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No retorno de Neymar, Santos vence Atlético-MG e respira no Brasileiro

O Santos derrota o Atlético-MG por 1 a 0 neste sábado, 11 de abril de 2026, na Vila Belmiro, com gol de Moisés e retorno de Neymar ao time titular. A vitória vale mais do que três pontos: dá fôlego ao time na fuga do rebaixamento e reacende a conexão entre elenco e arquibancada.

Jogo quente, gol na raça e polêmica até o fim

A noite em Santos começa tensa antes mesmo de a bola rolar. O time entra em campo com uma camisa inédita, estampando a marca Pelé e a silhueta do soco no ar. A homenagem ao Rei ajuda a inflamar os mais de 12 mil santistas que ocupam a Vila Belmiro, em um sábado que mistura nostalgia, pressão e urgência na tabela.

O Atlético-MG tenta esfriar o ambiente logo aos quatro minutos. Renan Lodi cruza rasteiro, a defesa vacila e Cuello bate prensado, arrancando o primeiro escanteio e um suspiro da torcida. O Santos responde com Neymar, que arrisca de fora e manda por cima, ainda calibrando o pé depois da suspensão contra o Flamengo e do descanso na Sul-Americana.

O clima esquenta de vez quando o Santos reclama de um possível toque de mão de Alan Franco na área. Rafael Rodrigo Klein manda o jogo seguir, ignora os protestos e ainda pune Escobar por simulação. O lateral recebe o amarelo que o tira do duelo contra o Fluminense e deixa o banco irritado.

Aos 18 minutos, a Vila explode por alguns segundos. Gabigol completa para a rede e corre para comemorar, mas o auxiliar aponta irregularidade. Após rápida checagem, a arbitragem confirma toque de mão do atacante e anula o gol. Neymar parte para cima do juiz, reclama com veemência e mantém a bronca por vários minutos. Quem paga a conta é o próprio Gabriel Barbosa, advertido com cartão amarelo por reclamação.

O ambiente no banco piora quando Cuca perde o controle. O técnico do Santos discute com a arbitragem, recebe dois cartões amarelos em cerca de 20 segundos e é expulso ainda no primeiro tempo. A Vila reage com uma mistura de aplausos ao treinador e vaias para o trio de arbitragem, enquanto o jogo segue aberto.

Em campo, o Santos se apoia no lado direito. Igor Vinícius aciona Neymar com frequência, e o camisa 10 se aproxima do primeiro gol em chute colocado, aos 25 minutos, que passa rente à trave de Everson. Gabigol também testa o goleiro, batendo quase sem ângulo e exigindo defesa firme. Bontempo tenta servir Neymar na área, mas o craque perde o tempo da bola e é travado na sequência.

O Atlético-MG não se entrega. Hulk aparece aos 37 minutos e solta uma bomba, bloqueada pela defesa santista. Logo depois, Lodi invade a área e cruza rasteiro para Natanael, que surge livre. Escobar se estica e desvia na hora certa, evitando o gol mineiro e mantendo o 0 a 0 no intervalo.

O segundo tempo começa em alta rotação. O Santos aperta, rouba bolas no campo ofensivo, mas peca nas finalizações. Aos 12 minutos, Neymar abre pela esquerda, acha Escobar em profundidade e vê o argentino cruzar rasteiro. A bola passa por Gabigol e sobra limpa para Bontempo, que dribla, escolhe o canto e chuta para fora, arrancando gritos de incredulidade da arquibancada.

O castigo para os erros não vem. Aos 17 minutos, em nova pressão, o Santos enfim encontra o gol. Hulk erra na saída, o Peixe recupera a posse e Lucas Veríssimo encontra Gabriel Barbosa entre as linhas. Gabigol domina, levanta a cabeça e serve Moisés, que entra em diagonal, invade a área e finaliza com calma no canto de Everson. A Vila Belmiro treme, e o banco comemora como se fosse decisão.

O gol muda o tom do jogo. O Atlético adianta as linhas e passa a rondar mais a área santista. Aos 24 minutos, Renan Lodi recebe com liberdade e finaliza forte, obrigando Gabriel Brazão a fazer defesa importante após falha de posicionamento da zaga. O goleiro segura firme e ganha alguns segundos preciosos em um jogo cada vez mais nervoso.

