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Nova York decreta toque de recolher por nevasca mais intensa em 10 anos

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, decreta toque de recolher entre 21h deste domingo e o meio-dia de segunda-feira. A ordem atinge toda a cidade e tenta conter os riscos da tempestade de neve mais intensa dos últimos dez anos.

Cidade desacelera sob a neve mais pesada da década

As primeiras horas da noite já mostram uma Nova York em ritmo reduzido. A neve se acumula em calçadas e esquinas, encobre placas de trânsito e dificulta a circulação em bairros que costumam permanecer cheios até tarde. O governo municipal orienta que moradores fiquem em casa e evitem qualquer deslocamento não essencial durante as 15 horas de restrição.

O sistema de transporte público opera em modo de emergência. Linhas de metrô reduzem intervalos, alguns trechos de ônibus são suspensos e vias expressas registram bloqueios parciais. O Departamento de Transporte estima queda de até 60% no fluxo de veículos em relação a um domingo comum de fevereiro. As equipes de manutenção espalham sal e acionam dezenas de caminhões para limpar as principais avenidas, mas reconhecem que a neve cai em ritmo mais rápido do que a capacidade de remoção.

Mamdani afirma que a decisão busca preservar vidas em um momento crítico. “Nossa prioridade é a segurança de quem vive e trabalha em Nova York. Pedimos que as pessoas fiquem em casa e deixem as ruas para equipes de emergência e serviços essenciais”, diz o prefeito em pronunciamento transmitido no fim da tarde. O alerta, segundo ele, vale para os cinco distritos da cidade, de Manhattan ao Bronx.

Modelos meteorológicos indicam volumes de neve acima de 30 centímetros em menos de 24 horas em algumas áreas, com rajadas de vento que ultrapassam 60 km/h. A combinação reduz a visibilidade, favorece o gelo nas pistas e aumenta o risco de acidentes em cruzamentos e pontes elevadas. Serviços de meteorologia locais comparam o cenário aos episódios de 2016 e 2011, quando nevascas paralisaram trechos inteiros da cidade e deixaram centenas de veículos presos nas ruas.

Rotina suspensa, escolas em alerta e comércio em dúvida

O toque de recolher atinge diretamente escolas, pequenos comércios e o setor de serviços, que costumam apoiar parte significativa da economia nova-iorquina. A prefeitura recomenda a suspensão de aulas presenciais nesta segunda-feira nas redes pública e privada, com eventual migração para atividades on-line onde for possível. A confirmação final sai nas primeiras horas da manhã, após nova avaliação da intensidade da nevasca.

Restaurantes, bares e lojas que costumam estender o expediente pela madrugada encerram atividades bem antes das 21h. Proprietários calculam perdas em um período importante do mês, quando o turismo doméstico ainda sustenta o movimento após o fim das festas de fim de ano. Em bairros residenciais, mercados registram filas desde cedo, com moradores em busca de mantimentos básicos para pelo menos 24 a 48 horas.

Os serviços de emergência reforçam plantões. Ambulanças e equipes de bombeiros recebem orientação para circular apenas quando estritamente necessário, com rotas pré-definidas para hospitais de referência. Hospitais públicos e privados ampliam leitos de observação e pedem que pacientes adiem consultas eletivas. “Cada deslocamento desnecessário aumenta o risco de colisões e atropelamentos em vias escorregadias”, alerta um porta-voz do corpo de bombeiros.

A experiência com nevascas anteriores pesa na decisão política. Em anos recentes, prefeitos enfrentaram críticas por terem demorado a restringir a circulação, o que resultou em ônibus retidos, longos congestionamentos e quedas em calçadas não limpas. Desta vez, a prefeitura atua de forma preventiva e tenta evitar cenas que marcaram o inverno de 2014, quando o acúmulo de neve levou dias para ser removido em alguns bairros mais afastados.

Setores como entregas por aplicativo, táxis e motoristas de transporte individual sentem o impacto imediato. Parte das plataformas suspende novas corridas a partir do início do toque de recolher; outras mantêm apenas deslocamentos classificados como essenciais. Moradores de baixa renda, que dependem de trabalho informal diário, temem ficar sem renda por pelo menos um dia inteiro em pleno inverno.

Monitoramento hora a hora e incerteza sobre retomada

O governo municipal promete atualizar a população em intervalos regulares até o meio-dia de segunda-feira, horário previsto para o fim do toque de recolher. Técnicos avaliam o comportamento da tempestade e o ritmo de limpeza das vias para decidir se a medida pode ser encerrada no horário ou se haverá prorrogação. A incerteza atinge empresas, escolas e serviços de transporte, que planejam operações com base em janelas de poucas horas.

Equipes de limpeza de ruas trabalham em regime de 24 horas, com revezamento a cada 12 horas para operadores de caminhões e tratores. O objetivo é liberar, primeiro, os corredores de ônibus, rotas de ambulância e acessos a pontes e túneis que ligam Manhattan aos demais distritos. Só depois entram em cena ruas locais e trechos residenciais. A prefeitura admite que a normalização completa pode levar mais de um dia, mesmo com o fim do toque.

Autoridades estaduais acompanham o caso e avaliam possíveis pedidos adicionais de recursos federais para lidar com danos a infraestrutura, como redes elétricas e sistemas de aquecimento. O histórico de grandes tempestades na região mostra que interrupções de energia, ainda que pontuais, podem se tornar um risco adicional em bairros com grande concentração de idosos e famílias de baixa renda.

O dia seguinte ao toque de recolher tende a revelar o tamanho real do impacto. A cidade pode retomar gradualmente o movimento, mas ainda sob o peso da neve acumulada e de horários reduzidos no transporte. A forma como Nova York atravessa as próximas 24 horas deve servir de teste para a capacidade atual de resposta a eventos climáticos extremos e coloca uma questão que volta a cada inverno: até quando a maior cidade dos Estados Unidos conseguirá manter a rotina diante de tempestades cada vez mais intensas?

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