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Partido Bhumjaithai conquista maioria e consolida poder na Tailândia

O partido Bhumjaithai vence as eleições gerais na Tailândia com ampla margem e garante a permanência do primeiro-ministro Anutin Charnvirakul no poder. O pleito deste 8 de fevereiro de 2026 consolida o projeto político do atual governo e redesenha o equilíbrio de forças em Bancoc.

Vitória ampla em cenário de incerteza regional

A apuração oficial confirma a vantagem confortável do Bhumjaithai sobre os principais rivais, em um pleito marcado por alta participação e forte voto de continuidade. Autoridades eleitorais falam em comparecimento superior a 70% dos cerca de 52 milhões de eleitores registrados, número considerado decisivo para legitimar o resultado diante de uma oposição fragmentada.

A reeleição de Anutin consolida um ciclo político iniciado há poucos anos, quando o partido deixa a condição de aliado coadjuvante e assume o comando direto do governo. A campanha explora a imagem de estabilidade em meio a um Sudeste Asiático pressionado por desaceleração econômica, inflação persistente e disputas estratégicas entre China e Estados Unidos. O discurso é simples: preservar crescimento, empregos e previsibilidade institucional.

Continuidade de políticas e efeitos na economia

Anutin promete manter o eixo central de seu programa econômico, com foco em investimentos em infraestrutura, turismo e modernização agrícola. Assessores próximos mencionam metas de crescimento anual em torno de 4% até 2030 e expansão constante do fluxo de visitantes internacionais, que antes da pandemia ultrapassa 39 milhões de pessoas por ano. “O país não pode perder o momento de recuperação”, repete o primeiro-ministro, segundo interlocutores, em reuniões internas.

Empresários veem na vitória uma garantia mínima de previsibilidade regulatória pelos próximos quatro anos, prazo do mandato. Setores como hotelaria, transporte aéreo e exportação de alimentos esperam mais linhas de crédito e incentivos fiscais. Analistas políticos em Bancoc avaliam que o Bhumjaithai, agora com base parlamentar mais robusta, tende a acelerar projetos já em tramitação, desde a reforma de licenças para investimentos estrangeiros até pacotes de estímulo a pequenas e médias empresas. O cálculo é que a combinação de turismo forte e diversificação industrial reduza a dependência de ciclos externos.

Oposição enfraquecida e novos desafios diplomáticos

Partidos oposicionistas, que entram na disputa com plataformas dispersas e lideranças em disputa interna, saem das urnas pressionados a se reorganizar. A derrota expõe a dificuldade de oferecer um projeto alternativo claro em temas como combate à desigualdade, custo de vida e participação política dos jovens. Dirigentes admitem, em conversas reservadas, que os próximos dois anos serão dedicados a reconstruir alianças e renovar quadros regionais para evitar nova derrota em 2030.

No plano externo, diplomatas apontam que a vitória do Bhumjaithai tende a preservar o atual equilíbrio da política externa tailandesa, que busca dialogar com potências rivais sem se alinhar integralmente a nenhuma delas. A continuidade é vista como sinal de confiabilidade para parceiros de comércio e investimento, em especial no âmbito da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que discute acordos de integração econômica até 2035. Com mais poder interno, o governo de Anutin carrega também maior responsabilidade nas negociações regionais sobre segurança, cadeias de suprimentos e transição energética.

Consolidação do poder e próximos movimentos do governo

A nova correlação de forças no Parlamento abre espaço para um gabinete mais alinhado pessoalmente a Anutin e à cúpula do Bhumjaithai. Nomes cotados para áreas estratégicas, como Finanças, Relações Exteriores e Interior, já circulam nos bastidores políticos de Bancoc, enquanto aliados cobram que as primeiras medidas do novo mandato foquem inflação, endividamento das famílias e criação de empregos formais. A expectativa é que a composição do novo governo seja anunciada nas próximas semanas, após negociações com partidos menores.

Eleitores que apostam na continuidade cobram resultados concretos em prazo curto. Pesquisas internas citadas por dirigentes do Bhumjaithai indicam que temas como custo de vida, moradia e acesso a serviços públicos pesam mais que slogans ideológicos na hora do voto. O desafio agora é transformar essa vantagem eleitoral em entregas mensuráveis. A vitória de 8 de fevereiro garante poder, mas também eleva a régua de cobrança para um governo que passa a ser julgado não apenas por promessas, e sim pelos próximos indicadores econômicos e sociais.

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