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Nova guerra comercial por Groenlândia ameaça PIB global em 2026

Economistas da Oxford Economics alertam nesta segunda-feira (19) para uma nova guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia, prevista para 2026, motivada pela disputa estratégica pela Groenlândia. O confronto tarifário, dizem, pode arrastar o mundo à pior desaceleração desde a crise financeira global.

Groenlândia vira epicentro de nova disputa

A Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e peça-chave no Ártico, deixa de ser um ponto remoto no mapa e entra no centro de uma crise econômica anunciada. O interesse crescente dos Estados Unidos e da União Europeia na região, por rotas marítimas, recursos minerais e posição militar, alimenta um confronto que agora ameaça sair dos bastidores diplomáticos e se traduzir em tarifas, quotas e retaliações em série.

Segundo projeções divulgadas pela Oxford Economics, o choque entre Washington e Bruxelas amadurece ao longo dos próximos dois anos e ganha força em 2026, quando novas barreiras comerciais entram em vigor. A disputa, que já se insinua em declarações públicas e em negociações discretas, gira em torno do controle político e econômico da ilha e de suas rotas de acesso ao Ártico, cada vez mais navegáveis com o derretimento das calotas polares.

Os economistas descrevem um cenário em que Estados Unidos e União Europeia usam tarifas de importação e medidas de apoio interno como armas para pressionar o outro lado a recuar sobre acordos envolvendo a Groenlândia. “Uma guerra comercial centrada na Groenlândia teria alto potencial de contágio, por envolver duas das maiores potências econômicas do planeta”, afirmam analistas da Oxford Economics no relatório.

Tarifas, retaliações e efeito cascata no PIB global

O relatório estima que a escalada de tarifas e contratarifas pode reduzir o crescimento do PIB global em cerca de 2,6 pontos percentuais em 2026, ano em que o conflito atinge o auge. Em vez de crescer em ritmo próximo ao padrão recente, a economia mundial passaria a operar muito abaixo de seu potencial, com aumento da incerteza, adiamento de investimentos e queda no volume de comércio internacional.

Nos Estados Unidos, a Oxford Economics calcula uma perda de até 1% no PIB em 2026, reflexo direto da queda nas exportações para a Europa, dos custos mais altos para importadores e da paralisação de projetos ligados ao Ártico. A União Europeia também sente o impacto na indústria, na agricultura e no setor de serviços, com efeitos diferenciados entre os países do bloco, mas igualmente negativos.

A consultoria destaca que essa contração seria a mais intensa desde a crise financeira global de 2008 e 2009. O alerta não se limita às duas potências em disputa: cadeias produtivas que cruzam continentes, como as de automóveis, tecnologia, máquinas e produtos químicos, sofreriam com novos obstáculos alfandegários, inspeções adicionais, subsídios direcionados e boicotes cruzados.

Mercados emergentes entram na linha de fogo ao verem seu comércio redirecionado ou bloqueado, dependendo da proximidade com Washington ou Bruxelas. Países que hoje se beneficiam de acordos com ambas as partes podem ser pressionados a escolher lados, perder preferências tarifárias ou enfrentar represálias indiretas. O resultado, afirmam os economistas, é um ambiente de negócios mais caro, menos previsível e com menor apetite por risco.

Do Ártico às bolsas: o que muda na prática

A disputa pela Groenlândia reabre fissuras entre Estados Unidos e Europa que ganharam força na última década, em meio a choques comerciais e divergências estratégicas. O que agora diferencia o conflito é a combinação entre geopolítica, transição energética e corrida por minerais críticos, como terras raras e metais usados em baterias, satélites e sistemas militares.

Empresas de mineração, energia, logística e defesa aparecem entre as primeiras afetadas, tanto pelo acesso mais disputado à região quanto pela incerteza sobre contratos e concessões futuras. Transportadoras marítimas e operadores de portos já simulam, em cenários internos, mudanças de rotas e prêmios de risco mais altos para cargas que dependam de portos e rotas ligadas ao Ártico.

Para investidores, a perspectiva de crescimento global mais fraco e de múltiplas barreiras comerciais reacende o temor de uma recessão sincronizada. Bolsas de valores tendem a reagir a cada nova rodada de tarifas anunciadas, enquanto bancos centrais se veem diante de um dilema: conter a inflação gerada por produtos mais caros ou estimular economias sob ameaça de esfriamento.

O relatório da Oxford Economics ressalta que o impacto não é inevitável, mas depende das escolhas políticas nos próximos meses. “Há espaço para negociação e desescalada, mas a janela de oportunidade se estreita à medida que medidas unilaterais se acumulam”, dizem os economistas. A falta de um canal estável de diálogo entre Washington, Bruxelas, Copenhague e representantes groenlandeses amplia o risco de decisões precipitadas.

Diplomacia sob pressão e incerteza para 2026

Governos europeus e autoridades americanas tentam, em público, minimizar o risco de uma ruptura aberta, mas admitem em privado que a Groenlândia se tornou um símbolo de influência estratégica no Atlântico Norte. O imbróglio ocorre num momento em que aliados da Otan ainda discutem gastos militares, presença no Ártico e a relação com potências como a Rússia e a China, também interessadas na região.

Os próximos dois anos são decisivos para definir se o confronto se consolida como guerra comercial, com impacto sentido no bolso de consumidores e empresas, ou se fica restrito a disputas pontuais. A Oxford Economics vê 2026 como “ponto de inflexão”: se não houver acordo até lá, a combinação de tarifas, retaliações e perda de confiança pode travar o crescimento global por vários anos.

Diplomatas em capitais europeias e em Washington discutem formatos de negociação que incluam salvaguardas para o comércio e garantias sobre a autonomia política da Groenlândia. Nenhuma das partes, porém, quer parecer vulnerável em público, o que dificulta concessões visíveis no curto prazo e prolonga a incerteza para mercados.

Enquanto Estados Unidos e União Europeia medem forças em torno de uma ilha de menos de 60 mil habitantes, investidores, governos e empresas calculam o custo de uma nova divisão econômica no mundo. A disputa pela Groenlândia termina em acordo político ou inaugura uma década de fragmentação comercial? A resposta, sugerem os economistas, pode definir o rumo da economia global bem além de 2026.

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