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Nikolas chama Lula de “larápio” e promete oposição mais agressiva

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) eleva o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chama de “larápio” em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (8/2/2026). O parlamentar promete que a oposição irá “com tudo” contra o governo, em resposta a um vídeo em que Lula convoca apoiadores a adotarem postura mais combativa.

Embate verbal expõe clima de campanha antecipada

A nova ofensiva de Nikolas ocorre em meio à escalada de tensões políticas que já projeta a disputa presidencial de 2026. O deputado, um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, usa sua conta oficial para atacar o petista e falar diretamente a um público que soma milhões de seguidores em diferentes plataformas.

“Tá nervoso, larápio? Calma, que vamos com tudo pra cima de você”, escreve o parlamentar, em mensagem que circula com velocidade nas redes. A escolha da palavra “larápio”, associada a ladrão, busca reforçar o discurso bolsonarista que tenta resgatar escândalos de corrupção ligados ao período em que o PT ocupou o Palácio do Planalto, entre 2003 e 2016.

A publicação aparece poucas horas depois de ganhar destaque um vídeo em que Lula pede mais combatividade à própria base. No trecho que viraliza, o presidente afirma que seus apoiadores precisam ser mais “desaforados” para enfrentar adversários políticos, avisa que “não tem mais essa de lulinha paz e amor” e prevê que a próxima eleição “vai ser uma guerra”.

As duas falas, colocadas lado a lado, ajudam a traduzir o momento da política nacional. De um lado, o governo tenta consolidar apoio no Congresso e no chamado centrão, negociando cargos e verbas para ampliar sua base. De outro, a oposição de direita busca manter o clima de confronto vivo, apostando em embates diretos com Lula para mobilizar eleitores mais fiéis.

Polarização ganha novo capítulo nas redes sociais

O embate entre Lula e Nikolas não nasce do nada. Desde a posse do atual governo, em janeiro de 2023, o deputado mineiro se projeta como uma das vozes mais estridentes da oposição. Aos 20 e poucos anos, ele utiliza vídeos curtos, lives diárias e postagens em tom inflamado para dialogar com um eleitorado jovem, conservador e fortemente conectado.

Esse estilo rende ao parlamentar engajamento elevado. Em algumas publicações, as visualizações ultrapassam a casa de 1 milhão de acessos em poucas horas, impulsionadas por compartilhamentos em grupos de WhatsApp e perfis ligados ao bolsonarismo. Na prática, cada novo ataque ao Palácio do Planalto funciona como teste de força para medir o humor do público da direita.

A reação da base governista, por ora, se concentra em críticas ao que aliados de Lula chamam de “política do insulto”. Integrantes do PT e de partidos da coalizão defendem que ataques pessoais contra o presidente reforçam um clima de intolerância que o país tenta superar desde os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A avaliação é de que, a cada nova troca de ofensas, diminui o espaço para debate sobre temas concretos, como inflação, juros e desemprego.

Especialistas em comunicação política apontam que esse tipo de confronto tende a reforçar bolhas ideológicas. Para o eleitor que já rejeita Lula, a fala de Nikolas confirma percepções antigas. Para quem apoia o governo, o ataque é visto como prova de que a oposição mantém a estratégia de deslegitimar o presidente, mesmo após sua eleição com 50,9% dos votos válidos em 2022.

O uso de expressões como “guerra” e “com tudo”, de ambos os lados, alimenta um vocabulário de conflito que já pautou a campanha anterior. Em 2022, o TSE chegou a reagir a discursos mais extremos, endurecendo regras para fake news e incentivando a retirada de conteúdos que estimulavam ódio ou violência. Agora, o desafio se renova diante de um ambiente ainda mais fragmentado nas redes.

Impacto na disputa por 2026 e no jogo do Congresso

A ofensiva de Nikolas ocorre enquanto Lula tenta reorganizar o tabuleiro eleitoral. O Planalto intensifica conversas com o centrão e volta a mirar o MDB como peça-chave para 2026. Entre as hipóteses discutidas por aliados está a construção de uma chapa que inclua um nome emedebista como candidato a vice, repetindo o movimento de 2002, quando José Alencar, então do PL, ajudou a suavizar resistências ao petista.

Nesse cenário, figuras ligadas ao bolsonarismo em Minas Gerais, como o próprio Nikolas, medem espaço para futuros voos eleitorais. O estado, com mais de 16 milhões de eleitores em 2022, continua decisivo para qualquer projeto presidencial. Conversas políticas já mencionam a possibilidade de novas candidaturas ao Senado, ao governo estadual e até à Presidência, caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível após decisões da Justiça Eleitoral.

No Congresso, a troca de farpas reforça a disposição da oposição em dificultar votações estratégicas para o governo, especialmente em temas econômicos. Propostas que envolvem aumento de gastos, mudanças em regras fiscais ou reformas estruturais tendem a enfrentar resistência maior, sobretudo se a base bolsonarista enxergar nelas oportunidade de desgastar a imagem de Lula junto ao eleitorado mais preocupado com inflação e juros.

O clima de confrontação influencia também o debate interno de partidos do centro. Siglas que hoje ocupam espaço no governo, mas mantêm olho nas urnas de 2026, calculam o custo de se associar a um discurso mais duro, tanto contra a esquerda quanto contra a direita. A depender da reação da opinião pública a episódios como o embate entre Lula e Nikolas, essas legendas podem se aproximar ou se afastar do Planalto.

Próximos passos em um ambiente de tensão crescente

A tendência, nos próximos meses, é de que episódios semelhantes se tornem mais frequentes. A janela partidária de 2026, quando deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato, e o início formal do calendário eleitoral funcionam como gatilhos para discursos mais agressivos, voltados à base fiel de cada campo político.

O governo Lula tenta equilibrar a resposta. De um lado, o presidente sinaliza que não pretende adotar novamente o figurino de “paz e amor” que marcou campanhas anteriores. De outro, assessores avaliam que o Planalto precisa evitar que a narrativa de “guerra” domine o debate público e desvie o foco de temas como crescimento econômico, programas sociais e investimentos em infraestrutura.

Nikolas, por sua vez, aposta na continuidade desse tom para consolidar sua posição dentro da direita e do próprio PL. Cada novo embate com Lula ajuda a manter seu nome em evidência, alimenta apoiadores e reforça sua imagem de porta-voz de um segmento disposto ao confronto direto.

Resta saber até que ponto a sociedade tolera a escalada verbal que marca a largada extraoficial da campanha de 2026. A linha entre discurso firme e incitação à intolerância segue no centro do debate, enquanto governo, oposição e Justiça testam, mais uma vez, os limites da democracia brasileira.

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