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Palmeiras espera Jhon Arias para o fim da semana e mira estreia no Paulistão

O Palmeiras aguarda para o fim desta semana a chegada do meia-atacante colombiano Jhon Arias, contratado por cerca de 25 milhões de euros até 2029. A estreia deve ficar para o mata-mata do Campeonato Paulista.

Reforço mais caro chega com atraso e alta expectativa

O anúncio oficial de Jhon Arias sai no último sábado, 7 de fevereiro, mas o reforço ainda não pisa na Academia de Futebol. O colombiano, de 27 anos, negocia a mudança da Inglaterra para o Brasil e pede alguns dias para resolver pendências pessoais antes de se apresentar.

A direção alviverde trabalha com o fim desta semana como prazo para o desembarque em São Paulo, segundo apuração da rádio Itatiaia. Até lá, Abel Ferreira segue sem contar com o jogador que simboliza o maior investimento da atual gestão, estimado em 25 milhões de euros, cerca de R$ 154 milhões, pagos ao Wolverhampton após passagem marcante pelo Fluminense.

Calendário aperta e estreia imediata fica improvável

O compromisso com a logística cobra preço esportivo. Com chegada prevista apenas para o fim da semana, Arias praticamente perde os dois próximos jogos. O Palmeiras enfrenta o Internacional na quinta-feira, 12, pelo Campeonato Brasileiro, e fecha a primeira fase do Paulista contra o Guarani, no domingo, 15.

Entre exames médicos, registros, preparação física e adaptação ao elenco, o clube considera remota a chance de o meia-atacante estar apto a atuar ainda na fase classificatória do Estadual. A tendência é que a estreia ocorra nas quartas de final do Paulistão, em data ainda a ser confirmada pela Federação Paulista, numa espécie de lançamento oficial do novo protagonista diante da torcida.

Abel põe freio na empolgação e fala em “contratação de presidente”

Abel Ferreira comenta a chegada pela primeira vez no domingo, 8, logo após a vitória no clássico contra o Corinthians. O técnico valoriza o investimento, mas tenta conter a euforia em torno do reforço mais badalado da temporada.

“Os jogadores são reforços quando começam a jogar. Enquanto eu não ver jogar, é esperar que nos ajudem em campo. Até aí, se o clube o anunciou, é ótimo, porque realmente precisávamos de mais soluções. Sei que o clube está fazendo um esforço muito grande para ir atrás dessas contratações”, afirma.

Na sequência, o treinador faz uma distinção entre perfis de chegada ao elenco. “Quando falamos de jogadores deste nível, é contratação de presidente. Contratação de scout, (Anderson) Barros e treinador, é o López, Murilo… Jogadores como Vitor Roque, Andreas, Arias, é de presidente. Mas eu quero vê-los disponíveis e jogando dentro de campo. Aí, sim, falamos em reforços”, completa.

Do Tijuana à Libertadores: o caminho até o Allianz Parque

A contratação de Arias não nasce do nada. O colombiano constrói nos últimos anos um currículo que mistura rodagem internacional, títulos e protagonismo em clube grande do Brasil. Revelado pelo Tijuana, do México, em 2017, ele passa por Patriotas, Llaneros e América de Cali, todos da Colômbia, até ganhar espaço definitivo no Independiente Santa Fe.

O salto vem em 2021, quando desembarca no Fluminense. No Rio, transforma-se em peça-chave de um projeto que culmina na conquista da Copa Libertadores de 2023, título inédito para o clube carioca. Em quatro temporadas, ajuda a consolidar o estilo ofensivo do time, soma gols, assistências e, sobretudo, vira rosto reconhecido pela torcida tricolor, que o trata como ídolo recente.

O desempenho o leva à seleção colombiana a partir de 2022 e abre a porta para o futebol inglês. A passagem pelo Wolverhampton, porém, é curta e sem o mesmo brilho do período nas Laranjeiras. É nesse momento que o Palmeiras entra em cena, disposto a pagar caro por um jogador em idade plena, com experiência de Libertadores, Premier League e jogos internacionais.

Impacto imediato no elenco e nova hierarquia ofensiva

A chegada de Arias mexe com o tabuleiro tático de Abel. O colombiano atua como meia-atacante, aberto pelos lados ou por dentro, encostando no centroavante. Oferece velocidade, leitura de espaço e capacidade de decisão em jogos grandes, algo que o Palmeiras sabe valorizar desde as campanhas vitoriosas recentes.

O clube vê no reforço uma dupla função. Dentro de campo, ele amplia as alternativas para rodar o elenco em maratona que inclui Paulistão, Brasileiro e competições continentais neste ano. Fora dele, reforça o discurso de um Palmeiras disposto a competir no mesmo patamar financeiro de rivais que já vinham inflacionando o mercado com contratações milionárias.

A negociação também redefine a hierarquia de investimentos do clube. Os 25 milhões de euros colocam Arias entre as transações mais caras da história do futebol brasileiro, num momento em que a SAFização de rivais e o apetite de investidores estrangeiros pressionam clubes associativos a assumir riscos maiores.

Confronto com o ex-clube e teste de identidade

A provável estreia no mata-mata estadual vem seguida de um roteiro especial. O Palmeiras enfrenta justamente o Fluminense, ex-clube de Arias, no dia 25 de fevereiro, pelo Campeonato Brasileiro. A partida no Allianz Parque tende a marcar o primeiro reencontro oficial do jogador com o time que o projetou na América do Sul.

O calendário oferece, assim, um teste simbólico para o colombiano. Ele chega para ser protagonista num elenco acostumado a disputar títulos e ainda precisa mostrar que o status de ídolo no Rio se traduz em liderança técnica em São Paulo. A resposta começa a ser dada quando o avião tocar o solo brasileiro. A partir daí, o desafio deixa de ser apenas financeiro e passa a ser de campo, vestiário e resultado.

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