda mostra velocidade em volta lançada, mas não repete a mesma folga da manhã. O contraste com McLaren e Mercedes alimenta a sensação de um ano mais embaralhado na frente do grid.
Max Verstappen aparece em sexto com 1min20s366, depois de um treino agitado. O motor do Red Bull apaga nos boxes e deixa o tricampeão parado por vários minutos. Quando volta à pista, o holandês perde o controle na saída da Curva 10, passa pela área de brita em alta velocidade e danifica o assoalho. O episódio expõe um começo de fim de semana mais instável para a equipe que domina a primeira metade da década.
Lando Norris, companheiro de Piastri na McLaren, fecha em sétimo com 1min20s794 e um dia mais complicado, travado por ajustes finos no carro e tráfego em voltas rápidas. O top 10 ainda traz Arvid Lindblad, em oitavo com 1min20s922 e desempenho surpreendente com a Racing Bulls, Isack Hadjar em nono com 1min20s941 e Esteban Ocon em décimo com 1min21s179, segurando a Haas na zona nobre da tabela.
Problemas técnicos expõem fragilidades de rivais
Enquanto McLaren, Mercedes e Ferrari trabalham em séries mais longas de voltas, outras equipes enfrentam um TL2 bem mais turbulento. A Audi, que coloca seus dois carros entre os dez primeiros no TL1, cai de produção à tarde. Nico Hülkenberg termina em 12º com 1min21s351, e Gabriel Bortoleto marca 1min21s668, em 14º, depois de um stint maior com pneus médios focado em ritmo de corrida. A mudança de temperatura e de vento, aliada a um acerto ainda em evolução, deixa o time alemão distante dos líderes em volta rápida.
A Cadillac vive um treino ainda mais difícil. Valtteri Bottas registra apenas 1min23s660, em 19º, após lidar com falhas de sensores. Em determinado momento, a equipe pede pelo rádio que ele encoste o carro, o que provoca um período de Safety Car Virtual já nos minutos finais. Sergio Pérez sequer vai à pista e termina a sessão sem tempo, um prejuízo grande em um fim de semana que inaugura um novo projeto e uma nova parceria de motor com a Ferrari.
A Aston Martin volta a sofrer com a confiabilidade do conjunto Honda. Lance Stroll anota 1min25s816, em 21º, depois de mais uma ida antecipada aos boxes. Fernando Alonso, que já tem o TL1 comprometido por falhas técnicas, conclui o TL2 apenas em 20º com 1min24s662. No intervalo entre as sessões, Adrian Newey admite frustração com o cenário. O chefe da equipe diz que se sente “impotente” diante dos problemas de motor que se arrastam desde os testes de pré-temporada, uma frase que ecoa no paddock e acende um alerta sobre o futuro imediato da parceria.
No pelotão intermediário, Alexander Albon e Carlos Sainz, da Williams, aparecem em 15º e 17º, com 1min21s847 e 1min22s253. Pierre Gasly e Franco Colapinto, da Alpine, surgem logo atrás, em 16º e 18º, com 1min22s167 e 1min22s619. As quatro posições fora do top 10 mostram que nem todas as equipes com motor Mercedes conseguem transformar o bom desempenho do propulsor em resultado imediato, mas reforçam a impressão de um bloco intermediário compacto, com diferenças pequenas na casa de décimos.
Equilíbrio em 2026 e expectativa para classificação
Os minutos finais do TL2 são dedicados quase inteiramente a simulações de corrida com pneus médios e duros usados. A maior parte dos pilotos roda com tanque mais cheio, sem buscar voltas rápidas, e os tempos praticamente não melhoram. Com a bandeira quadriculada, o quadro que fica é de um fim de semana mais equilibrado, com McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull em uma faixa próxima de desempenho em volta lançada.
A liderança de Piastri em casa, com dois carros da Mercedes logo atrás, tem efeito imediato sobre o clima do paddock. A McLaren ganha confiança e capital político em um ano em que mira o título, a Mercedes sai do papel de coadjuvante dos últimos campeonatos e volta a ser vista como ameaça real, enquanto rivais lidam com falhas de confiabilidade e ajustes finos às pressas. A Audi, que abre 2026 sob expectativa alta, deixa a sexta-feira em alerta depois de cair do top 10 para 12º e 14º entre o TL1 e o TL2.
A classificação deste sábado, marcada para as 22h30 no horário de Brasília, vai mostrar quanto desse cenário se traduz em grid. O primeiro Q3 do ano deve indicar se o domínio de motores Mercedes no top 3 desta sexta é um prenúncio de campeonato disputado ou apenas um retrato de um dia em que McLaren e Mercedes conseguem unir pista fria, acerto certo e execução quase perfeita. A resposta começa a surgir na próxima saída dos carros à pista.
