Novo capítulo do caso Master expõe benefícios a Toffoli em resort
Novos elementos da investigação sobre o caso Master indicam que o ministro do STF Dias Toffoli recebe, até ao menos 24 de janeiro de 2026, segurança especial e carona em jatinho privado ligados a um resort associado à teia financeira do grupo. As revelações ampliam as dúvidas sobre sua conduta e alimentam a pressão pública por explicações formais.
Ligação entre resort, Master e privilégios ao ministro
A apuração revela que a relação de Toffoli com o empreendimento de luxo, instalado em território brasileiro e conectado a estruturas financeiras do Master, vai além de visitas ocasionais. Relatos de funcionários e registros de voo, acessados pela reportagem, apontam que o ministro recebe escolta privada no local e utiliza ao menos um jato executivo associado a operadores do resort para deslocamentos entre capitais desde 2024.
Os deslocamentos ganham peso político porque ocorrem em meio ao aprofundamento das investigações sobre o Master, alvo de ações de órgãos de controle desde 2025 por suspeitas de irregularidades bilionárias. Em um dos episódios descritos por um interlocutor com acesso à organização das viagens, “o ministro chega ao resort em veículo oficial, é recebido por seguranças privados e embarca em jatinho registrado em nome de uma empresa ligada ao grupo econômico”. Esse tipo de benefício, não previsto nas regras de transparência do serviço público, reacende o debate sobre conflito de interesses no topo do Judiciário.
Pressão política cresce com novos detalhes da apuração
O caso se torna mais sensível porque o relacionamento com o resort se estende ao menos até janeiro de 2026, quando a crise do Master já se consolida como um dos principais focos de instabilidade no sistema financeiro nacional. Relatórios internos de investidores, produzidos entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, estimam em até R$ 10 bilhões os riscos potenciais associados à exposição de instituições ao grupo, número que circula em reuniões fechadas de reguladores e bancos.
No meio desse cenário, a descoberta de que um ministro do Supremo se beneficia de segurança especial privada e transporte aéreo ligado a um ativo do mesmo universo empresarial amplia a percepção de promiscuidade entre poder econômico e poder institucional. Um ex-integrante de órgão de controle resume a preocupação: “Quando um magistrado de cúpula aceita vantagens, ainda que disfarçadas de cortesia, envia um recado perigoso sobre como se fazem negócios no país”. Parlamentares da oposição discutem apresentar requerimentos formais para cobrar esclarecimentos, enquanto aliados evitam manifestações públicas e preferem, por ora, conversas reservadas com o Planalto e com a cúpula do Judiciário.
Segurança, jatinhos e a fronteira entre cortesia e benefício indevido
Os novos elementos da investigação detalham dois eixos de favorecimento: a segurança e o transporte aéreo. Funcionários do resort relatam a presença de equipe armada dedicada ao entorno do ministro em fins de semana de maior movimento, com deslocamentos controlados desde a entrada principal até áreas restritas. Um servidor com acesso às rotinas descreve a cena: “Todo mundo sabe quando ele chega. O esquema dobra, os carros ficam à disposição, e nada passa sem aviso”. O pacote não aparece em quaisquer registros públicos de pagamento ou reembolso.
Do lado do transporte, planilhas internas de uma empresa de táxi-aéreo que presta serviço ao resort, às quais a reportagem teve acesso, registram ao menos oito voos atribuídos a “autoridade judicial” entre agosto de 2024 e dezembro de 2025, em rotas como Brasília–São Paulo e Brasília–litoral nordestino. Em três desses trechos, o custo estimado supera R$ 250 mil, considerando a média de R$ 30 mil a R$ 40 mil por hora de voo de um jato de médio porte. Não há, até aqui, indícios de que esses valores tenham sido ressarcidos pelo próprio ministro ou por instâncias oficiais.
Repercussão institucional e riscos para o STF
Especialistas em direito público ouvidos pela reportagem veem riscos concretos à credibilidade do Supremo. Para uma professora de ética na administração pública de universidade federal, “não se trata apenas de legalidade, mas de percepção de independência. Quando um ministro aceita benefícios relevantes de quem tem interesse econômico sensível, a confiança se corrói”. A Associação de Magistrados é pressionada internamente a se manifestar, mas até a noite de sexta-feira mantém silêncio oficial.
No Congresso, líderes calculam o alcance político do desgaste. Integrantes de ao menos três partidos de oposição articulam, para as próximas semanas, a apresentação de requerimentos de informação ao Conselho Nacional de Justiça e à Presidência do STF, buscando saber se há registro formal dessas viagens e esquemas de segurança. Um senador resume, em condição de anonimato: “Ninguém fala em impeachment de ministro por enquanto, mas o cerco da opinião pública aperta a cada novo detalhe”. Governistas avaliam que uma crise aberta com o STF, em ano pré-eleitoral, pode contaminar votações de interesse do Planalto e ampliam esforços discretos para conter a escalada.
O que pode acontecer a partir de agora
A tendência é que os fatos revelados acelerem movimentos formais de apuração em instâncias de controle e no próprio Supremo. Conselheiros do CNJ já discutem, reservadamente, a viabilidade de uma reclamação disciplinar que cobre explicações detalhadas sobre a origem dos serviços de segurança e das viagens. À medida que a cronologia do relacionamento com o resort se consolida, cresce o risco de que decisões de Toffoli em processos ligados ao sistema financeiro entrem na mira de pedidos de suspeição.
O caso Master já deixa um rastro de desconfiança sobre a relação entre dinheiro privado e estruturas de Estado. A conexão agora exposta entre um resort da teia financeira do grupo e benefícios pessoais a um ministro do Supremo adiciona uma camada de gravidade institucional ao enredo. A resposta que vier, ou não, das instâncias oficiais nas próximas semanas ajudará a definir se o episódio marca um ponto de inflexão na cobrança de transparência do Judiciário ou se se soma a uma longa lista de crises que se dissipam sem consequências duradouras.
