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PF investiga R$ 17,7 mi ligados a Willer Tomaz e Virginia Fonseca

Autoridades investigam movimentações financeiras suspeitas entre empresas associadas a influenciadores digitais.

PF investiga R$ 17,7 mi ligados a Willer Tomaz e Virginia Fonseca

A Polícia Federal investiga se a AMP Pay Marketing e Negócios, empresa associada ao advogado Willer Tomaz, foi usada para lavar dinheiro ao transferir R$ 17,7 milhões em cinco operações via Pix para a Talismã Digital, companhia da influenciadora Virginia Fonseca, em movimentações que dispararam alertas no sistema bancário e no órgão de inteligência financeira do governo.

Quem é Willer Tomaz e qual sua relação com o repasse de R$ 17,7 milhões a Virginia Fonseca?

Willer Tomaz é um advogado alvo de inquéritos da Polícia Federal que acompanham movimentações financeiras de alto valor ligadas a plataformas de apostas e empresas de pagamento. Nas apurações, ele aparece conectado à AMP Pay, responsável pelos R$ 17,7 milhões enviados à Talismã Digital, de Virginia Fonseca.

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A relação de Tomaz com a AMP Pay é um dos pontos centrais da investigação. Embora o cadastro da Receita Federal aponte Guilherme Maciel como proprietário formal da empresa, a PF localizou um e-mail em que Tomaz se apresenta a um banco digital como sócio ou acionista da AMP Pay. Esse documento foi incorporado ao inquérito como indício de participação dele na estrutura societária.

Entre março e setembro de 2024, a Talismã Digital recebeu R$ 22,4 milhões; a maior parte desse montante, R$ 17,7 milhões, saiu justamente da AMP Pay em cinco transferências via Pix. No mesmo período, Virginia mantinha parceria publicitária com a Blaze, casa de apostas que também aparece nas investigações que miram Tomaz.

Em manifestações anteriores sobre sua atuação no mercado de apostas, Tomaz sustentou que “os recursos movimentados tinham origem lícita”. Procurado especificamente sobre os repasses à empresa de Virginia, ele não respondeu, segundo relatos levados aos autos.

O que Virginia Fonseca declarou sobre o contato com Willer Tomaz após receber o dinheiro?

Virginia Fonseca, por meio de sua assessoria jurídica, nega qualquer contato com Willer Tomaz e afirma que não há relação contratual com o advogado. Em nota, sua equipe diz que os valores recebidos pela Talismã Digital correspondem a campanhas publicitárias regulares.

“O Sr. Willer Tomaz não figura como parte em qualquer contrato celebrado por Virginia Fonseca, que esclarece, ainda, não conhecê-lo e jamais ter mantido com ele qualquer contato ou tratativa”, afirma o comunicado. A defesa da influenciadora acrescenta que dúvidas sobre “atuação de terceiros, composição societária de empresas ou eventuais investigações” devem ser direcionadas aos envolvidos, não a ela.

A assessoria não detalhou quais serviços publicitários justificaram os pagamentos da AMP Pay. A Talismã Digital é a empresa que concentra os contratos comerciais e ações de marketing da influenciadora.

Por que a Polícia Federal investiga empresa ligada a Willer Tomaz?

A apuração da PF começou após o Banco Santander classificar como atípicas as operações da AMP Pay e comunicar as transações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por monitorar movimentações suspeitas no sistema financeiro.

A AMP Pay, registrada em Itajaí (SC), declara capital social de R$ 50 mil e está enquadrada no regime tributário do Simples Nacional, voltado a empresas de menor porte, com teto de faturamento anual de R$ 4,8 milhões. Só as cinco transferências para a Talismã Digital, somando R$ 17,7 milhões, já superam esse limite, o que reforçou a necessidade de apuração sobre a origem do dinheiro.

Para os investigadores, a desproporção entre o porte formal da AMP Pay e o volume movimentado, combinada com as ligações de Tomaz com plataformas de apostas, indica possível uso de empresas de fachada para dar aparência lícita a recursos de procedência obscura.

Documentos em poder da PF mostram ainda que o Ministério da Fazenda identificou que Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas em 2025, tornando-se o maior apostador mapeado no país naquele período, ainda que o valor inclua prêmios reapostados.

Entenda o contexto

Além da AMP Pay, a PF apura o papel de outras estruturas ligadas a Tomaz, como uma conta na fintech A55, usada em operações consideradas atípicas com a Blaze. A investigação trabalha com a hipótese de que casas de apostas tenham sido usadas para embaralhar a trilha do dinheiro, por meio de depósitos, sucessivas apostas e retiradas, o que dificulta o rastreamento.

Os investigadores também identificaram coincidências de endereços entre empresas relacionadas a Tomaz e a Foggo Entertainment, responsável pela operação da Blaze. Esse dado, porém, é tratado com cautela: a própria PF ressalta que a coincidência de endereço, isoladamente, não comprova que o advogado tenha controle oculto ou participação societária na casa de apostas.

No campo societário, a Receita Federal registra Guilherme Maciel como dono formal da AMP Pay. Questionado em procedimentos de apuração, ele negou conhecer Tomaz ou manter qualquer relação com o advogado e resumiu o negócio ao dizer que “a empresa atuou regularmente como intermediadora de pagamentos entre 2024 e 2025”, sem explicar que tipo de serviço justificou os repasses milionários à empresa de Virginia.

O avanço do inquérito deve envolver quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático para rastrear o caminho do dinheiro e, se necessário, pedidos de cooperação internacional, já que plataformas de apostas e fintechs frequentemente operam com estruturas fora do país. A depender das conclusões, os envolvidos podem enfrentar processos criminais e administrativos, além de impactos na reputação e em contratos comerciais.

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