Esportes

Novorizontino goleia Palmeiras por 4 a 0 e impõe pior revés a Abel

O Palmeiras leva 4 a 0 do Novorizontino nesta terça-feira (20), em Novo Horizonte, e sofre a pior derrota da era Abel Ferreira. O resultado encerra dez anos sem goleadas alviverdes e recoloca em evidência falhas defensivas e falta de coesão tática.

Noite histórica em Novo Horizonte expõe fragilidades alviverdes

O Estádio Dr. Jorge Ismael de Biasi assiste a uma noite rara. Em clima de decisão, o Novorizontino domina um Palmeiras desfigurado e pouco conectado em campo. O placar de 4 a 0 pela quarta rodada do Campeonato Paulista de 2026 quebra um tabu que dura desde 1990, última vez em que o time do interior vence o rival como mandante.

Robson se torna o personagem central da partida. O atacante marca três vezes e transforma um jogo que começa estudado em constrangimento histórico para o atual bicampeão brasileiro. A atuação do camisa 9 escancara o abismo de concentração entre as duas equipes e transforma cada erro palmeirense em oportunidade de gol.

O primeiro golpe vem aos 19 minutos, em um lance que simboliza problemas antigos. Em escanteio pela direita, a defesa alviverde desvia na primeira trave, mas a bola cruza a área sem oposição. Robson aparece livre na pequena área e testa para o fundo da rede. A fragilidade em bolas aéreas, tema recorrente ao longo da era Abel, volta a ser decisiva.

O gol muda o ambiente. Atrás no placar, o Palmeiras avança as linhas, tenta acelerar a troca de passes e encontra um muro chamado Jordi. O goleiro do Novorizontino faz pelo menos duas defesas importantes e impede o empate ainda no primeiro tempo. Cada intervenção aumenta a confiança do time da casa e a impaciência dos visitantes.

O segundo gol sai aos 42 minutos e aprofunda o buraco tático do Palmeiras. Mayk recebe pela esquerda, levanta a cabeça e cruza longo, em direção à segunda trave. A bola passa às costas de Piquerez, que perde o tempo da jogada, e encontra novamente Robson, preciso na finalização. A desatenção coletiva transforma um lance simples em vantagem confortável para o Novorizontino antes do intervalo.

Abel arrisca tudo, mas erros individuais definem a goleada

O vestiário palmeirense volta para o segundo tempo pressionado. A equipe adianta a marcação, empurra o Novorizontino para o próprio campo e tenta retomar o controle territorial. O volume de jogo aumenta, mas a criatividade não acompanha. Sem infiltração consistente e com cruzamentos previsíveis, o Palmeiras esbarra na defesa fechada do time do interior.

Abel Ferreira decide ousar. O técnico coloca em campo três centroavantes ao mesmo tempo, Luighi, Flaco López e Bruno Rodrigues, em tentativa clara de transformar pressão em gol. A postura agressiva, porém, abre espaços generosos nas costas da linha de meio-campo, exatamente onde o Novorizontino encontra campo para contra-atacar.

O terceiro gol nasce de um erro que sintetiza a noite alviverde. Aos 17 minutos, Lomba sai jogando curto e entrega a bola para Luighi na entrada da área. O atacante tenta driblar pressionado, perde a posse e vê a bola sobrar para Robson. O artilheiro não desperdiça, bate firme e completa o hat-trick. A tentativa de saída trabalhada se transforma em presente para o adversário.

O golpe final vem pouco depois, em nova falha na construção ofensiva. Benedetti erra na saída de bola, o Novorizontino recupera no campo de ataque e Hélio Borges recebe em condição de finalizar. O chute cruzado, sem marcação eficaz, supera Lomba e fixa o 4 a 0 no placar, consolidando a maior goleada sofrida pelo Palmeiras desde o 4 a 1 contra o Água Santa, em 27 de março de 2016.

O resultado mexe diretamente com a tabela. O Palmeiras estaciona nos 9 pontos e cai para a terceira posição do grupo, ainda em zona de classificação, mas sob pressão. O Novorizontino chega ao mesmo número de pontos, assume a vice-liderança e passa a ser visto como candidato real a vaga no mata-mata, com mais quatro rodadas a disputar nesta primeira fase.

Nos bastidores, a derrota reabre discussões sobre o planejamento da temporada 2026. A opção por uma escalação alternativa, com testes e mudanças estruturais, já gera questionamentos de torcedores e analistas. A queda brusca de desempenho após um ciclo vitorioso, com títulos nacionais e campanhas consistentes, alimenta o debate sobre a necessidade de reforços imediatos.

Pressão sobre Abel cresce às vésperas de clássico com o São Paulo

A goleada chega em momento sensível. Em quatro dias, no sábado, às 18h30, o Palmeiras recebe o São Paulo na Arena Crefisa, em confronto que ganha novo peso emocional. A equipe tenta reagir diante de um rival direto, sob olhar atento da torcida e da diretoria. Uma nova atuação irregular pode transformar um tropeço isolado em crise aberta.

O cenário também muda para o Novorizontino. Com moral elevada, o time volta a campo no domingo, no mesmo horário, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, novamente em casa. A vitória por 4 a 0 não é apenas um resultado expressivo, mas um marco que resgata a relação com o torcedor e fortalece o discurso interno de que a equipe pode brigar por algo maior no Paulistão.

A comissão técnica palmeirense agora precisa responder em campo às dúvidas que se acumulam. A defesa segue vulnerável em cruzamentos, a saída de bola sofre com erros básicos e a falta de sincronia entre setores torna o time previsível. A reação passa por ajustes rápidos, escolhas mais conservadoras em jogos decisivos e, possivelmente, por movimentos no mercado.

A derrota em Novo Horizonte não decide a temporada, mas altera o tom da conversa em janeiro. O Palmeiras, acostumado a impor respeito, volta de ônibus para a capital com a certeza de que o escudo já não basta para vencer jogos. O Paulistão oferece, nas próximas semanas, a resposta para uma pergunta simples e incômoda: o tropeço é ponto fora da curva ou sinal de desgaste de um ciclo vencedor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *