Ônibus turístico cai e afunda 18 m no lago Baikal, na Sibéria
Um ônibus turístico cai no lago Baikal e afunda cerca de 18 metros na manhã deste domingo, 22 de fevereiro de 2026, na Sibéria, Rússia. Um vídeo registra o momento exato em que o veículo deixa a margem e desaparece nas águas do lago mais profundo do mundo. As autoridades locais confirmam o acidente e iniciam buscas e investigação sobre as causas.
Imagens chocam ao mostrar veículo afundando no lago mais profundo do mundo
O vídeo circula rapidamente em redes sociais russas e, em poucas horas, cruza fronteiras e chega a redações e plataformas de notícias em vários países. As imagens mostram o ônibus parado próximo à margem gelada do Baikal, referência turística da Sibéria, antes de ganhar movimento, cruzar uma área de solo instável e despencar na água escura. O veículo afunda em questão de segundos, até desaparecer sob a superfície.
Equipes de emergência são acionadas logo após o acidente, confirmado por volta do fim da manhã no horário local. Mergulhadores especializados em operações em águas frias participam das buscas, em uma região onde a profundidade média supera 700 metros e o ponto máximo atinge cerca de 1.642 metros, segundo dados científicos amplamente divulgados. A estimativa inicial indica que o ônibus para a cerca de 18 metros de profundidade, em uma área ainda acessível para resgate, mas marcada por baixa visibilidade e temperatura próxima de zero grau.
Lago Baikal sob escrutínio: turismo, riscos e segurança
O acidente recoloca o lago Baikal no centro de um debate conhecido entre autoridades russas e operadores de turismo. O lago, patrimônio natural e símbolo da Sibéria, concentra passeios de ônibus, vans e veículos adaptados para circular em estradas estreitas, muitas vezes próximas à água. A combinação de clima extremo, trânsito intenso em alta temporada e infraestrutura irregular alimenta críticas recorrentes sobre a segurança das rotas.
Investigadores russos abrem procedimento formal para apurar o que leva o ônibus a cair no lago. Entre as hipóteses preliminares, mencionadas de forma reservada por autoridades locais, aparecem falha humana, problemas mecânicos e eventual rompimento de barreira ou área de contenção próxima à margem. “Ainda é cedo para apontar a causa. Nossa prioridade é localizar o veículo e entender em detalhes o que aconteceu”, afirma um porta-voz dos serviços de resgate regionais, segundo veículos russos.
Repercussão internacional e pressão por respostas
A circulação do vídeo provoca forte reação pública. Comentários em redes sociais questionam por que um ônibus tem acesso a uma zona tão próxima à água sem barreiras físicas visíveis. Organizações ligadas ao turismo responsável usam o episódio para cobrar regras mais rígidas para circulação de veículos pesados em áreas naturais sensíveis, especialmente em regiões com gelo sazonal e risco de erosão de margens.
Especialistas ouvidos por veículos locais lembram que o Baikal já enfrenta pressão ambiental crescente, com aumento de fluxo turístico e obras de infraestrutura no entorno. Acidentes como o deste domingo expõem, na avaliação desses analistas, a fragilidade da fiscalização. “O Baikal não é só um cartão-postal, é um ecossistema único que exige planejamento e limites claros para atividades turísticas”, diz um pesquisador russo dedicado ao estudo da região.
Histórico de acidentes e dilema entre turismo e preservação
O episódio de 2026 soma-se a uma sequência de incidentes menores registrados nas últimas décadas no entorno do lago, embora raramente com a dramaticidade de um ônibus inteiro afundando diante das câmeras. Autoridades regionais alternam, nos últimos anos, discursos de incentivo ao turismo com promessas de modernizar estradas, revisar rotas e reforçar sinalização em áreas de risco. A tragédia deste domingo pressiona por prazos e medidas concretas.
Operadores locais admitem, em conversas reservadas, que a concorrência crescente leva parte do setor a oferecer passeios mais ousados, com trajetos próximos à borda do lago ou sobre áreas de gelo sazonal, para atrair visitantes em busca de experiências exclusivas. A linha entre o passeio fotogênico e o risco calculado se mostra mais fina do que o discurso oficial admite. O ônibus que vai parar a 18 metros de profundidade se transforma, agora, no símbolo mais recente desse limite ultrapassado.
Investigações, responsabilização e o que muda para o turista
As autoridades russas prometem uma investigação completa, com análise do vídeo, depoimento de testemunhas e avaliação técnica do trajeto percorrido pelo ônibus. A apuração deve incluir checagem de documentação do veículo, histórico de manutenção, habilitação do motorista e licenças da empresa organizadora do passeio. A expectativa é que os primeiros resultados preliminares sejam divulgados nas próximas semanas, sob pressão de familiares de passageiros e da opinião pública.
Operadores de turismo já discutem, nos bastidores, mudanças imediatas em rotas e protocolos de segurança, com limitação de acesso de ônibus a algumas áreas e exigência de novos certificados para veículos que circulam na região. O caso também serve de alerta para outros destinos que vendem a combinação de paisagem extrema e aventura controlada. Enquanto mergulhadores continuam as buscas no fundo do lago Baikal, permanece uma pergunta que ecoa muito além da Sibéria: até onde o turismo pode avançar sem transformar o cenário natural em palco de tragédias anunciadas?
