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Paquistão bombardeia Afeganistão e declara guerra aberta

O Exército do Paquistão realiza bombardeios aéreos contra áreas do Afeganistão nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, na fronteira entre os dois países. A ofensiva mira posições ligadas ao Talibã e marca a passagem formal para um estado de guerra aberta entre Islamabad e o regime afegão.

Escalada súbita em uma fronteira inflamável

Os ataques se concentram em pontos estratégicos da faixa montanhosa que separa os dois países, região marcada há décadas por rotas de milícias e contrabandistas. Fontes militares em Islamabad descrevem a operação como uma resposta “direta e decisiva” a ameaças de grupos armados baseados no Afeganistão, que o governo paquistanês associa ao Talibã e a outras facções extremistas. A decisão, tomada em caráter emergencial, rompe o frágil equilíbrio que prevalece desde a volta do Talibã ao poder em Cabul, em 2021.

Autoridades paquistanesas afirmam que a ofensiva mira especificamente campos de treinamento e pontos de apoio logístico usados para ataques em solo paquistanês. A ação é conduzida com aviões de combate e drones armados, em bombardeios direcionados a alvos definidos por serviços de inteligência. Embora ainda não haja balanço oficial de mortos e feridos, organizações humanitárias que atuam na fronteira relatam deslocamentos imediatos de famílias inteiras em direção a vilarejos mais afastados, temendo novos ataques.

Impacto regional e risco de efeito dominó

A declaração de guerra aberta entre dois países de quase 80 milhões e 40 milhões de habitantes, respectivamente, altera de forma brusca o tabuleiro do sul da Ásia. A região já convive com a tensão permanente entre Índia e Paquistão, ambos com arsenais nucleares, e com a instabilidade crônica do Afeganistão desde a invasão americana em 2001. A nova ofensiva contra o Talibã expõe a incapacidade dos dois vizinhos de conter, por meios diplomáticos, o avanço de grupos armados na zona de fronteira.

Diplomatas na região avaliam que a escalada militar pode provocar uma crise humanitária de grandes proporções, com aumento rápido no número de deslocados internos e refugiados tentando cruzar a fronteira em ambas as direções. “Cada nova bomba lançada nessa faixa montanhosa empurra centenas de pessoas para a estrada, sem abrigo, sem renda e sem acesso regular a água potável”, afirma um integrante de uma agência humanitária internacional que acompanha a situação de perto. A preocupação se estende também à possível rearticulação de facções jihadistas que exploram o caos para recrutar combatentes.

Histórico de desconfiança e mudança de postura

A relação entre Paquistão e Afeganistão se deteriora de forma constante desde a queda do governo apoiado pelos Estados Unidos em Cabul, em agosto de 2021. Islamabad é acusado, por analistas e governos ocidentais, de ter mantido laços ambíguos com o Talibã durante anos, ao mesmo tempo em que cooperava com Washington na chamada guerra ao terror. A ofensiva de 2026, focada diretamente em posições associadas ao movimento, sinaliza uma inflexão drástica nessa postura.

Fontes de defesa paquistanesas descrevem a operação como um “ponto de não retorno” nas relações com Cabul. O governo alega que células armadas atravessam a fronteira com frequência, realizam ataques a alvos civis e militares dentro do Paquistão e retornam para áreas sob proteção de grupos aliados ao Talibã. “Não podemos tolerar que nosso território seja atacado repetidas vezes a partir de santuários além da fronteira”, diz um oficial paquistanês, sob condição de anonimato. Do lado afegão, líderes ligados ao Talibã acusam o Paquistão de violar a soberania do país e prometem responder “no tempo e na intensidade adequados”.

Quem perde com a guerra aberta

A abertura formal de um conflito armado atinge em cheio comunidades já fragilizadas pela pobreza e pela ausência de serviços básicos. Vilarejos que dependem de pequenas lavouras e do comércio informal veem estradas serem bloqueadas e mercados esvaziarem em poucas horas. Escolas e postos de saúde fecham as portas, muitas vezes sem prazo para reabrir. Organizações que atuam na região estimam que, se os bombardeios continuarem por semanas, dezenas de milhares de pessoas podem ser forçadas a deixar suas casas, num cenário que repete crises anteriores na fronteira.

A tensão também afeta o comércio regional, que movimenta centenas de caminhões por dia entre os dois países, levando combustíveis, alimentos e materiais de construção. Postos de controle passam a operar com restrições severas, o que encarece o transporte e paralisa cadeias de suprimentos que abastecem cidades médias e pequenas em ambos os lados da fronteira. Para governos já pressionados por inflação alta e crescimento fraco, qualquer interrupção prolongada no fluxo de mercadorias pode se traduzir em desabastecimento e descontentamento social.

Pressão internacional e cenário incerto

Governos da região e potências globais acompanham a ofensiva com preocupação crescente. Sinais de pressão diplomática começam a surgir em comunicados de capitais ocidentais e de organizações multilaterais, que pedem cessar-fogo imediato e abertura de canais de negociação. “O risco de escalada além do controle é real e exige contenção de todas as partes envolvidas”, afirma um analista de segurança regional baseado em Nova Délhi.

Paquistão e Afeganistão, ambos com economias frágeis e dependentes de ajuda internacional, podem enfrentar sanções, cortes de financiamento e isolamento político se a guerra se prolongar. A comunidade internacional discute, nos bastidores, a possibilidade de uma mediação envolvendo países vizinhos e organismos como a ONU, mas ainda não há sinal claro de compromisso das partes. Enquanto aviões continuam a sobrevoar a fronteira e famílias seguem em fuga, a principal pergunta permanece sem resposta: até onde Islamabad e o Talibã estão dispostos a ir nessa nova fase do conflito?

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