Neymar admite possível aposentadoria em 2026 e vive “ano a ano” no Santos
Neymar, 34, admite que pode se aposentar ao fim de 2026 e diz viver “ano a ano” a reta final da carreira. A declaração é dada em entrevista à CazéTV, poucos dias após o retorno aos gramados pelo Santos, depois de cirurgia no joelho esquerdo.
Neymar troca planos de longo prazo por decisões “do coração”
O camisa 10 do Santos evita qualquer projeção para além desta temporada. Ao falar sobre o futuro, ele descarta cronogramas rígidos e reforça que a carreira entra em fase definida mais pelo emocional que por contratos ou estatísticas. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente, não sei o ano que vem. Pode ser que chegue dezembro e eu queira me aposentar. Estou vivendo ano a ano”, afirma.
A entrevista, gravada em Santos e exibida pela CazéTV, vai ao ar em um momento em que o atacante volta a jogar após mais de um ano sem sequência. Em dezembro de 2025, ele passa por artroscopia no joelho esquerdo para tratar lesão no menisco medial. Só reaparece em campo no início de 2026, quando assume que preferiu alongar a recuperação para não correr riscos desnecessários.
O discurso marca um contraste em relação aos tempos de Barcelona e PSG, quando Neymar fala em metas de longo prazo, Bola de Ouro e ciclos completos de Copa do Mundo. Agora, com 34 anos, o principal jogador do Santos sinaliza que a contagem pode ser regressiva. Ao mesmo tempo, mostra que não quer transformar o tema em novela: “Vai ser do meu coração. Um dia de cada vez”, diz, sem rodeios.
A sinceridade exposta em rede aberta adiciona tensão a um ano que já é pesado por si só. A Copa do Mundo de 2026 se aproxima e o calendário do futebol brasileiro aperta. O Santos tenta se reorganizar após temporadas turbulentas, dentro e fora de campo, e encara a possibilidade real de perder seu maior nome exatamente quando precisa dele em alto nível.
Retorno após cirurgia e pressão extra em ano de Copa
Neymar volta a atuar pelo Santos no último domingo, mais de doze meses após a artroscopia no joelho esquerdo. O procedimento, realizado em dezembro de 2025, corrige lesão no menisco medial e exige paciência na reabilitação. Ele assume que poderia ter antecipado o retorno, mas prefere esperar até se sentir “100%”. “Queria voltar totalmente a 100%. Aguentei alguns jogos, esperei um pouco mais. Sei que muita gente fala, mas não sabe do dia a dia. Consegui voltar muito bem. Estou feliz e tranquilo”, afirma.
O planejamento conservador é recebido como um recado direto ao debate constante sobre sua condição física. Ao estender a recuperação, o atacante tenta reduzir o risco de novas lesões justamente no ano em que carrega, ao mesmo tempo, as expectativas do Santos e a discussão sobre presença na Copa do Mundo de 2026. O torneio, marcado para o fim do ano, pode ser o quarto Mundial da carreira, depois de 2014, 2018 e 2022.
No clube, a equação é ainda mais delicada. O Santos vive sob sanção da Fifa, que impede o registro de novos jogadores por causa de dívida em transferência anterior. Sem poder inscrever reforços, o elenco entra em 2026 limitado a quem já está no grupo. Isso amplia o peso de Neymar no planejamento esportivo e financeiro. O time precisa de resultados imediatos, mas não tem como recorrer ao mercado para dividir a responsabilidade com outras estrelas.
No entorno do jogador, a avaliação é de que o desgaste acumulado por mais de 15 anos de carreira no alto nível, com passagens por Santos, Barcelona, PSG e seleção brasileira, cobra seu preço. Lesões sérias no joelho e no tornozelo, somadas à rotina intensa de jogos e viagens, empurram o atacante para uma relação mais prudente com o próprio corpo. A opção por viver “ano a ano” aparece como resposta a esse cenário.
Impacto no Santos, na seleção e no mercado do futebol
A simples possibilidade de aposentadoria ao fim de 2026 altera as contas no Santos. O clube, que volta a ser comandado em campo por seu maior ídolo recente, precisa calcular quanto tempo ainda poderá contar com o camisa 10 em alto nível. Sem janela para contratações até que a punição da Fifa seja suspensa, a comissão técnica trabalha com a ideia de montar o time ao redor dele, mesmo sem garantia de continuidade no ano seguinte.
No vestiário, a fala pública de Neymar tende a acelerar a formação de novas lideranças. Jogadores mais jovens, que cresceram vendo o atacante na seleção, passam a conviver com a hipótese de assumir protagonismo em curto prazo. A transição, que em clubes costuma ser planejada em ciclos de três ou quatro anos, pode ser comprimida em uma temporada.
Na seleção brasileira, a declaração adiciona uma camada a mais à discussão sobre renovação. Se confirmar a aposentadoria após dezembro de 2026, Neymar pode disputar sua última Copa neste ano. A comissão técnica da CBF precisa ponderar não apenas a forma física do jogador, mas também o que significa construir um projeto esportivo em torno de alguém que admite publicamente viver sem planos de longo prazo.
Para o mercado internacional, qualquer passo de Neymar segue relevante. Patrocinadores, ligas e plataformas de transmissão ainda enxergam no atacante um dos poucos nomes capazes de mobilizar audiência global, sobretudo na América do Sul e na Ásia. Uma despedida oficial em 2026, seja pelo Santos, seja pela seleção, se torna potencial produto de marketing, com impacto direto em contratos de imagem, bilheteria e direitos de TV.
Um fim em aberto para a principal estrela do Santos
A entrevista na CazéTV não entrega uma resposta definitiva sobre o futuro, mas muda o tom da conversa em torno de Neymar. Torcedores do Santos, da seleção e fãs espalhados pelo mundo passam a acompanhar cada jogo com a sensação de contagem regressiva possível. Cada gol, cada drible e cada ausência ganham peso extra em um calendário que vai até dezembro.
No clube, dirigentes e comissão técnica trabalham com cenários paralelos. Em um, Neymar estende a carreira por mais alguns anos e lidera um processo de reconstrução, mesmo com restrições impostas pela Fifa. Em outro, o camisa 10 encerra o ciclo em 2026, obrigando o Santos a apressar o surgimento de novos protagonistas e a reconfigurar seu projeto esportivo e financeiro.
O próprio jogador parece disposto a conviver com essa incerteza. Ao repetir que a decisão será “do coração” e tomada “um dia de cada vez”, ele transforma a temporada em espécie de exame final da própria relação com o futebol. O que hoje soa como possibilidade pode, em alguns meses, virar anúncio oficial ou perder força diante de uma boa sequência em campo.
Até lá, a dúvida permanece aberta: Neymar ainda escreve novos capítulos no Santos e na seleção ou prepara o último ato de uma das carreiras mais marcantes do futebol brasileiro neste século?
