Ondas gigantes invadem restaurante em Catania durante ciclone na Sicília
Ondas gigantes invadem um restaurante à beira-mar em Catania, na Sicília, e arrastam mesas, cadeiras e louças na tarde de 21 de janeiro de 2026. Moradores e turistas correm para se proteger enquanto o ciclone que atinge a costa italiana transforma o salão em extensão do mar.
Tempestade leva o mar para dentro do salão
O vídeo do avanço da água circula nas redes em poucos minutos e coloca Catania no mapa global dos eventos climáticos extremos. As imagens mostram ao menos três ondas sucessivas atravessando a fachada envidraçada do restaurante, empurrando móveis por mais de 15 metros até o fundo do salão.
Funcionários gritam para que clientes se afastem das janelas enquanto tentam desligar equipamentos elétricos e proteger o caixa. Em cerca de 30 segundos, o que era um ambiente de almoço à beira-mar vira cenário de destruição, com garrafas quebradas, pratos boiando e uma lâmina de água barrenta cobrindo todo o piso.
Testemunhas relatam que o mar já apresentava ressaca desde a noite anterior, mas o avanço brusco das ondas surpreende até moradores acostumados às mudanças repentinas do Mediterrâneo. A Defesa Civil local emite, ainda pela manhã, alerta de mar muito agitado e ventos acima de 80 km/h, associado a um ciclone que se organiza sobre o sul da Itália.
Por volta das 14h, quando o movimento no restaurante aumenta, a combinação de maré alta, rajadas fortes e pressão atmosférica baixa cria a onda que rompe a barreira de proteção da calçada. A água sobe quase meio metro dentro do estabelecimento, segundo relatos de funcionários, e arrasta cadeiras metálicas como se fossem de plástico.
Risco crescente nas áreas costeiras
O episódio acende um alerta em uma região que vive do turismo de praia e da gastronomia à beira-mar. Em janeiro, Catania costuma receber milhares de visitantes europeus em busca de temperaturas mais amenas que as do norte do continente. A temporada de 2025 registra alta de cerca de 12% no fluxo turístico, e comerciantes apostam em novo crescimento em 2026.
As cenas do restaurante inundado expõem a vulnerabilidade dessa economia. Em menos de uma hora, o estabelecimento precisa ser esvaziado, equipamentos desligados e a área isolada. Funcionários relatam prejuízos significativos com móveis, geladeiras, sistemas de som e estoque de alimentos. O valor exato ainda não é divulgado, mas comerciantes vizinhos falam em danos que podem alcançar dezenas de milhares de euros.
Especialistas em clima consultados por veículos italianos repetem um diagnóstico que deixa de ser abstrato para quem vive na costa. A combinação de mar mais aquecido, tempestades intensas e infraestrutura construída a poucos metros da água amplia o risco de episódios como o de Catania. Em relatório publicado em 2025, o serviço meteorológico italiano já aponta aumento de cerca de 25% na frequência de eventos extremos no Mediterrâneo em uma década.
Moradores reclamam da falta de barreiras físicas e de planos claros de evacuação para estabelecimentos na linha d’água. “Sabemos que o mar pode subir, mas ninguém imagina que vai entrar assim no restaurante”, afirma um frequentador local, em vídeo compartilhado nas redes. Turistas comentam que receberam alertas de chuva forte, mas não de risco direto de ondas invadindo a orla.
Autoridades pressionadas por planos de prevenção
A repercussão do episódio força autoridades locais a revisar protocolos de emergência para as áreas costeiras de Catania e de outros municípios sicilianos. Prefeituras avaliam endurecer regras de ocupação da faixa litorânea, exigindo recuos maiores do mar, reforço em estruturas de proteção e planos escritos de evacuação para bares, hotéis e restaurantes.
Gestores discutem também como melhorar o sistema de alertas, hoje concentrado em boletins técnicos e comunicados nas redes sociais. A experiência deste 21 de janeiro mostra que poucos minutos podem separar um vídeo impressionante de uma tragédia com vítimas. A diferença passa por avisos claros, comunicação direta e decisões rápidas de fechamento de áreas em risco.
Empresários do setor turístico já cobram linhas de crédito e prazos para adequação das estruturas. Investimentos em barreiras, portas reforçadas, drenagem e adaptação dos salões representam custo imediato para negócios que ainda se recuperam dos impactos econômicos da pandemia e da inflação na Europa.
O caso do restaurante em Catania entra para a lista de eventos que alimentam o debate global sobre como cidades costeiras vão conviver com um mar mais agressivo nas próximas décadas. A pergunta que se impõe à Sicília, e a tantas outras regiões litorâneas, é se a próxima grande onda encontrará apenas móveis e vidraças no caminho ou também políticas públicas à altura do novo cenário climático.
