Oposição reage a pedido da PF para afastar Toffoli do caso Master
A Polícia Federal pede, em fevereiro de 2026, o afastamento do ministro Dias Toffoli da condução do caso Master. A oposição, liderada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), reage de imediato e transforma o movimento em novo foco de tensão entre Congresso, Supremo e forças de investigação.
Pressão inédita sobre o Supremo em meio ao caso Master
O pedido formal da PF chega ao Supremo em meio à fase mais sensível do caso, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e favorecimento ilegal em contratos bilionários. Delegados sustentam, em despacho enviado à corte, que a permanência de Toffoli na relatoria pode “comprometer a imparcialidade” das decisões e gerar risco concreto às apurações.
Alessandro Vieira, um dos principais porta-vozes da ofensiva da oposição contra ministros do Supremo, vê na iniciativa da PF uma oportunidade de ampliar o debate sobre conflito de interesse no Judiciário. O senador afirma que o afastamento é condição mínima para preservar a credibilidade das investigações. “Quando há suspeita razoável, o afastamento cautelar não é agressão à instituição, é proteção”, diz, ao comentar o caso em nota distribuída a aliados.
Reação política e disputa por narrativa
O caso Master mobiliza, há meses, estruturas de poder em Brasília. A investigação atinge políticos de diferentes partidos, empresários influentes e operadores financeiros acusados de intermediar contratos superfaturados. Relatórios preliminares da PF apontam movimentações de dezenas de milhões de reais entre 2018 e 2024, parte delas por meio de empresas de fachada.
O pedido de afastamento de Toffoli surge como desdobramento direto dessa teia de relações. Investigadores apontam supostas conexões de pessoas próximas ao ministro com alvos do inquérito e defendem que qualquer dúvida sobre a isenção da relatoria precisa ser eliminada. A suspeita, ainda sem comprovação judicial, basta para acender o alerta político e jurídico.
Alessandro Vieira explora esse ponto. Em conversas reservadas, relatadas por assessores, o senador insiste que o Supremo não pode ser “parte interessada” quando o tema envolve suspeitas de corrupção de alta escala. Ele articula, nos bastidores, uma reação coordenada da oposição no Senado, com foco em requerimentos de informação, convocações de autoridades e discursos em plenário para manter o assunto em evidência.
Senadores da base do governo, por outro lado, tratam o movimento da PF com cautela. Líderes aliados defendem, em público, “respeito às instituições” e evitam confrontar diretamente Toffoli, mas admitem que a pressão popular por transparência cresce desde que as primeiras informações sobre o caso Master vieram à tona, no fim de 2025. Em redes sociais, oposicionistas apontam risco de interferência política no inquérito, enquanto aliados falam em “criminalização da política”.
Conflito de interesse, confiança pública e impacto institucional
A discussão sobre o suposto conflito de interesse de Toffoli ecoa debates anteriores envolvendo ministros do Supremo. Em 2019, o próprio tribunal endurece regras internas sobre impedimentos e suspeições, após críticas da opinião pública em casos de grande repercussão. A pressão agora, porém, vem com outro peso: parte da Polícia Federal, com apoio explícito de setores da oposição, pede a saída de um ministro de um caso específico em curso.
Juristas ouvidos reservadamente por congressistas afirmam que, em tese, o Supremo pode rejeitar o pedido da PF e manter Toffoli no caso. A avaliação é de que a corte tende a defender sua autonomia decisória e evitar qualquer sinal de tutela de órgãos de investigação. A recusa, no entanto, teria custo político alto, especialmente se novas evidências forem anexadas ao inquérito nas próximas semanas.
A credibilidade das instituições entra no centro da disputa. Pesquisas de opinião recentes, citadas em debates no Congresso, mostram queda gradual na confiança do brasileiro tanto no Judiciário quanto no Legislativo. Em alguns levantamentos nacionais de 2025, menos de 30% dos entrevistados dizem confiar “muito” no Supremo. A oposição explora esses números para sustentar o argumento de que a transparência não é apenas uma exigência legal, mas também uma necessidade política.
Para a PF, o afastamento de Toffoli seria uma forma de blindar o caso Master contra contestações futuras. Investigações complexas, com dezenas de réus e valores que podem ultrapassar a casa de R$ 5 bilhões, costumam enfrentar batalhas processuais longas. Qualquer indício de parcialidade na fase inicial abre espaço para anulações, prescrição de crimes e acordos vantajosos para investigados com maior poder econômico.
Próximos passos e incertezas
Caberá agora ao próprio Supremo definir o destino do pedido da PF. A tendência, segundo interlocutores do tribunal, é que o tema seja submetido ao plenário ainda neste primeiro semestre de 2026, possivelmente antes do recesso de julho. A corte pode optar por uma solução intermediária, como redistribuir temporariamente partes do inquérito a outro ministro, enquanto analisa com mais profundidade os argumentos apresentados pelos investigadores.
Alessandro Vieira promete manter o assunto em pauta no Congresso. O senador prepara novos pronunciamentos, defende a convocação de representantes da PF e de integrantes do Ministério da Justiça para explicar, em detalhes, os fundamentos do pedido. Ele também costura apoio para projetos que endurecem regras de transparência e responsabilização de autoridades envolvidas em grandes casos de corrupção.
O desfecho do pedido de afastamento de Toffoli terá impacto direto no ritmo das investigações do caso Master. Uma decisão favorável à PF pode reforçar a percepção de independência dos órgãos de controle, mas também alimentar críticas de que o Supremo cede a pressões externas. Uma negativa tende a preservar a coesão interna do tribunal, ao custo de ampliar a desconfiança de parte da opinião pública.
O país acompanha o embate com atenção. Em um cenário de polarização permanente, a forma como Supremo, PF e Congresso conduzem o episódio dirá muito sobre os limites do poder e da responsabilidade no Brasil de 2026. A pergunta que permanece, para políticos, juízes e eleitores, é se as instituições conseguirão responder à crise com mais transparência do que retórica.
