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Palmeiras terá força máxima de Abel para clássico com São Paulo

Pressionado pela pior derrota da era Abel Ferreira, o Palmeiras decide colocar em campo força máxima no clássico contra o São Paulo neste sábado (24), às 18h30, na Arena Barueri. A recuperação de Felipe Anderson, Vitor Roque e Andreas Pereira muda o clima no clube e transforma o duelo em chance imediata de reação.

Clássico vira resposta à maior goleada da era Abel

O elenco ainda digere a goleada sofrida para o Novorizontino, que expôs fragilidades raras em um time acostumado a decisões e títulos. Em vez de recuar, a comissão técnica entende que a saída é encarar o rival com o que há de melhor à disposição e usar o clássico como ponto de virada emocional.

Abel Ferreira abandona, ao menos por uma noite, o plano inicial de rodar o elenco nas primeiras rodadas do Paulistão e acelerar o ritmo físico de todo o grupo. A derrota pesada mudou prioridades. Agora, o foco imediato é recuperar confiança, acalmar a torcida e chegar mais inteiro à estreia do Brasileirão, marcada para quarta-feira (28), às 19h, contra o Atlético-MG, na Arena MRV.

Nos bastidores, a leitura é simples: uma nova atuação irregular, ainda mais em clássico, prolongaria a ressaca da goleada e ampliaria a pressão em cima do treinador e de líderes do elenco. Uma vitória convincente, por outro lado, redesenha o ambiente e devolve ao Palmeiras a imagem de time competitivo que marca a passagem de Abel desde 2020.

Retornos mudam cara do time e reforçam setor criativo

O dia seguinte ao vexame traz três notícias que alteram a escalação. Felipe Anderson, fora desde a final da Copa Libertadores, participa normalmente de todo o treino com o elenco e se coloca à disposição para o clássico. Vitor Roque, ainda em cronograma físico individualizado, deixa o trabalho separado e integra todas as atividades em campo. Andreas Pereira, que sente o ombro em jogo contra o Santos, suporta boa parte da sessão, avança na recuperação e vira opção real.

A comissão técnica trata os retornos como peça-chave para mudar o peso ofensivo da equipe, especialmente pela articulação de Andreas e pela capacidade de ruptura de Felipe Anderson e Vitor Roque. A expectativa interna é de que, com mais qualidade técnica em campo, o time reduza a oscilação que marcou o início de temporada e consiga controlar melhor a bola, algo que falha de forma evidente na derrota para o Novorizontino.

Abel deve mandar a campo um Palmeiras considerado muito próximo do ideal para o momento: Carlos Miguel; Khellven, Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Piquerez; Marlon Freitas, Larson (ou Luis Pacheco), Andreas Pereira e Allan; Flaco López e Vitor Roque. A formação reforça o meio-campo com boa saída de bola e preserva a dupla de ataque que vira destaque em 2025, mas que, em 2026, soma apenas 31 minutos juntos, na vitória por 1 a 0 sobre o Santos.

Os meio-campistas Lucas Evangelista e Figueiredo seguem fora, em transição física. As ausências reduzem o leque de alternativas para mexer na criação durante o jogo, o que aumenta o peso da presença de Andreas e do desempenho de Allan entre as linhas. Internamente, a avaliação é de que, sem eles, o time perde em capacidade de controlar o ritmo do adversário.

Pressão da torcida e impacto direto na temporada

A goleada para o Novorizontino não atinge apenas a estatística da era Abel; ela corrói a sensação de segurança construída em anos de decisões. A torcida reage com irritação nas redes sociais e nas imediações do clube, e o clássico contra o São Paulo passa a representar, em 90 minutos, um julgamento coletivo do momento do time. A diretoria lê o cenário com preocupação, mas mantém o discurso de confiança no trabalho da comissão técnica.

Uma vitória em Barueri tem efeito imediato sobre o vestiário. Jogadores ganham fôlego para encarar a sequência pesada, que inclui a estreia no Brasileirão já na quarta-feira. O clube volta a projetar a temporada com foco em brigar por títulos nacionais e em manter a hegemonia recente no futebol brasileiro. O resultado positivo também serve como escudo para Abel, que afasta ruídos e recupera margem para seguir com a rotação de elenco planejada para o resto do estadual.

Um tropeço, em qualquer cenário, prolonga a crise. Empate com atuação fraca alimenta o debate sobre desgaste do ciclo do treinador. Nova derrota, ainda mais se vier com nova atuação defensiva vulnerável, volta a colocar em pauta escolhas táticas e decisões de mercado da diretoria. O jogo, que vale três pontos na tabela, passa a carregar peso simbólico muito maior para o ano alviverde.

A preparação para o duelo com o Atlético-MG também entra em jogo. Um Palmeiras mais confiante, com Felipe Anderson, Andreas e Vitor Roque em ritmo de competição, chega a Belo Horizonte com outra disposição para encarar um dos elencos mais fortes do país. Um time ainda inseguro, sem resposta convincente diante do São Paulo, leva ao Brasileirão o fantasma da instabilidade logo na largada.

Barueri como palco e a pergunta que fica

A Arena Barueri, escolhida como casa palmeirense para o clássico, vira cenário de teste emocional e técnico. O estádio, que em outras temporadas acolhe o time em fases de transição, agora concentra olhares de um elenco que busca resgatar a própria identidade. A bola rola às 18h30, horário em que a comissão técnica espera ver resposta imediata na intensidade, na concentração e na postura competitiva.

Os próximos dias, até a viagem para enfrentar o Atlético-MG, serão medidos pelo que acontecer diante do São Paulo. Se o Palmeiras conseguir transformar a pior derrota da era Abel em combustível para reação, o clássico em Barueri ficará marcado como ponto de inflexão da temporada. Se não conseguir, a dúvida que hoje ecoa discretamente entre torcida e analistas seguirá em aberto: o ciclo ainda consegue se reinventar diante dos novos desafios de 2026?

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