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Neymar estreia como titular e Santos tenta quebrar tabu em Novo Horizonte

Santos e Novorizontino se enfrentam neste domingo (22), às 16h, em Novo Horizonte, pelas quartas de final do Paulistão 2026. Em campo, Neymar inicia o jogo e vira aposta para quebrar o tabu santista no estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi.

Neymar ganha vaga e muda o eixo da decisão

O jogo coloca em lados opostos um Santos pressionado e um Novorizontino em alta, dono da melhor campanha da primeira fase e 100% de aproveitamento em casa. A presença de Neymar desde o início altera o desenho da partida e oferece ao time da Baixada uma referência técnica que faltou em boa parte da temporada.

O camisa 10 disputa o primeiro jogo como titular em 2026 após atuar por 45 minutos na rodada anterior. A semana livre para treinos serve para calibrar o ritmo físico e ajustar a sintonia com o setor ofensivo. Juan Pablo Vojvoda, que desde o início do ano afirma que o Santos “se transforma” com o astro em campo, prepara uma escalação agressiva para tentar furar a muralha do interior.

O treinador estuda manter quatro jogadores ofensivos. Moisés e Gabigol têm lugar garantido. Neymar entra como organizador e finalizador, abrindo briga pela última vaga entre Rony, Barreal e Thaciano. A ideia é simples e direta: aproximar o time da área rival e aumentar o volume de finalizações certas, ponto frágil da equipe até aqui.

A irregularidade do Santos na primeira fase ajuda a explicar o peso da partida. O time soma apenas três vitórias em 2026, duas delas sobre adversários rebaixados e outra justamente sobre o Novorizontino, na estreia, por 2 a 1. O 6 a 0 recente diante do Velo Clube, já condenado à queda, garante a classificação em oitavo lugar, mas não apaga a oscilação nem o incômodo da torcida.

Tabu santista contra o caldeirão de Novo Horizonte

O estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi se converte em personagem central do confronto. Em Novo Horizonte, o Santos coleciona decepções: quatro derrotas e dois empates nas últimas seis visitas, sem motivo real para comemoração. A lembrança mais viva é de frustrações em jogos decisivos, cenário que transforma o duelo em teste psicológico além de técnico.

O Novorizontino, ao contrário, faz do próprio campo um trunfo estatístico e emocional. Em quatro partidas em casa no Estadual, o time interiorano soma 10 gols marcados, média de 2,5 por jogo, e sofre apenas um. A goleada por 4 a 0 sobre o Palmeiras, também em Novo Horizonte, vira símbolo de um time que se sente à vontade diante de grandes clubes e não recua da proposta ofensiva.

No vestiário amarelo e preto, o discurso equilibra confiança e cautela. “Nosso time sabe o quão importante foi essa semana, especial. Estou feliz em estar nas quartas, a gente sabe a importância do Paulistão”, diz o meia-atacante Rômulo, um dos destaques da campanha. “O que a gente fez na primeira fase foi de grande importância, mas agora temos de limpar esse HD e pensar nas quartas. Estamos trabalhando, focadíssimos, fazendo nosso melhor para realizar um grande jogo no fim de semana.”

Rômulo divide o protagonismo com o artilheiro Robson. Juntos, somam 11 gols, quatro do meia e sete do centroavante, números que ajudam a explicar a liderança na classificação. O técnico Enderson Moreira adota tom sereno, mas não esconde o respeito ao rival. “É um jogo muito difícil, o Santos conta com elenco recheado de jogadores fantásticos e que podem decidir a qualquer momento”, afirma. “Estamos observando o que podemos explorar, eles têm um grande treinador também, e será um jogo com duas equipes de perfil ofensivo e que jogam para frente.”

O cenário opõe estilos em pontos distintos de maturação. O Novorizontino chega com convicções claras, elenco ajustado e desempenho consolidado em casa. O Santos ainda busca uma identidade estável, mas carrega o talento individual de Neymar como fator de desequilíbrio imediato, algo que pode pesar em mata-mata decidido em 90 minutos.

Impacto esportivo e pressão por respostas

A classificação às semifinais redesenha o ambiente para o restante da temporada. Se vencer, o Santos encerra um tabu incômodo em Novo Horizonte, ganha fôlego político no vestiário e reduz a temperatura das cobranças sobre Vojvoda. A retomada de Neymar como protagonista também muda o eixo da narrativa em torno do clube, que passa a ser observado menos pela crise e mais pelo potencial de reação.

O desempenho do camisa 10 no Paulistão funciona como vitrine para metas maiores em 2026. Uma atuação decisiva nas quartas, logo no primeiro jogo como titular, reforça a imagem de jogador ainda capaz de dominar competições nacionais. Isso alimenta expectativas sobre convocações futuras, acordos comerciais e até eventuais movimentações de mercado no meio do ano.

Para o Novorizontino, manter a escrita em casa consolida o clube como protagonista do interior no cenário estadual. Uma vitória sobre o Santos, após ter atropelado o Palmeiras por 4 a 0, projeta o time a um novo patamar competitivo, com impacto direto em bilheteria, patrocínios e visibilidade. O caldeirão de Novo Horizonte passa a ser mais do que uma metáfora: vira ativo esportivo e financeiro.

Uma eliminação, por outro lado, interrompe o embalo e deixa a sensação de chance desperdiçada após campanha quase perfeita na fase de grupos. A lembrança de que o Santos já venceu o Novorizontino por 2 a 1 na estreia também entra em campo e alimenta o discurso de alerta dentro do clube.

O que está em jogo a partir de agora

O mata-mata do Paulistão costuma redesenhar hierarquias em poucos dias, e o duelo deste domingo tem potencial para alterar o rumo do campeonato. Quem avançar leva para a semifinal não apenas a vaga, mas um pacote de confiança, narrativa favorável e poder de barganha com a própria torcida.

O Santos aposta que Neymar em campo desde o apito inicial basta para virar a chave e transformar volume de jogo em gols. O Novorizontino confia no próprio ritmo e na força do estádio para manter a invencibilidade e provar que a liderança da primeira fase não é acidente. A resposta sai no fim da tarde, mas a pergunta que fica é outra: o Paulistão 2026 seguirá a lógica da campanha ou cederá ao peso de um craque em busca de retomada?

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