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Nikolas afasta apoio do PL a Mateus Simões após agenda conjunta

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirma, neste sábado (21/2), que a agenda conjunta com o vice-governador Mateus Simões (PSD) não significa apoio político à sua pré-candidatura ao governo de Minas. O recado vem após viagem pelo interior do estado para anunciar investimentos públicos ao lado do pessedista.

Nikolas tenta conter leitura eleitoral de giro pelo interior

O esclarecimento de Nikolas acontece em entrevista coletiva durante agenda no interior mineiro, dias depois de ele dividir palanque com Simões em anúncios de obras e investimentos. O roteiro conjunto acendeu entre aliados a leitura de que o PL poderia estar se aproximando de forma definitiva do vice-governador, hoje principal nome do Palácio Tiradentes para a sucessão de Romeu Zema (Novo) em 2026.

O deputado, porém, faz questão de separar a vitrine de governo das costuras eleitorais. “(A agenda conjunta) não é nenhum tipo de apoio político, ou não há nenhum acordo para apoio do PL ou meu para o governo do estado. É literalmente porque a gente precisa fazer entregas”, afirma. Segundo ele, o foco da viagem é a apresentação de investimentos em cidades do interior, sem compromisso formal de palanque.

Nikolas também explica por que aparece ao lado de Simões, e não de Zema, nas agendas recentes. Para o parlamentar, o vice já atua como chefe do Executivo. “O motivo de a viagem ter sido feita com Simões e não com o governador em exercício, Romeu Zema, foi que o pessedista praticamente já é o governador”, diz. Até o fim de março, o atual governador deve se desincompatibilizar do cargo para disputar a Presidência da República, o que colocará Simões na cadeira de forma efetiva.

Bolsonaro, Estratégia em Minas e disputa por palanques

As declarações do deputado vêm na esteira de uma movimentação mais ampla do bolsonarismo em Minas. Poucos dias antes da entrevista, Nikolas visita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Na conversa, discute o desenho da disputa estadual de 2026 e o papel do PL na corrida pelo governo e pelo Senado.

Segundo o parlamentar, a sigla ainda não bate o martelo sobre quem deve receber o apoio do bolsonarismo na disputa pelo Palácio Tiradentes. “Avaliamos as cartas que nós temos no jogo, os pontos positivos e o ponto negativos de cada um, mas, realmente, a gente precisa continuar essa construção”, relata. Hoje, o cenário tem pelo menos dois pré-candidatos viáveis no campo à direita: o próprio Mateus Simões, do PSD, e o senador Cleitinho (Republicanos), ambos cortejados por segmentos do eleitorado conservador no estado.

Nikolas afirma que Bolsonaro lhe dá carta branca para conduzir as negociações em Minas, inclusive na montagem da chapa majoritária. “Ele me deu essa liberdade para poder construir em Minas Gerais, tanto o Senado quanto o governo, porque eu acredito que hoje nós temos uma força no estado para poder tomar algumas decisões”, diz. A fala reforça o peso eleitoral do deputado, que em 2022 obtém 1,47 milhão de votos e se torna o terceiro deputado federal mais votado da história do país. Em 2026, ele espera superar o próprio desempenho.

Essa força nas urnas orienta sua preocupação com a lista de aliados. Nikolas diz não querer repetir a experiência de puxar nomes que não considera alinhados a seus “princípios e valores”. A disputa interna sobre quais candidaturas serão abrigadas na chapa do PL, especialmente à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, ainda é um ponto sensível entre o deputado e o diretório estadual.

Mesmo crítico da direção mineira do partido, ele afasta, por ora, a hipótese de trocar de sigla. “Eu creio que com as conversas que a gente está tendo, tanto com o PL estadual quanto com o nacional, vamos conseguir resolver essas questões. A questão de sair ou não do partido é realmente só se fosse um caso assim extremamente excepcional”, afirma. Nikolas reforça: “Eu estou no PL, no partido do presidente, e acredito que a gente vai conseguir resolver essas situações”.

Impasse no PL expõe disputa aberta pelo governo de Minas

A posição pública de Nikolas funciona como um freio nas expectativas do entorno de Simões e no próprio governo de Minas. Ao dizer que não existe acordo fechado, o deputado deixa claro que o apoio do PL continua em disputa. Na prática, o partido preserva a capacidade de negociar com diferentes pré-candidatos até mais perto das convenções, previstas para o segundo semestre de 2026, quando as alianças precisam ser formalizadas.

A indefinição interessa ao PL por dois motivos centrais. Primeiro, permite ao bolsonarismo medir quem tem mais densidade eleitoral e estrutura no interior, região decisiva em um estado com 853 municípios e mais de 16 milhões de eleitores. Segundo, aumenta o poder de barganha do partido na formação de chapas proporcionais e na escolha de quem ocupará a vaga ao Senado, estratégica para Bolsonaro e para a própria sobrevivência política do campo conservador no Congresso.

Para Simões, a negativa de um apoio automático obriga a intensificar pontes com o universo bolsonarista sem afastar aliados de centro que orbitam o PSD e o governo Zema. Para Cleitinho, mantém viva a chance de se consolidar como o nome mais identificado com a base bolsonarista pura, sobretudo nas redes sociais e em redutos religiosos, segmento sensível ao discurso conservador de Nikolas.

A base governista em Minas, que inclui Novo, PSD, PL e Republicanos em diferentes arranjos, entra em um período de tensão controlada. Prefeitos, deputados estaduais e federais observam de perto os movimentos do presidente do PL em Minas e do entorno de Bolsonaro, de olho em quem terá mais condições de garantir verbas, visibilidade e palanques competitivos em 2026.

Definições ficam para 2026 e ampliam incerteza no tabuleiro

As próximas semanas devem ser marcadas por novas viagens ao interior e encontros reservados em Belo Horizonte, Brasília e na Papuda. O PL tenta fechar critérios para distribuir tempo de televisão, fundo eleitoral e apoio explícito nas disputas majoritárias. O martelo, porém, só deve cair depois que Zema confirmar oficialmente a saída do cargo e que o governo mineiro se reorganizar sob comando de Simões.

Nikolas se movimenta para consolidar seu papel de fiador do bolsonarismo no estado e, ao mesmo tempo, evitar que a associação a um nome específico limite seu espaço futuro. A dúvida sobre quem receberá o apoio do PL abre margem para novas composições, possíveis candidaturas alternativas e até para fissuras internas, caso uma ala se sinta preterida. A negociação em andamento indica que a foto da agenda com Simões, hoje tratada como ato de governo, pode ganhar outro significado adiante. A pergunta que permanece é se, na hora decisiva, Nikolas manterá a distância calculada de agora ou se acabará empurrado para um lado na disputa pelo comando de Minas.

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