Osasuna vence Real Madrid, complica liderança e expõe Vini Jr.
O Osasuna vence o Real Madrid por 2 a 1 neste sábado (21), em Pamplona, pela 25ª rodada do Campeonato Espanhol. O resultado ameaça a liderança merengue e expõe outra noite tensa de Vinicius Jr., vaiado do início ao fim apesar do gol marcado.
Virada em Pamplona muda a briga pelo topo
O placar em El Sadar atinge em cheio a disputa pelo título. O Real Madrid estaciona em 60 pontos e abre espaço para o Barcelona, com 58, assumir a ponta se vencer o Levante neste domingo. A vitória por 2 a 1, construída com gol de pênalti de Budimir aos 38 minutos do primeiro tempo e golaço de Raúl García aos 44 do segundo, é celebrada como façanha por uma torcida que transforma o estádio em caldeirão.
O jogo começa com o roteiro esperado: o Real Madrid ocupa o campo de ataque, gira a bola e acumula chances, mas desperdiça todas. Vinicius Jr., Mbappé e Valverde se aproximam, trocam passes rápidos e desgastam a defesa rival. Em uma das melhores oportunidades, Vini desmonta a marcação pela esquerda, entra na área e cruza. A bola desvia, sobra limpa para Alaba, que finaliza por cima, cara a cara com o goleiro.
O domínio em posse não se traduz em controle emocional. O Osasuna aceita jogar sem a bola e responde com poucos toques quando consegue sair da pressão. Courtois evita o gol em ao menos duas finalizações de média distância, mas o clima no estádio já muda. A torcida, que vai Vinicius desde o aquecimento, percebe que o time da casa pode mais do que apenas resistir.
Aos 38 minutos, o jogo vira. Asensio chega atrasado em Budimir dentro da área. O árbitro inicialmente manda seguir, mas o VAR chama para revisão. A análise confirma o pênalti. O próprio Budimir cobra rasteiro, desloca Courtois e abre o placar: 1 a 0. O estádio explode, e as vaias para Vini ficam ainda mais altas a cada toque na bola do brasileiro.
O intervalo não acalma o Real Madrid. Carlo Ancelotti volta com o mesmo desenho, apostando que a insistência vai se impor à disciplina defensiva do Osasuna. Vini volta mais agudo. Em lance aos 15 minutos do segundo tempo, recebe de Mbappé em profundidade, invade a área e se prepara para finalizar, mas a zaga trava o chute na hora certa. O sinal está dado: o empate parece uma questão de tempo.
A resposta vem aos 27 minutos. Vinicius abandona a função de construtor aberto na ponta e se posiciona como centroavante. Valverde aparece pela esquerda, recebe sem marcação, levanta a cabeça e cruza rasteiro. O brasileiro antecipa o zagueiro e finaliza com frieza para fazer 1 a 1. As vaias se transformam em silêncio incômodo por alguns segundos. Vini comemora com a mão na orelha, encarando a arquibancada que o hostiliza desde a chegada ao estádio.
Vini reage às vaias, mas Osasuna decide no fim
O gol de Vinicius deveria recolocar o Real Madrid no jogo e esfriar o ambiente em Pamplona. A equipe até ganha volume, adianta as linhas e acua o Osasuna por alguns minutos. A ansiedade pela virada, porém, se impõe ao plano tático. Cruzamentos precipitados e finalizações apressadas alimentam o contra-ataque dos donos da casa, que voltam a acreditar em um golpe final.
O cenário fica ainda mais delicado quando o relógio entra na reta final. A partir dos 40 minutos, o Real Madrid joga praticamente com todos no campo ofensivo, inclusive laterais e volantes. Cada bola perdida vira oportunidade de transição. Em uma dessas escapadas, aos 44 minutos do segundo tempo, sai o lance que decide a noite. Raúl García recebe lançamento em profundidade, ganha de Asensio no mano a mano, corta para dentro e encobre Courtois com um toque preciso. O assistente levanta a bandeira por impedimento, mas o VAR entra em ação mais uma vez.
As imagens mostram que Raúl García parte em posição legal. O gol é validado, o placar volta a marcar 2 a 1, e El Sadar se transforma em festa. O Real Madrid ainda tenta uma pressão final nos acréscimos, mas a defesa do Osasuna se fecha, corta cruzamentos e segura uma das vitórias mais marcantes da temporada. O apito final é recebido como alívio pelos jogadores da casa e como frustração evidente pelos merengues.
Os números da tabela reforçam o impacto. O Osasuna chega a 33 pontos e se firma na 9ª posição, confortável na metade de cima da classificação. A equipe ganha fôlego para mirar vagas em competições europeias e, ao mesmo tempo, reforça uma narrativa recente da liga: estádios de médio porte derrubam gigantes e embaralham a disputa pelo título.
Para o Real Madrid, cada ponto perdido pesa mais em um campeonato em que a margem de erro parece cada vez menor. A possibilidade concreta de ver o Barcelona ultrapassar a equipe já neste fim de semana transforma um tropeço isolado em alerta. A derrota em Pamplona chega a três dias do confronto com o Benfica, pela Liga dos Campeões, na quarta-feira, jogo que ganha contornos de teste imediato de reação.
Pressão aumenta antes da Champions e relação com torcida volta ao foco
O desempenho de Vinicius Jr. volta a sintetizar a tensão ao redor do Real Madrid. O brasileiro, alvo recorrente de hostilidades em estádios espanhóis, responde em campo com o gol que mantém o time vivo até os minutos finais. A comemoração com a mão na orelha escancara a relação desgastada com parte das torcidas rivais e adiciona um componente emocional a cada deslocamento do clube longe do Santiago Bernabéu.
A comissão técnica tenta blindar o elenco. A proximidade do duelo contra o Benfica obriga Ancelotti a equilibrar cobrança e gestão de grupo. Uma derrota às vésperas do mata-mata europeu, somada à possível perda da liderança nacional, aumenta a pressão interna e externa. A partir desta semana, cada escalação, substituição e discurso pós-jogo vira termômetro da confiança no projeto para a temporada 2025/26.
O Osasuna colhe o efeito inverso. A vitória sobre o líder, conquistada com gol nos minutos finais e duas intervenções decisivas do VAR, reforça a crença no trabalho do elenco e da comissão técnica. O próximo compromisso, contra o Valencia, no fim de semana, deixa de ser apenas mais um jogo no meio da tabela e passa a ser oportunidade de consolidar uma campanha acima das expectativas.
O Campeonato Espanhol entra na reta decisiva com um recado claro de Pamplona. A distância entre os gigantes e os times de meio de tabela encolhe quando a execução não acompanha o peso das camisas. O Real Madrid volta para casa pressionado, o Barcelona observa a chance de assumir o protagonismo e o Osasuna saboreia uma das noites em que um estádio cheio parece, por 90 minutos, capaz de redesenhar a hierarquia da liga.