Neymar tenta matar a partida em jogada individual. Ele conduz pelo meio, se livra da marcação e bate rasteiro, buscando o canto. Everson se estica e defende, evitando o segundo gol. Pouco depois, Gabigol tem a chance mais clara do jogo: recebe cara a cara, escolhe o lado, mas conclui mal e desperdiça. A bandeira sobe, marcando impedimento, mas as imagens mostram condição legal, alimentando nova discussão sobre a arbitragem.

Os minutos finais são de pressão dos dois lados, com o Santos alternando entre contra-ataques e chutões para longe, e o Galo cruzando bolas na área. A cada recuperação de bola, a Vila vibra como se fosse um gol. Quando Rafael Klein apita o fim, o grito de alívio parece tão alto quanto o da comemoração de Moisés.

Santos respira na tabela; Galo liga sinal de alerta

A vitória vale posição e confiança. O Santos chega a 13 pontos, assume o 14º lugar e abre cinco pontos para a zona de rebaixamento na 11ª rodada. Depois de semanas de tensão, o time encontra um respiro mínimo para trabalhar e corrigir erros sem o peso imediato do Z4.

Do outro lado, o Atlético-MG estaciona nos 14 pontos, em 8º lugar, e soma a segunda derrota consecutiva, após o tropeço para o Puerto Cabello, na Venezuela, pela competição continental. O desempenho preocupa pela oscilação recente e pelo desperdício de chances em jogos em que o time poderia, no mínimo, somar empates.

O retorno de Neymar tem peso técnico e simbólico. O camisa 10 volta depois da suspensão contra o Flamengo e do descanso na estreia na Sul-Americana, contra o Deportivo Cuenca. Ele não marca, mas participa da construção ofensiva, puxa marcação, organiza ataques e assume o papel de referência em campo, o que reorganiza o sistema ofensivo e dá mais opções de passe ao meio-campo.

Gabigol também retoma protagonismo ao voltar ao time titular após ficar fora do jogo no Equador. Ele vê um gol ser anulado por toque de mão e perde chance clara no fim, mas participa do lance do gol de Moisés com a assistência que decide a partida. O jogo recoloca o atacante no centro do debate sobre o ataque santista para a sequência da temporada.

As decisões de arbitragem entram no pacote de temas que devem render discussão nos próximos dias. O gol anulado de Gabigol, o impedimento assinalado em lance ajustado e a rápida expulsão de Cuca alimentam queixas internas e acendem mais uma vez o debate sobre o padrão de atuação do VAR e dos árbitros de campo no Brasileiro.

Na arquibancada, a camisa com a marca Pelé e a imagem do soco no ar reforça a narrativa de reencontro com a própria história. Em um ano de luta contra a parte de baixo da tabela, o clube aposta na simbologia do Rei para lembrar à torcida e ao elenco o tamanho da camisa que veste. A renda de R$ 938.762,97 e o público de 12.175 torcedores mostram um estádio longe da lotação máxima, mas ainda capaz de influenciar o clima de um jogo grande.

Próximos desafios e pressão contínua no Brasileiro

O resultado contra o Atlético-MG não resolve a temporada santista, mas muda o tom da conversa. A equipe ainda convive com oscilação, falhas defensivas e desperdício de chances claras, mas agora trabalha com um pequeno colchão de pontos e a sensação de que consegue competir contra adversários de parte de cima da tabela.

O Santos volta a campo já pressionado a transformar a vitória em sequência. Sem Escobar, suspenso, Cuca – ou quem estiver à beira do gramado, caso haja punição ampliada – precisa encontrar solução para a lateral e administrar o físico de Neymar, que volta a ter rotina intensa de jogos. A forma como o técnico vai lidar com o elenco, à distância do banco, é uma dúvida que pesa sobre os próximos compromissos.

O Atlético-MG encara um cenário diferente, mas também desconfortável. A equipe de Eduardo Domínguez ainda ocupa a parte de cima da tabela, porém sente o impacto de duas derrotas seguidas e da queda de desempenho recente. A reação nas próximas rodadas pode definir se o clube brigará efetivamente pelas primeiras posições ou se ficará preso em uma zona intermediária, distante tanto do título quanto do desespero.

Na Vila Belmiro, a noite termina com cânticos, celulares erguidos e o nome de Neymar ecoando nas arquibancadas. A vitória sobre o Atlético-MG, construída em um jogo tenso, com polêmicas e decisões no limite, não apaga os problemas do Santos. Reacende, porém, uma pergunta que acompanha o clube desde o retorno do craque: até onde esse time pode ir quando o talento em campo se alinha à história que pesa nas paredes da Vila.

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