Esportes

Paulo César vê pênalti ignorado em dérbi entre Corinthians e Palmeiras

O ex-árbitro Paulo César de Oliveira afirma que houve pênalti de Gabriel Paulista em Sosa aos 17 minutos do segundo tempo do dérbi de domingo, na Neo Química Arena. A jogada, ignorada por campo e VAR, reacende o debate sobre a qualidade da arbitragem e o uso da tecnologia em clássicos decisivos.

Jogada aos 17 minutos muda o foco do clássico

O lance acontece quando o clássico entre Corinthians e Palmeiras já vive um clima de tensão, depois de cartões, chegadas fortes e reclamações de ambos os lados. Aos 17 minutos da etapa final, Gabriel Paulista tenta afastar uma investida palmeirense dentro da área corintiana e acerta em cheio Sosa, que chega primeiro na bola.

O árbitro Flávio Rodrigues de Souza manda o jogo seguir. Na cabine, o VAR revisa rapidamente as imagens e decide não recomendar a checagem no monitor. A partida continua sem interrupção, sob vaias da arquibancada e protestos de jogadores do Palmeiras. No placar, o zero insiste; na análise posterior, o lance se torna o ponto central da discussão sobre a arbitragem.

Leitura de Paulo César expõe falha do VAR

A avaliação de Paulo César de Oliveira chega poucas horas depois, no programa “Fechamento”, do SporTV, gravado ainda na noite de domingo. Ele revê o lance em diferentes ângulos e não hesita. “Achei pênalti. Nesse tipo de jogada, o VAR tem que avaliar quem tocou na bola”, afirma, ao vivo, diante das imagens congeladas e repetidas em câmera lenta.

O ex-árbitro sustenta que Sosa se antecipa com clareza e ganha a disputa. “Na imagem fica muito clara que o Sosa antecipou a jogada. O Gabriel Paulista foi imprudente. Foi chutar a bola, mas o adversário foi mais rápido, e o zagueiro do Corinthians atinge o adversário. Só pegou o Sosa”, diz. A crítica não mira apenas o juiz de campo, mas a equipe de vídeo, que deveria, segundo ele, chamar a revisão pela gravidade do possível erro em área.

O contexto do jogo torna o lance ainda mais sensível. Aos 34 minutos do primeiro tempo, o volante André, do Corinthians, é expulso após o VAR identificar um gesto obsceno em uma dividida na área. Trinta e quatro minutos no relógio, o árbitro vai ao monitor, revê o movimento e mostra o cartão vermelho direto. Na etapa final, aos 23 minutos, Matheuzinho também deixa o campo após nova revisão: o juiz retira o segundo amarelo e aplica o vermelho direto por falta no meio-campo.

Em duas decisões, o VAR interfere de forma contundente contra o Corinthians. No lance de Sosa, aos 17 do segundo tempo, a conduta é oposta: nenhuma recomendação de revisão, apesar do contato evidente e do risco de pênalti para o Palmeiras. A discrepância alimenta a sensação de falta de critério, palavra que ganha força nos comentários de torcedores, dirigentes e analistas nas redes sociais.

O dérbi termina sem gols, mas não sem consequências. Em campo, o Corinthians joga por mais de 55 minutos com um a menos e encerra a partida com dois expulsos. Fora das quatro linhas, os clubes iniciam troca de acusações sobre agressões de funcionários e seguranças no entorno da Neo Química Arena, o que adiciona pressão ao ambiente já carregado em torno da arbitragem.

Pressão crescente sobre arbitragem e tecnologia

A análise pública de um ex-árbitro de elite, hoje voz recorrente em transmissões e programas esportivos, pesa no debate. Paulo César apita finais nacionais e internacionais durante a carreira e atua diretamente na formação e avaliação de árbitros após a aposentadoria. Quando ele aponta um erro técnico em lance-chave de clássico, abre espaço para cobrança direta à Comissão de Arbitragem da CBF.

O uso do VAR no Brasil, implantado no Brasileirão em 2019, volta ao centro da discussão. A tecnologia promete reduzir falhas claras, mas depende da interpretação humana em tempo real. Cada jogada como a de Gabriel Paulista e Sosa testa os limites do protocolo: o que é considerado “erro claro e óbvio”? Em que medida a cabine deve interferir quando o contato é evidente, mas o árbitro está bem posicionado?

O dérbi de domingo oferece um contraste didático. Em menos de 90 minutos, o VAR recomenda duas revisões que resultam em expulsões corintianas, ambas confirmadas após análise do vídeo. No lance que pode dar um pênalti ao Palmeiras, silencia. A leitura de Paulo César, exibida em rede nacional, alimenta a tese de que a ferramenta é usada de forma irregular, com padrão difícil de entender até para profissionais do meio.

Para os clubes, o impacto é concreto. Um pênalti marcado aos 17 minutos do segundo tempo, em jogo com dois jogadores a mais para o Palmeiras, tende a mudar a dinâmica tática e emocional da partida. Uma eventual vitória em clássico altera ambiente em vestiários, pressões sobre comissões técnicas e até decisões de diretoria em plena temporada de Brasileirão. Cada ponto conta em um campeonato de 38 rodadas, com premiações milionárias e vagas em Libertadores e Sul-Americana em jogo.

A repercussão do lance atravessa o gramado. Torcedores corintianos e palmeirenses brigam por versões em comentários, fóruns e grupos de WhatsApp. Programas esportivos dedicam blocos inteiros à discussão da arbitragem, enquanto dirigentes acumulam material para futuras reclamações formais na CBF. O tom oscila entre indignação, desconfiança e cansaço com erros repetidos em jogos de grande audiência.

Próximos passos e debate que não se encerra

A pressão por mudanças recai sobre a Comissão de Arbitragem da CBF, responsável por treinar, escalar e avaliar juízes e integrantes de VAR. A discussão não se limita a um jogo isolado. O episódio entra em compilações internas de erros e acertos, relatórios de desempenho e reuniões de avaliação, que costumam ocorrer ao longo da temporada com supervisão da FIFA para atualização de protocolos.

Especialistas defendem ajustes mais claros em comunicação e transparência. A divulgação dos áudios entre campo e cabine, hoje feita de forma pontual e com atraso, surge como uma das principais demandas. A abertura ajudaria a explicar por que lances parecidos recebem tratamentos diferentes, como no caso do pênalti não marcado em Sosa e das expulsões de André e Matheuzinho no mesmo jogo.

O dérbi entre Corinthians e Palmeiras confirma que a discussão sobre arbitragem, longe de ser detalhe, influencia diretamente o produto futebol. Uma decisão no domingo à tarde repercute por dias, afeta imagem do campeonato e interfere na confiança de torcedores em relação ao que veem na tela. Enquanto episódios como o da Neo Química Arena se repetem, a pergunta permanece sem resposta definitiva: até que ponto o VAR veio para corrigir erros, e até que ponto passou a criar novos?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *