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Palmeiras e Flamengo lideram ranking dos elencos mais caros de 2026

Palmeiras e Flamengo iniciam o Brasileirão 2026 no topo do ranking dos elencos mais valiosos do país, segundo o site especializado Transfermarkt. Com elencos avaliados em mais de R$ 1 bilhão, os dois clubes puxam para cima a média financeira do campeonato, que segue como a liga mais cara da América do Sul.

Palmeiras e Flamengo acima da concorrência

O Brasileirão 2026 começa nesta quarta-feira (28) com um retrato claro do desequilíbrio financeiro entre os 20 participantes. Palmeiras e Flamengo formam um bloco próprio no topo da pirâmide, com valores de elenco que nenhum outro clube do país consegue acompanhar. Juntos, ajudam a manter o campeonato acima da marca de 1 bilhão de euros em valor de mercado, algo inédito no continente.

O Palmeiras aparece novamente como líder do ranking, com elenco avaliado em 209,88 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 1,30 bilhão na cotação atual. O Flamengo surge logo atrás, com 195,70 milhões de euros, ou R$ 1,21 bilhão. Mesmo em um cenário de leve desvalorização em relação a 2025, os dois clubes ainda operam em outro patamar econômico.

Os dados, levantados pelo Lance! Biz com base no Transfermarkt, mostram que o campeonato como um todo perde um pouco de valor, mas segue forte. A soma dos 20 elencos atinge R$ 11,032 bilhões em 2026, contra pouco mais de R$ 11,1 bilhões no ano passado. A diferença reflete tanto a oscilação individual dos clubes quanto a troca de quatro participantes por conta de acesso e rebaixamento.

O domínio de Palmeiras e Flamengo se sustenta em projetos de longo prazo. Os dois clubes combinam receitas altas, boa capacidade de venda de jogadores e elencos que se mantêm competitivos em todas as frentes. A presença constante em finais, a participação frequente na Libertadores e a força comercial se convertem em ativos valiosos no mercado de transferências.

Liga segue bilionária, mas sente leve ajuste

A edição de 2026 preserva o status do Brasileirão como liga mais valorizada da América do Sul e uma das mais caras das Américas. Só a MLS, dos Estados Unidos, também ultrapassa a marca de 1 bilhão de euros em valor de mercado, mas ainda fica atrás do campeonato brasileiro na soma total dos elencos.

A ligeira queda de mais de R$ 70 milhões em relação a 2025, porém, indica um momento de ajuste. Em média, cada clube da Série A vale hoje R$ 551,72 milhões, ante R$ 558,58 milhões na temporada anterior. A diferença parece pequena, mas traduz uma combinação de fatores: desvalorização pontual de atletas, envelhecimento de alguns elencos e trocas de clubes após a última Série B.

O ranking detalhado expõe a distância entre o topo e a base. Depois de Palmeiras e Flamengo, o Cruzeiro assume a terceira posição, com elenco avaliado em 156,55 milhões de euros, cerca de R$ 975,7 milhões. Bahia, com 119,40 milhões de euros (R$ 744,2 milhões), e Fluminense, com 110,83 milhões de euros (R$ 690,8 milhões), completam o grupo dos cinco mais valiosos.

Os três se destacam como forças em ascensão no mercado. Cruzeiro, Bahia e Fluminense apresentam tendência de crescimento e registram aumento de valor em relação a 2025, puxados por investimentos em reforços, reorganização administrativa e desempenho competitivo mais consistente. A leitura é clara: quem combina caixa, gestão e resultado em campo sobe de prateleira.

Na faixa intermediária, Corinthians, Botafogo, Atlético-MG, Bragantino, Vasco e Santos ocupam um bloco que vai de 109,40 milhões de euros (R$ 681,8 milhões) a 90,55 milhões de euros (R$ 564,4 milhões). A diferença para o topo já é significativa, mas ainda há espaço para manobra no mercado de transferências, tanto com vendas quanto com apostas em jovens.

A partir do 12º colocado, o retrato muda. Grêmio, São Paulo, Internacional, Athletico-PR e Vitória, todos tradicionais protagonistas em algum momento da história recente, aparecem com elencos abaixo da marca de R$ 510 milhões. O valor reforça a ideia de que o peso histórico já não garante, por si só, vantagem financeira.

Zona de risco expõe desafios dos menores

Na parte de baixo da tabela financeira, o contraste com o topo é ainda mais evidente. Três dos quatro clubes que sobem da Série B em 2025 aparecem no que seria uma espécie de “Z4” econômico. Chapecoense, com elenco avaliado em 14,63 milhões de euros (R$ 91,1 milhões), ocupa a lanterna do ranking. Logo acima, estão Remo, com 21,58 milhões de euros (R$ 134,5 milhões), e Coritiba, com 25,80 milhões de euros (R$ 160,8 milhões).

O Mirassol, que já estava na elite em 2025, fechou o último campeonato em quarto lugar dentro de campo e viu seu valor de mercado quase dobrar. O clube paulista chega a 31,75 milhões de euros (R$ 197,9 milhões) em 2026, após uma valorização próxima de 95% em um ano. O salto mostra como uma campanha fora da curva pode reposicionar um time médio no radar de investidores e do mercado de atletas.

Os números reforçam um abismo que não é apenas financeiro, mas competitivo. Um clube com menos de R$ 100 milhões em valor de elenco entra no Brasileirão com margem de erro mínima. Qualquer lesão, suspensão ou venda urgente de jogador-chave pode comprometer a temporada inteira. A diferença de poder de fogo em negociações, folha salarial e estrutura de trabalho se traduz, muitas vezes, na tabela de classificação.

As variações de valor também carregam efeito imediato nas estratégias de cada diretoria. Times em ascensão, como Cruzeiro, Bahia e Fluminense, tendem a usar o bom momento para negociar atletas em alta e reforçar o caixa. Clubes em baixa, como alguns recém-promovidos, precisam ser criativos: apostar em categorias de base, empréstimos e oportunidades de mercado de curto prazo.

Temporada testa modelos de gestão e fôlego financeiro

O recorte de janeiro de 2026 oferece um ponto de partida, não uma sentença. A janela do meio do ano, o desempenho na Libertadores e nas copas nacionais e a oscilação do câmbio podem redesenhar parte desse mapa. Um título inesperado, uma venda milionária ou uma crise administrativa ainda têm poder para mexer na ordem de forças.

A leitura, porém, é clara para quem observa o campeonato como ativo econômico. O Brasileirão se consolida como vitrine global de talentos e como plataforma de negócios, mas concentra mais valor em poucos clubes. A pergunta que acompanha a temporada é direta: a distância financeira entre Palmeiras, Flamengo e o restante do pelotão vai aumentar, ou algum projeto emergente consegue encurtar esse intervalo em campo e no mercado?

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