PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraude de R$ 12,2 bilhões no Master
Relatório de 703 páginas aponta suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa; outras 13 pessoas também foram indiciadas.

A Polícia Federal (PF) indiciou 15 pessoas nesta quarta-feira (28) por suspeitas de participação em um esquema de fraude bilionária envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A investigação aponta irregularidades na negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, segundo os investigadores, não possuíam comprovação de lastro.
O indiciamento consta de um relatório de 703 páginas produzido no âmbito da Operação Compliance Zero. A PF atribui aos investigados diferentes responsabilidades em supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades na prestação de informações. As operações analisadas ocorreram entre dezembro de 2024 e abril de 2025.
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Como funcionava o suposto esquema entre Master e BRB?
De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master negociou com o BRB carteiras de crédito apresentadas como ativos financeiros legítimos. O problema identificado pelos investigadores está na origem e na comprovação da existência desses créditos.
Os contratos previam a transferência de carteiras de empréstimos consignados vinculadas à modalidade Credcesta. Durante a investigação, entretanto, foram identificadas divergências sobre quais empresas efetivamente haviam originado os créditos.
Inicialmente, a origem de parte das operações foi atribuída a duas associações sediadas na Bahia. Posteriormente, passaram a ser apresentadas informações que vinculavam os ativos à empresa Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A.
Segundo a PF, a análise pericial apontou que a empresa não possuía estrutura operacional, capacidade econômico-financeira ou meios técnicos compatíveis com a geração de créditos consignados em volume bilionário.
Os investigadores sustentam que dirigentes das instituições financeiras deixaram de cumprir obrigações de governança e procedimentos destinados a verificar a existência dos ativos negociados.
A investigação também identificou suspeitas de participação de intermediários, operadores financeiros e integrantes de estruturas administrativas responsáveis pela aprovação das transações.
Daniel Vorcaro é apontado como líder de núcleo investigado
O relatório da Polícia Federal atribui a Daniel Vorcaro uma posição de liderança no núcleo ligado ao Banco Master.
O empresário foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo os investigadores, Vorcaro teria participado da coordenação de operações financeiras que permitiram a negociação das carteiras de crédito questionadas.
Augusto Ferreira Lima, ex-dirigente do Master, também foi indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Outros integrantes da administração do banco privado aparecem no relatório por suspeitas relacionadas à estruturação, execução e validação das operações.
As imputações representam a avaliação da autoridade policial sobre os elementos reunidos no inquérito. Não constituem condenação criminal.
Ex-presidente do BRB também foi indiciado
Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB durante parte das negociações investigadas, foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
A Polícia Federal atribui ao ex-dirigente participação no núcleo de comando das operações realizadas pelo banco público.
O relatório também inclui Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB.
Além dos integrantes da cúpula administrativa, quatro membros da diretoria colegiada da instituição foram indiciados por suspeita de gestão fraudulenta.
Segundo a investigação, operações financeiras de grande valor teriam sido aprovadas antes da conclusão de pareceres técnicos e de controle.
A PF afirma que decisões foram mantidas ou renovadas mesmo diante de alertas sobre riscos de liquidez e possíveis irregularidades.
Quem são os 15 indiciados no caso Banco Master?
A Polícia Federal dividiu os investigados em núcleos, considerando as funções que cada um teria exercido nas operações questionadas.
Os 15 nomes incluídos no relatório são:
- Daniel Bueno Vorcaro — ex-controlador do Banco Master;
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa — ex-presidente do BRB;
- Augusto Ferreira Lima — ex-dirigente do Banco Master;
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva — diretor do Banco Master;
- Luiz Antonio Bull — diretor de Gestão de Riscos do Banco Master;
- Alberto Félix de Oliveira Neto — superintendente de Tesouraria do Banco Master;
- Allan da Silva Machado — coordenador operacional do Banco Master;
- Henrique Souza e Silva Peretto — colaborador ligado às operações do Master;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia — apontado como participante da estrutura operacional investigada;
- Daniel Lopes Monteiro — advogado citado na estruturação das operações;
- Dario Oswaldo Garcia Junior — ex-diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB;
- Luana de Andrade Ribeiro — diretora executiva de Controle e Riscos do BRB;
- Cristiane Maria Lima Bukowitz — diretora executiva de Gestão de Pessoas do BRB;
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira — diretor executivo de Atacado e Governo do BRB;
- José Maria Correa Dias Junior — diretor executivo de Tecnologia do BRB.
Os crimes atribuídos a cada investigado variam conforme a função e a participação apontadas pela Polícia Federal.
A inclusão dos nomes no relatório não significa que todos tenham sido indiciados pelos mesmos delitos.
O que significa o indiciamento pela Polícia Federal?
O indiciamento é um ato formal da autoridade policial que identifica uma pessoa como suspeita de participação em uma infração penal, com base nos elementos reunidos durante a investigação.
No caso do Banco Master, a PF concluiu que existem indícios suficientes para atribuir responsabilidades criminais aos 15 investigados.
Essa etapa não equivale ao oferecimento de uma denúncia pelo Ministério Público nem à condenação pela Justiça.
O relatório deverá ser analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar os elementos apresentados e decidir sobre eventuais medidas judiciais.
Caso seja oferecida uma denúncia, caberá ao Poder Judiciário decidir sobre seu recebimento e o prosseguimento de uma ação penal.
Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.
Investigação começou com suspeitas de créditos sem lastro
A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master.
Um dos principais focos da apuração são as carteiras de crédito negociadas com o BRB, que teriam sido apresentadas como ativos capazes de justificar transferências de recursos entre as instituições.
O Banco de Brasília é uma instituição financeira controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal.
A investigação ganhou relevância devido aos valores envolvidos e aos possíveis impactos das operações sobre a instituição pública.
O Banco Central também aparece no contexto da apuração por ser responsável pela supervisão das instituições financeiras e pela fiscalização do cumprimento das normas aplicáveis ao setor.
A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central, mas outras operações financeiras realizadas anteriormente permaneceram sob investigação.
PF pede mais prazo para aprofundar apuração
Apesar dos 15 indiciamentos, a Polícia Federal ainda pretende concluir diligências relacionadas ao caso.
Os investigadores solicitaram a prorrogação do inquérito por mais 60 dias para finalizar análises e produzir informações complementares.
O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
O relatório parcial já produzido reúne os elementos que fundamentaram os indiciamentos anunciados nesta quarta-feira.
A continuidade das diligências poderá resultar em novas informações sobre a origem dos créditos, a participação dos envolvidos e o destino dos recursos movimentados.
Próximos passos
A Procuradoria-Geral da República deverá examinar o relatório da Polícia Federal e avaliar se os elementos reunidos justificam o oferecimento de denúncia contra os investigados.
O Supremo Tribunal Federal também deverá analisar o pedido de prorrogação das investigações.
O caso permanece em fase de apuração criminal, sem que os indiciamentos representem decisões definitivas sobre a responsabilidade dos envolvidos.
As próximas etapas poderão esclarecer a extensão das operações financeiras investigadas e as responsabilidades individuais de dirigentes, operadores e demais participantes apontados no relatório.


