Esportes

Palmeiras estreia na Libertadores sem Paulinho e Vitor Roque

O Palmeiras estreia na fase de grupos da Copa Libertadores, nesta quarta-feira (8), às 21h30, contra o Junior Barranquilla, em Cartagena, com o ataque desfalcado. Paulinho e Vitor Roque viajam com a delegação, mas seguem em recuperação física e estão fora da partida.

A caminhada pelo tetra começa sob teste no ataque

O atual tricampeão continental inicia a busca pelo quarto título em um cenário de equilíbrio delicado entre ambição esportiva e prudência médica. No Estádio Olímpico Jaime Morón León, em Cartagena, Abel Ferreira precisa montar um setor ofensivo competitivo sem dois de seus jogadores mais aguardados para a temporada.

A comissão técnica decide manter a linha traçada desde o início do ano: não apressar o retorno de atletas que saem de lesão, mesmo em noite de estreia de Libertadores. O clube entende que o torneio é longo, com seis jogos na fase de grupos até o fim de maio, e assume o risco de começar a caminhada em desvantagem ofensiva para tentar colher os frutos mais adiante.

O planejamento aparece no dia a dia. Paulinho e Vitor Roque acompanham o grupo desde a passagem por Salvador, onde o time enfrentou o Bahia pelo Brasileirão, mas cumprem rotina específica. Em vez de treinar normalmente com os companheiros, os dois alternam trabalhos no campo e na academia, sob supervisão do departamento físico e médico.

Lesões, bastidores e impacto nas escolhas de Abel

Vitor Roque completa hoje um mês sem começar uma partida como titular. O último jogo desde o início ocorre em 8 de março, na final do Campeonato Paulista, contra o Novorizontino. De lá para cá, o atacante é preservado em sequência: não inicia as partidas contra Grêmio e Bahia, fica fora da equipe principal e participa apenas de minutos controlados saindo do banco.

Nesse período, o camisa 9 entra por 18 minutos contra o Botafogo e por 13 minutos diante do São Paulo, ambos pelo Estadual. Depois, o clube segura ainda mais a carga. Em janeiro, ele já havia sentido um incômodo no joelho direito. Agora, o problema recai sobre o tornozelo, e a decisão é clara: só voltar quando estiver “100%”. A avaliação interna é que a temporada tem 38 rodadas de Brasileiro, mata-matas de Copa do Brasil e toda a Libertadores pela frente.

Em Cartagena, o roteiro se repete. No treino da véspera, Vitor Roque não participa de nenhum exercício coletivo. Trabalha em separado no gramado, cumpre séries específicas de força e movimentação e, ao fim do dia, volta ao hotel ainda sem a expectativa real de ser relacionado. A intenção é acelerar a recuperação sem expor o jogador a contato físico intenso ou mudanças bruscas de direção.

O cenário é um pouco diferente para Paulinho. O camisa 10 vive etapa final do recondicionamento físico, depois de um período longo afastado. O último jogo oficial é em 4 de julho do ano passado, nas quartas de final do Mundial de Clubes, contra o Chelsea. Foram nove meses até completar, em Cartagena, o primeiro treino integral com o elenco.

Mesmo com o avanço, a comissão decide não o colocar em campo na estreia da Libertadores. Paulinho participa da viagem por dois motivos centrais: retomar a rotina de concentração e vestiário, e permanecer cercado pelo estafe que o acompanha de perto. Em Salvador, no CT do Vitória, ele já havia feito parte das atividades com o elenco. Antes disso, em São Paulo, alterna treinos com bola, exercícios físicos específicos e o tradicional rachão.

Abel Ferreira valoriza a presença dos dois, ainda que fora da lista de relacionados. Depois da vitória sobre o Bahia, no fim de semana, o técnico escancara a importância emocional desses nomes para o grupo. “Eu sinto falta deles e quando saímos para jogos fora, quero que vão sempre comigo. Mesmo sem jogar”, afirma o treinador português.

Sem Paulinho e Vitor Roque, Abel recorre ao quarteto ofensivo que vem usando nas últimas semanas. Allan, Arias, Maurício e Flaco López aparecem como principais peças de ataque. A combinação garante mobilidade, chegada de trás e presença diária de treinos, mas não oferece o mesmo repertório de infiltrações e dribles que o torcedor espera de um time com seus dois desfalques em forma.

Pressão na estreia e disputa por espaço no elenco

A ausência de dois atacantes de peso limita as alternativas de Abel em um jogo que costuma definir o tom da campanha no grupo. Uma vitória fora de casa na estreia costuma valer mais do que três pontos: aumenta a margem para tropeços futuros e diminui a pressão em partidas no Allianz Parque. O contrário também é verdadeiro. Qualquer empate ou derrota coloca holofotes sobre as escolhas do treinador e o ritmo de recuperação dos lesionados.

Os números recentes ajudam a explicar o cuidado. Na atual temporada, Vitor Roque disputa 16 dos 22 jogos do Palmeiras e é titular em 10. Ainda assim, atravessa sequência de desconfortos que preocupam a comissão. Uma recaída agora poderia significar afastamento longo em plena maratona de Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil.

Paulinho, por sua vez, representa a aposta de reforço interno para o segundo trimestre. O clube trabalha com a expectativa de tê-lo de volta aos gramados até o fim de abril. A ideia é que ele ganhe minutos de forma gradual, primeiro entrando no segundo tempo, depois brigando por vaga entre os 11. A reinserção progressiva nas viagens e nos treinos com o grupo é tratada como etapa obrigatória desse retorno.

Enquanto isso, outros nomes tentam transformar a ausência dos dois em oportunidade. Allan e Maurício se firmam como opções constantes na armação. Arias disputa espaço aberto pelos lados, e Flaco López tenta se consolidar como referência diária no comando de ataque. A Libertadores passa a ser vitrine tanto para quem espera sequência quanto para quem, no futuro próximo, terá de dividir minutos com Paulinho e Vitor Roque.

Calendário apertado e expectativa pelo retorno

O jogo desta noite, em Cartagena, inaugura uma sequência que deve testar o elenco do Palmeiras em diferentes frentes. No domingo, o time enfrenta o Corinthians pelo Brasileirão, clássico que pode marcar a volta de Vitor Roque ao menos entre os relacionados. Internamente, há otimismo moderado com essa possibilidade, desde que os próximos dias confirmem evolução sem dor.

Paulinho vive cronograma mais longo, mas com horizonte definido. Se mantiver o ritmo atual, deve ficar à disposição até o fim do mês, já em meio às partidas seguintes da fase de grupos. A perspectiva anima comissão técnica e diretoria, que enxergam no meia-atacante uma peça capaz de mudar jogo grande com um lance.

A estreia na Libertadores, porém, chega antes do melhor cenário médico. O Palmeiras entra em campo com elenco forte, mas ainda incompleto, e precisa provar que consegue sustentar desempenho alto mesmo sem duas de suas principais armas ofensivas. A resposta que sair do gramado em Cartagena não define a temporada, mas indica quanto esse time está preparado para atravessar o torneio com equilíbrio entre resultado imediato e proteção do elenco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *