Ciencia e Tecnologia

Nintendo relança Pokémon FireRed e LeafGreen no Switch por R$ 120

A Nintendo relança Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen para Nintendo Switch em 27 de fevereiro, por R$ 120 cada na eShop brasileira. Os clássicos chegam fora do serviço de assinatura Nintendo Switch Online e reacendem o debate sobre o preço de jogos retrô no console.

Relançamento em clima de festa, com conta salgada

Os dois jogos chegam ao Switch como títulos independentes, sem vínculo com o catálogo de Game Boy Advance disponível para assinantes do Nintendo Switch Online. A liberação está marcada para 11h do dia 27 de fevereiro, mesmo horário do evento Pokémon Presents, que integra as celebrações dos 30 anos da franquia.

A decisão de cobrar R$ 120 por cada jogo, em vez de incluí-los no serviço por assinatura, domina as primeiras reações da comunidade. Em um cenário em que jogos clássicos costumam aparecer como bônus ou parte de pacotes coletivos, o valor de R$ 240 pelos dois remakes coloca o relançamento no patamar de lançamentos atuais de médio porte.

Como a Nintendo tenta justificar o preço

Diante da repercussão, a Nintendo publica um FAQ para explicar a estratégia. A empresa afirma que FireRed e LeafGreen são planejados “como softwares independentes” e que, por isso, não entram na coleção Game Boy Advance — Nintendo Classics oferecida aos assinantes. “Para celebrar os 30 anos de Pokémon, pensamos que seria divertido revisitar as versões definitivas das aventuras originais na região de Kanto com esses lançamentos especiais”, diz o texto oficial.

A companhia reforça que as novas edições chegam com gráficos atualizados, áreas inéditas e melhorias de jogabilidade em relação às versões de Game Boy Advance lançadas em 2004. O relançamento também inclui ajustes de interface, sistemas mais amigáveis para novos jogadores e conteúdo extra em relação aos jogos de 1996 que deram origem à série.

No FAQ, a Nintendo também antecipa a comparação inevitável com Pokémon Red e Pokémon Blue, os primeiros títulos da franquia. Segundo a empresa, a escolha recai sobre FireRed e LeafGreen porque “os usuários apreciariam as versões definitivas dessas aventuras originais, que adicionam vários recursos e melhorias ao conteúdo de Pokémon Red Version e Pokémon Blue Version”. O recado tenta posicionar os remakes não como relançamentos simples, mas como edições de referência dentro da cronologia da série.

Nostalgia em alta, acesso em disputa

O preço elevado, porém, coloca em evidência uma tensão conhecida do público de jogos clássicos no Switch. De um lado, a Nintendo aposta no poder da nostalgia, em uma data simbólica em que a franquia completa 30 anos. Do outro, a empresa restringe o acesso aos remakes a quem está disposto a pagar o valor cheio, deixando de lado a estratégia de usar o Nintendo Switch Online como porta de entrada para o catálogo retrô.

Pokémon FireRed e LeafGreen nasceram em 2004 como remakes diretos dos jogos de 1996, atualizando a jornada pela região de Kanto com gráficos mais detalhados, interface modernizada e conteúdos extras. Entre as principais adições estão as Ilhas Sevii, conjunto de áreas inéditas que ampliam a exploração após a campanha principal, e a inclusão de criaturas de outras regiões, recurso que estende a vida útil da aventura para além do que existia no Game Boy original.

O relançamento no Switch mantém essa lógica de “porta de entrada ideal” para novos jogadores, mas agora em um ambiente de preços mais agressivo. Ao cobrar R$ 120 por cada jogo, a Nintendo sinaliza que enxerga FireRed e LeafGreen como produtos premium, mesmo duas décadas após o lançamento original no Game Boy Advance. Para parte dos fãs, a mensagem é clara: reviver Kanto em versão atualizada tem custo comparável a comprar um jogo inédito de menor escala.

O que muda para fãs, para o Switch e para o futuro da série

Na prática, quem ganha com a nova estratégia são colecionadores e jogadores dispostos a pagar mais para ter versões oficiais e atualizadas dos remakes no Switch, com melhorias gráficas e ajustes de jogabilidade. Quem perde são os assinantes do Nintendo Switch Online que esperavam ver os jogos incluídos no pacote de benefícios, junto de outros clássicos já disponíveis sem custo adicional além da mensalidade.

O movimento também serve como termômetro para o mercado de relançamentos da própria Nintendo. Se FireRed e LeafGreen venderem bem mesmo com o preço elevado, a empresa pode se sentir encorajada a lançar outros títulos retrô de forma avulsa, em vez de expandir de maneira mais generosa o acervo do serviço de assinatura. Caso a recepção negativa pese, o recado das redes sociais e das vendas pode forçar ajustes em próximas iniciativas.

O anúncio acontece às vésperas do Pokémon Presents, que promete novidades sobre futuros títulos e projetos da marca. A apresentação, marcada para as 11h do dia 27 de fevereiro, deve dividir o palco entre a celebração dos 30 anos, anúncios de novos jogos e a tentativa de justificar o valor simbólico e financeiro que a Nintendo atribui à própria história. Resta saber se, para o público brasileiro, a conta da nostalgia fecha quando cada viagem de volta a Kanto custa R$ 120.

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