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PF e Ibama destroem dragas milionárias e apreendem mercúrio no Rio Madeira

Segunda fase da Operação Nêmesis atingiu estruturas de extração ilegal de ouro em Porto Velho; agentes também apreenderam armas e equipamentos, enquanto investigam financiadores do garimpo.

PF e Ibama destroem dragas milionárias e apreendem mercúrio no Rio Madeira

A Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram, nesta sexta-feira (30), a segunda fase da Operação Nêmesis para combater o garimpo ilegal de ouro no Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia. A ação resultou na inutilização de dragas de grande porte e na apreensão de mercúrio, armas de fogo e equipamentos utilizados na extração do minério.

A fiscalização ocorreu em um trecho do rio localizado acima da Usina Hidrelétrica de Jirau, onde as autoridades identificaram estruturas que operavam sem autorização para exploração mineral e sem licença ambiental. Segundo a Polícia Federal, cada draga tinha valor médio estimado superior a R$ 4 milhões, indicando uma atividade de grande porte, com capacidade de extração em larga escala.

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PF e Ibama destroem 29 dragas usadas em garimpo ilegal no Rio Madeira; Veja o vídeo

Dragas operavam sem autorização ambiental

De acordo com a Polícia Federal, os agentes identificaram os pontos de exploração irregular por meio do cruzamento das coordenadas das dragas com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A análise mostrou que as estruturas estavam posicionadas em locais sem Permissão de Lavra Garimpeira e sem licenciamento ambiental.

A PF destacou que a fiscalização foi direcionada exclusivamente às áreas consideradas irregulares, sem atingir empreendimentos que possuíam títulos minerários e licenças ambientais válidos.

Imagens de satélite analisadas pelos investigadores mostram que as dragas estavam concentradas naquela região desde abril de 2025.

Ao longo desse período, as embarcações mudaram de posição dentro do rio e provocaram alterações visíveis nas margens, segundo a investigação.

As estruturas encontradas eram plataformas flutuantes de grande porte, equipadas para retirar sedimentos do leito do rio e separar o ouro.

Para os investigadores, o tamanho das dragas e o investimento necessário para mantê-las em funcionamento indicam uma atividade organizada, diferente do garimpo individual realizado com equipamentos rudimentares.

Por que as dragas foram destruídas?

A Polícia Federal informou que as estruturas estavam a aproximadamente 27 quilômetros da Usina Hidrelétrica de Jirau, em uma área acima da barragem.

Segundo os agentes, não havia condições adequadas para transportar as dragas, devido ao tamanho dos equipamentos, à ausência de meios de reboque e à falta de um local apropriado para armazená-los.

Diante dessas circunstâncias, as equipes decidiram inutilizar as estruturas no próprio local.

A medida está prevista no artigo 111 do Decreto nº 6.514, de 2008, que permite a destruição ou inutilização de equipamentos utilizados em infrações ambientais em situações específicas, como impossibilidade de remoção ou risco à segurança e ao meio ambiente.

Antes da destruição, os agentes retiraram das embarcações as substâncias consideradas perigosas para evitar que fossem lançadas diretamente nas águas do Rio Madeira.

Mercúrio e armas foram apreendidos durante a operação

Durante as inspeções, policiais federais e fiscais do Ibama encontraram mercúrio metálico armazenado nas dragas.

Também foram localizados equipamentos utilizados na queima do amálgama, mistura formada durante o processo de separação do ouro, com vestígios de utilização da substância tóxica.

Além do mercúrio, as equipes apreenderam armas de fogo e outros materiais relacionados à atividade garimpeira.

A Polícia Federal informou que os produtos perigosos foram retirados antes da inutilização das embarcações e terão destinação ambientalmente adequada.

A quantidade total de mercúrio apreendido e o número de armas recolhidas não foram detalhados no comunicado divulgado nesta sexta-feira.

Os materiais serão contabilizados e encaminhados conforme os procedimentos legais.

Como o mercúrio utilizado no garimpo ameaça o Rio Madeira?

