Palmeiras vence o Inter e pênalti ignorado reacende debate sobre VAR
O Palmeiras vence o Internacional por 3 a 1 nesta quinta-feira (12), no Beira-Rio, pelo Brasileirão de 2026, mas sai de campo reclamando da arbitragem. Um pênalti em Vitor Roque, não assinalado por Davi Lacerda nem revisado pelo VAR, domina a conversa após o apito final.
Pênalti ignorado rouba a cena em vitória sólida do Palmeiras
O jogo em Porto Alegre começa como duelo direto de forças tradicionais e termina como mais um capítulo da crise de confiança na arbitragem brasileira. Aos olhos do torcedor, o resultado de 3 a 1 para o Palmeiras se mistura à sensação de que o apito interfere demais no enredo do campeonato.
Aos 12 minutos do primeiro tempo, Vitor Roque recebe toque de Vitor Gabriel dentro da área colorada. O atacante cai, pede pênalti e é acompanhado na reclamação por companheiros e comissão técnica. Davi Lacerda manda o lance seguir e, poucos segundos depois, a imagem congela na cabine do VAR. A checagem silenciosa não se converte em chamada para revisão no monitor de campo.
O Beira-Rio respira aliviado, a torcida do Palmeiras se revolta nas arquibancadas e nas redes sociais o lance rapidamente vira vídeo recortado, repetido em câmera lenta e ampliado em diferentes ângulos. O toque existe, mas a equipe de arbitragem interpreta que não há intensidade suficiente para falta. Sem explicação pública imediata, a decisão alimenta a leitura de dois pesos e duas medidas no uso da tecnologia.
Enquanto a polêmica cresce, a bola segue rolando. Andreas Pereira cobra escanteio na metade do primeiro tempo e encontra a cabeça de Gustavo Gómez. O zagueiro sobe mais alto que a defesa colorada e abre o placar, em gol que reforça o protagonismo ofensivo que ele constrói no clube desde 2018.
O Internacional reage na base da pressão. A marcação sobe, o time empurra o Palmeiras para o campo de defesa e força erros na saída de bola. Em bate-rebate na área, Ronaldo aproveita a sobra, finaliza com categoria e empata o duelo ainda na etapa inicial. O 1 a 1 leva o jogo para o intervalo com clima tenso, dividido entre o equilíbrio em campo e a discussão do lance com Vitor Roque.
Os bastidores do intervalo giram em torno de tablets e celulares no banco palmeirense. Integrantes da comissão técnica revêm o lance e pressionam a arbitragem no túnel, em cobrança acostumada ao ambiente do futebol brasileiro. Nenhuma justificativa formal é apresentada ali, e o retorno para o segundo tempo acontece sob vaias cruzadas.
VAR em xeque e impacto esportivo em plena largada do Brasileiro
Os minutos iniciais da etapa final mostram um Palmeiras mais agressivo. Vitor Roque aproveita confusão entre Bruno Gomes e Mercado, invade a área e finaliza para vencer Rochet, virando o jogo para 2 a 1. A comemoração carrega também desabafo, com gestos do atacante em direção ao quarto árbitro, lembrando o pênalti não marcado.
A resposta do Internacional vem nas substituições. A comissão técnica tenta dar fôlego ao meio-campo e mais profundidade aos lados do campo, mas o Palmeiras se adapta rápido. A equipe paulista recua linhas, controla espaços e passa a explorar os contra-ataques, com Andreas mais solto entre as linhas coloradas.
O terceiro gol nasce justamente dessa mudança de postura. Luighi pressiona a saída de bola, rouba a posse e aciona Lucas Evangelista, que encontra Andreas entrando livre. O meia bate rasteiro, amplia para 3 a 1 e praticamente define o resultado em Porto Alegre, em noite de gol e assistência que consolidam sua atuação como uma das mais consistentes desde a chegada ao clube.
No placar, o Palmeiras soma três pontos importantes fora de casa logo no início do Campeonato Brasileiro de 2026. Na tabela, a vitória projeta o time na parte de cima e impõe ao Internacional um começo de competição sob cobrança, ainda mais atuando em casa.
No debate público, porém, o lance com Vitor Roque ganha espaço maior que qualquer movimentação tática. Nas redes, torcedores palmeirenses acusam o árbitro de “medo de apitar” dentro do Beira-Rio e se voltam contra o VAR, visto como promessa não cumprida de transparência. Comentários de analistas recuperam decisões recentes em que o monitor de campo é acionado por contatos semelhantes, o que reforça a percepção de falta de padrão.
A tecnologia do árbitro de vídeo é usada no Brasil desde 2017, mas ainda enfrenta resistência. O protocolo da Fifa prevê intervenção em erros claros e óbvios, conceito que, na prática, abre margem para diferentes leituras. No lance desta quinta, a ausência de chamada expõe o ponto cego do sistema: quando a interpretação da cabine não dialoga com a expectativa de quem assiste, a confiança desaba.
Pressão por transparência e próximos capítulos da discussão
A diretoria do Palmeiras avalia internamente a possibilidade de cobrar explicações formais da comissão de arbitragem da CBF. A tendência é que o clube solicite os áudios da cabine do VAR para entender por que o lance com Vitor Roque não chega ao monitor. Um pedido desse tipo, mesmo quando não altera o resultado do jogo, costuma influenciar o comportamento de árbitros nas rodadas seguintes.
Especialistas em arbitragem defendem maior transparência. A liberação pública dos diálogos entre campo e cabine, poucos minutos após as partidas, é vista como caminho para reduzir teorias de conspiração e alinhar critérios. A CBF resiste a abrir tudo em tempo real, mas enfrenta pressão crescente de clubes, federações e emissoras.
No vestiário, o discurso do Palmeiras tende a misturar celebração pela atuação consistente com crítica ao que o elenco considera erro grave. A leitura é simples: se o pênalti marcado ou revisto muda a história do jogo, o campeonato inteiro também se altera, ponto a ponto. Do lado colorado, a avaliação deve focar no desempenho irregular e na incapacidade de reação depois do segundo gol palmeirense.
O Brasileirão de 2026 ainda engatinha, mas já deixa claro que a discussão sobre arbitragem não sai de campo. Cada toque na área carrega o fantasma do erro e da checagem silenciosa na tela do VAR. A pergunta que fica, na noite em que o Palmeiras vence e reclama ao mesmo tempo, é se o futebol brasileiro vai conseguir transformar a tecnologia em aliada definitiva ou seguirá prisioneiro de sua própria desconfiança.
