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Pacheco descarta filiação ao MDB após lançamento de Gabriel Azevedo

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), informa, em almoço nesta quarta-feira (4/3/2026), que não vai se filiar ao MDB. A decisão ocorre após o partido lançar Gabriel Azevedo como candidato próprio ao Palácio Tiradentes.

Recuo calculado em meio à disputa em Minas

A negativa de Pacheco encerra, ao menos por agora, a especulação sobre uma possível migração dele para o MDB em Minas Gerais. O gesto vem poucas semanas depois de o partido formalizar o nome de Gabriel Azevedo para a disputa ao Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia mineira e símbolo da política estadual.

No almoço, em clima descrito por presentes como cordial, o senador afirma que a existência de um candidato emedebista ao governo inviabiliza qualquer movimento de filiação. “O MDB já tem seu projeto definido em Minas. Não faria sentido entrar em um partido que já apresentou um nome para a disputa”, diz Pacheco, segundo relato de um interlocutor. A avaliação é de que a presença de Azevedo na corrida fecha espaço interno para novas lideranças com pretensões majoritárias em 2026.

Impacto no xadrez eleitoral mineiro

A decisão reorganiza o tabuleiro político em Minas Gerais, terceiro maior colégio eleitoral do país, com cerca de 16 milhões de eleitores em 2024, segundo o TSE. Sem o MDB como abrigo possível, Pacheco preserva seu vínculo com o PSD e mantém abertas conversas com outras siglas de centro e centro-direita, interessadas em um nome com projeção nacional e trânsito em Brasília.

Aliados do senador entendem que o movimento de fechar portas no MDB, agora em março, evita meses de desgaste e especulação em torno de uma disputa interna improvável. “Quando um partido decide lançar candidatura própria, ele manda um recado claro sobre suas prioridades. O senador leu esse recado e escolheu não forçar a porta”, resume um dirigente mineiro ligado ao PSD. O cálculo é simples: MDB e PSD tendem a disputar o mesmo eleitorado moderado, e a filiação de Pacheco a uma legenda já comprometida com Gabriel Azevedo poderia transformá-lo em coadjuvante dentro da própria casa.

Quem ganha, quem perde e o que pode vir a seguir

O MDB fortalece seu discurso de independência ao manter a candidatura de Gabriel Azevedo e afastar, na prática, a hipótese de acomodar um líder de outro partido no comando do projeto estadual. O gesto mira diretamente o Palácio Tiradentes e a negociação de alianças até as convenções previstas para o segundo semestre de 2026. Em paralelo, Pacheco tenta preservar capital político para negociar em melhores condições com outros grupos, seja para compor uma chapa majoritária, seja para manter protagonismo em Brasília.

Nos bastidores, interlocutores falam em três caminhos sobre a mesa: reforçar o PSD como polo de articulação em Minas, aproximar-se de legendas como União Brasil e Republicanos ou testar o terreno para uma candidatura própria ao governo estadual. Uma candidatura avulsa, sem grande estrutura partidária, é considerada de alto risco, mas não é tratada como impossível. Ao anunciar publicamente sua distância do MDB, o senador também envia um recado a potenciais aliados: não pretende entrar em eleição como figurante nem abrir mão de negociar espaço real de poder.

Próximos movimentos e incertezas

A partir deste março de 2026, o calendário eleitoral passa a pressionar decisões. Partidos têm poucos meses para fechar federações, alianças e chapas proporcionais, o que torna cada gesto público de lideranças nacionais um dado estratégico. A declaração feita no almoço desta quarta-feira se soma a outras movimentações discretas de Pacheco em encontros com dirigentes regionais e governadores, em busca de um alinhamento que una sobrevivência local e influência em Brasília.

A disputa pelo Palácio Tiradentes tende a ficar mais fragmentada, com MDB e PSD em trilhas distintas e espaço aberto para siglas menores barganharem apoio em troca de tempo de TV e estrutura. Pacheco ganha tempo, mas também assume o risco de ver rivais ocuparem o vácuo que ele deixa no MDB. A pergunta que passa a circular em Minas é direta: o senador vai se limitar a ser fiador de alianças ou voltará ao centro da cena como candidato em 2026?

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