Neymar inicia conversas para deixar Santos e ir ao Cincinnati, da MLS
Neymar abre conversas para trocar o Santos pelo Cincinnati, dos Estados Unidos, em abril de 2026. As tratativas ainda estão em fase inicial, mas já mexem com o futuro do craque e do clube brasileiro.
Cincinnati testa cenário para ter Neymar como nova estrela
O interesse parte do FC Cincinnati, uma das franquias em ascensão da Major League Soccer. A direção do clube se movimenta com cautela, mapeia exigências salariais e avalia o impacto esportivo e comercial de levar o atacante de 34 anos para a liga norte-americana. A sondagem marca o primeiro passo concreto desde o retorno do jogador à Vila Belmiro.
As conversas começam a ganhar corpo nesta quinta-feira (9), segundo publicação especializada, mas ainda não há proposta formal enviada ao Santos. A prioridade da franquia é entender o projeto esportivo desejado pelo camisa 10, o tempo de contrato e as condições para acomodar sua chegada no limite de estrangeiros da MLS. Internamente, dirigentes tratam a negociação como uma oportunidade rara de repetir o efeito Messi em Miami, agora no meio-oeste dos Estados Unidos.
Limite de estrangeiros e efeito dominó no elenco
O primeiro obstáculo é regulatório. A MLS trabalha com vagas específicas para atletas estrangeiros, e o Cincinnati já ocupa essas posições com Kévin Denkey, Miles Robinson e Evander, ex-Vasco. Para registrar Neymar, o clube precisa abrir espaço, o que na prática significa negociar a saída de ao menos um desses jogadores antes da janela de transferências do meio do ano.
Denkey, artilheiro da equipe na temporada, surge como peça mais valorizada no mercado, o que pode facilitar uma transferência para a Europa ou outra liga, mas também cria um dilema esportivo imediato. Evander, conhecido do público brasileiro, tem papel consolidado na construção ofensiva, enquanto Robinson é referência defensiva. Qualquer decisão afeta a espinha dorsal de um time que disputa a Conferência Leste com ambição de título e projeta a chegada do brasileiro como salto de patamar técnico e de marketing.
Santos se vê diante de novo abalo em planejamento
No Brasil, a movimentação encontra um Santos fragilizado, que ainda administra o retorno de Neymar e as cobranças sobre a dívida com o jogador. Em 2026, o atacante soma seis jogos, com três gols e três assistências, números que devolvem protagonismo e bilheteria ao clube. Uma eventual saída neste momento atinge o time em campo e reabre o debate sobre a capacidade da diretoria de manter seus principais nomes.
Torcedores pressionam a presidência desde que o clube garantiu o pagamento de valores devidos ao atleta, em um contexto financeiro delicado. Em paralelo, a volta do ídolo ao Santos, antes celebrada como reaproximação histórica, passa a ser questionada por parte da torcida, que critica o custo político e esportivo de uma relação marcada por idas e vindas. A possibilidade de nova transferência, apenas alguns meses após o retorno, amplia a sensação de instabilidade no planejamento de médio prazo.
MLS busca repetir efeito Messi com novas estrelas veteranas
A possível chegada de Neymar se insere em uma estratégia mais ampla da MLS. Desde 2023, quando Lionel Messi aceita jogar pelo Inter Miami, as franquias passam a investir de forma agressiva em jogadores consagrados na Europa e na seleção argentina. A liga tenta encurtar a distância técnica em relação aos principais campeonatos do mundo e, ao mesmo tempo, conquistar audiência global.
Nessa nova leva, nomes como Marco Reus, no LA Galaxy, Hugo Lloris e Son Heung-min, no LAFC, Thomas Müller, no Vancouver, Wilfried Zaha, no Charlotte, Rodrigo De Paul, no Miami, James Rodríguez, no Minnesota, Timo Werner, no San Jose, e Antoine Griezmann, no Orlando City, chegam como símbolos desse movimento. A entrada de Neymar, um dos brasileiros mais midiáticos da última década, reforça a percepção de que a MLS se torna destino frequente para atletas em fase madura, mas ainda decisivos. Para o Cincinnati, o atacante seria o rosto global de um projeto que mira novos patrocinadores e acordos de transmissão.
Imagem em reconstrução e desafio pessoal na reta final da carreira
No plano individual, o possível salto para os Estados Unidos representa mais que uma mudança de clube. Neymar tenta reconstruir a própria imagem após uma série de lesões, episódios de desgaste público e uma volta ao Santos que, em parte da opinião pública, “gerou apenas mais antipatia”, como sintetizam analistas esportivos. O jogador já descreve momentos recentes como um ponto baixo da carreira. “Me senti no próprio enterro”, disse ao recordar um dos períodos mais difíceis.
Aos 34 anos, o atacante encara a reta final da trajetória profissional, mas mantém produção relevante em campo na temporada 2026. O interessa da MLS oferece um ambiente esportivo menos extenuante que o calendário europeu, com estrutura de alto nível, contratos em dólar e forte exposição de marca. Para ele, o pacote pode significar mais alguns anos em protagonismo, ainda que longe do eixo Europa-Brasil que marcou a maior parte de sua carreira.
O que pode acontecer nos próximos meses
Os próximos passos dependem da evolução das conversas entre staff do jogador, Santos e Cincinnati ao longo de abril e maio. A franquia norte-americana precisa ajustar o elenco para abrir a vaga de estrangeiro, construir uma oferta financeiramente competitiva e, ao mesmo tempo, convencer o brasileiro de que o projeto esportivo vai além de ações de marketing. O Santos, por sua vez, mede o custo esportivo da perda e o alívio que uma venda significativa pode trazer ao caixa.
Se o acordo avançar, a MLS tende a ganhar novo fôlego na disputa por atenção global, em um mercado em que a liga norte-americana ainda aparece atrás de Europa e, mais recentemente, Arábia Saudita. Se travar, o episódio expõe, mais uma vez, como o nome de Neymar segue central em qualquer debate sobre o futuro próximo do futebol brasileiro e do próprio campeonato dos Estados Unidos.
