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Paraná Pesquisas aponta Moro disparado na corrida ao governo do PR

O senador Sergio Moro (PL-PR) lidera com ampla vantagem a disputa pelo governo do Paraná em 13 de abril de 2026, segundo levantamento da Paraná Pesquisas. O resultado consolida o ex-juiz da Lava Jato como favorito na largada da pré-campanha estadual e redesenha o tabuleiro político local.

Pesquisa amplia vantagem e reorganiza o cenário

A nova rodada da Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira (13), mostra Moro à frente com folga em todos os cenários testados. Em um quadro estimulado, no qual o instituto apresenta uma lista de possíveis candidatos, o senador atinge mais de 40% das intenções de voto, enquanto os principais adversários somam cerca da metade desse patamar, espalhados em faixas entre 8% e 15%. A diferença garante ao nome do PL uma margem confortável, mesmo quando se considera a taxa de indecisos e brancos.

Os números confirmam uma tendência que dirigentes partidários acompanham desde o fim de 2025, quando Moro intensifica agendas no interior do estado. A pesquisa da Paraná Pesquisas, conhecida por atuar de forma regular no Paraná, usa metodologia de entrevistas quantitativas e inclui eleitores de todas as regiões, do litoral à fronteira com o Paraguai. O instituto não divulga apenas a fotografia da corrida, mas também a avaliação de desempenho do senador, que ultrapassa 50% de aprovação em alguns estratos, sobretudo entre eleitores com renda média e alta.

O levantamento reforça a associação do nome de Moro à pauta de combate à corrupção, ainda muito presente no imaginário de parte do eleitorado paranaense. O capital político acumulado na Operação Lava Jato, somado ao mandato no Senado, forma uma base de reconhecimento que rivais não conseguem igualar neste momento. Dirigentes ligados ao PL enxergam no resultado um sinal para acelerar articulações regionais e consolidar palanques aliados em cidades-chave como Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel.

Aliados de Moro tratam a pesquisa como confirmação de uma aposta feita ainda em 2022, quando ele migra para o Paraná e se elege senador com votação expressiva. “O eleitor do Paraná já mostrou que confia no Moro para representar o estado em Brasília. Agora, a pesquisa indica que essa confiança se estende à possibilidade de governar o Paraná”, afirma, em reserva, um dirigente do PL ouvido pela reportagem. A leitura interna é que o senador chega à fase de montagem das chapas com vantagem de exposição e recall.

Impacto político e movimentos dos adversários

A liderança folgada do senador pressiona diretamente os partidos que ainda não definem nomes para a disputa. Em legendas do centro e da centro-esquerda, dirigentes avaliam se vale lançar candidaturas próprias ou buscar alianças que evitem isolamento eleitoral. A diferença de mais de 20 pontos percentuais entre Moro e os concorrentes mais competitivos acende um sinal de alerta e acelera conversas sobre frentes amplas, inclusive entre siglas historicamente rivais no estado.

Especialistas em política paranaense veem na pesquisa um marco preliminar da corrida de 2026. A avaliação é que, se a vantagem se mantém nas próximas sondagens, Moro tende a atrair apoios pragmáticos, inclusive de setores que hoje se declaram neutros. “O eleitor percebe força. Quando um nome aparece sempre na frente, parte da classe política corre para não ficar do lado errado da história”, analisa um cientista político ouvido pela reportagem. Esse movimento pode esvaziar candidaturas alternativas antes mesmo da formalização das convenções partidárias.

O impacto da pesquisa ultrapassa a disputa estadual. No Plano Nacional, a performance de Moro fortalece o PL no Sul, região estratégica para qualquer projeto presidencial em 2026. Uma vitória no Paraná ampliaria o protagonismo do partido na mesa de negociações em Brasília, tanto na formação de alianças quanto na divisão de recursos do fundo eleitoral e do tempo de TV. A campanha paranaense, nesse cenário, funciona como vitrine para a narrativa de que o PL mantém capacidade de eleger quadros de grande visibilidade.

Nos bastidores, adversários testam estratégias para reduzir a distância. Alguns apostam em críticas ao papel de Moro na Lava Jato, explorando decisões judiciais posteriores que anulam condenações e questionam métodos da operação. Outros tentam deslocar o debate para temas locais, como segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento regional, em busca de enfraquecer a imagem de candidato de pauta única. A dúvida central é se o eleitorado do Paraná continua priorizando o discurso anticorrupção ou se passa a exigir respostas mais concretas para problemas cotidianos.

Próximos passos e o que está em jogo

O desempenho atual de Moro não encerra a disputa, mas condiciona os próximos movimentos. A partir deste levantamento, siglas que ainda hesitam entre lançar novatos ou recorrer a nomes mais conhecidos precisam decidir rápido. O calendário eleitoral impõe prazos claros: até o fim do primeiro semestre de 2026, convenções partidárias definem candidaturas, alianças e palanques regionais. Cada nova pesquisa divulgada até lá funciona como termômetro para medir a eficácia das estratégias.

A trajetória do senador até aqui indica que ele usará a vantagem para tentar se apresentar como candidato inevitável, reforçando viagens, encontros com prefeitos e presença em eventos empresariais. O desafio será manter o fôlego, evitando desgastes precipitados e administrando ataques que tendem a se intensificar à medida que a campanha avança. Adversários jogam suas fichas na erosão gradual dessa liderança, apostando em debates, exposição de fragilidades e eventual cansaço do eleitor com figuras associadas à Lava Jato.

O próximo ciclo de pesquisas, nos meses seguintes, dirá se a dianteira atual de Moro se consolida como tendência irreversível ou se abre espaço para reequilíbrio de forças. Enquanto isso, o eleitor paranaense assiste à transformação de um levantamento de opinião em peça central de estratégia política. A corrida ao Palácio Iguaçu começa com um favorito destacado, mas a extensão dessa vantagem até a urna eletrônica segue como a principal incógnita da eleição de 2026 no Paraná.

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