O mercúrio é utilizado em determinados processos de extração de ouro porque consegue se ligar ao metal precioso, facilitando sua separação dos demais sedimentos.

Entretanto, a substância é altamente tóxica e pode provocar graves danos ambientais e à saúde humana.

Durante a atividade garimpeira, o mercúrio pode atingir a água e os sedimentos. No processo de aquecimento do amálgama, também pode ser liberado na atmosfera.

No ambiente aquático, o metal pode ser transformado em compostos ainda mais perigosos, que se acumulam nos organismos e chegam aos peixes consumidos pela população.

Essa contaminação representa um risco especialmente importante para comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem da pesca como fonte de alimentação e renda.

A exposição ao mercúrio pode comprometer o sistema nervoso e provocar problemas de saúde, com riscos particularmente elevados para crianças e gestantes.

A legislação brasileira restringe o uso da substância na extração de ouro e exige autorização ambiental específica.

Segundo a Polícia Federal, nenhuma das dragas fiscalizadas nesta etapa da operação possuía as licenças necessárias.

Garimpo também provoca assoreamento e destruição das margens

Além do risco de contaminação por mercúrio, a extração irregular de ouro no leito do Rio Madeira pode provocar alterações físicas no ambiente.

As dragas removem grandes quantidades de sedimentos durante a busca pelo minério, modificando o fundo do rio e contribuindo para processos de assoreamento.

A movimentação constante dessas estruturas também pode comprometer as margens e afetar os habitats de espécies aquáticas.

Segundo a Polícia Federal, as imagens de satélite utilizadas na investigação já mostravam alterações visíveis nas margens do trecho fiscalizado.

Esses impactos podem atingir a biodiversidade e prejudicar atividades tradicionais de comunidades que vivem próximas ao rio.

Operação Nêmesis já havia inutilizado 72 equipamentos

A ação desta sexta-feira representa a segunda fase da Operação Nêmesis, iniciada em 27 de outubro.

Na primeira etapa, realizada entre os distritos de Calama e São Carlos, também em Porto Velho, a Polícia Federal e o Ibama inutilizaram 72 embarcações e equipamentos utilizados no garimpo ilegal.

Entre os materiais estavam 17 dragas, dois rebocadores, três voadeiras, 21 motores, 25 bombas de draga e quatro bombas de água.

Na ocasião, os agentes também inutilizaram 16 mil litros de óleo diesel destinados ao abastecimento das estruturas.

Foram apreendidos três frascos de mercúrio e oito aparelhos celulares, que poderão auxiliar na identificação dos responsáveis pela exploração ilegal.

A nova etapa amplia as ações de fiscalização sobre a atividade garimpeira no Rio Madeira.

O número de dragas inutilizadas especificamente nesta sexta-feira não foi informado pela Polícia Federal.

PF investiga quem financia a extração ilegal de ouro

As investigações não estão restritas aos operadores encontrados nas áreas de garimpo.

A Polícia Federal pretende identificar as pessoas responsáveis pelo financiamento das estruturas, pelo fornecimento de mercúrio e pelo transporte dos materiais utilizados na atividade.

Os agentes também apuram quem recebe e comercializa o ouro retirado ilegalmente do Rio Madeira.

Segundo a corporação, os envolvidos poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de extração mineral sem autorização, usurpação de bens da União, uso irregular de substância tóxica e associação criminosa.

As penas previstas para esses delitos variam conforme o enquadramento legal, podendo incluir detenção, reclusão e multa.

A responsabilização criminal dependerá das provas reunidas durante a investigação e de eventuais decisões judiciais.

Próximos passos

A Polícia Federal continuará investigando a estrutura financeira e logística responsável pela manutenção das dragas no Rio Madeira.

Os materiais apreendidos deverão passar por análise para identificar possíveis fornecedores de mercúrio, financiadores e compradores do ouro extraído ilegalmente.

O Ibama também poderá adotar medidas administrativas relacionadas aos danos ambientais identificados.

As autoridades não divulgaram um balanço definitivo da quantidade de dragas inutilizadas nesta segunda fase nem informaram a realização de prisões durante a ação de sexta-feira.

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