Nevasca histórica cobre Central Park e expõe força de megatempestade nos EUA
O Central Park registra neste domingo (25) a maior nevasca em 121 anos, com 29 centímetros de neve acumulada. A marca supera o recorde anterior, de 1905, e se torna símbolo da megatempestade de inverno que atinge mais de 20 estados nos Estados Unidos.
Recorde em Nova York no coração da megatempestade
A paisagem clássica de Nova York muda de forma abrupta. Árvores, bancos e trilhas do parque mais famoso da cidade somem sob uma camada densa de neve branca. A contagem precisa, feita por técnicos do Serviço Nacional de Meteorologia, confirma 29 centímetros no Central Park e derruba um recorde que resistia desde 1905, quando a medição chegou a 25 centímetros.
O dado, aparentemente restrito a um cartão-postal nova-iorquino, se encaixa em um quadro muito maior. A mesma frente de tempestade espalha neve pesada, gelo e frio extremo por mais de 20 estados. Desde a sexta-feira (23), cerca de 160 milhões de pessoas vivem sob algum tipo de alerta para tempestades de inverno ou de gelo, um em cada dois habitantes dos Estados Unidos.
Ruas esvaziam, escolas cancelam atividades presenciais e voos somem dos painéis de aeroportos importantes. Autoridades locais pedem que moradores fiquem em casa, reforcem estoques básicos e evitem qualquer deslocamento que não seja essencial. “As condições mudam em minutos e podem se tornar letais”, alertam equipes de emergência em comunicados emitidos ao longo do fim de semana.
Cidade paralisada e riscos em cascata
Em Nova York, o impacto é imediato. Caminhões de limpeza percorrem as grandes avenidas sem dar conta das sucessivas rodadas de neve. Pequenas ruas de bairros residenciais permanecem cobertas, dificultando o acesso de ambulâncias e viaturas. O frio intenso empurra a sensação térmica para bem abaixo de zero e transforma qualquer falha no fornecimento de energia em ameaça grave.
Empresas de energia trabalham em regime de alerta máximo. Linhas de transmissão acumulam gelo, e o peso extra pode derrubar fios e postes. Prefeituras e governos estaduais montam abrigos emergenciais para moradores em situação de rua e famílias que vivem em casas mais vulneráveis ao frio. “Nosso maior temor são as próximas noites, quando a temperatura cai ainda mais e o vento aumenta”, admitem autoridades locais.
O transporte entra em efeito dominó. Cancelamentos de voos se somam a trens suspensos e a rodovias parcialmente interditadas. Motoristas enfrentam asfalto escorregadio, visibilidade reduzida e formação rápida de gelo nas pistas. Operadores das estradas espalham sal e areia sem interrupção, mas a neve volta em intervalos curtos e redesenha o chão em poucas horas.
O recorde no Central Park ajuda a dimensionar o que se passa. Em pouco mais de um século, o parque testemunha diversas tempestades de inverno, mas poucas se aproximam da combinação atual de volume de neve, extensão territorial e persistência do frio. Meteorologistas classificam a nevasca como uma das mais intensas em 121 anos na área.
Megatempestade e um inverno sob escrutínio
Cientistas e órgãos de monitoramento acompanham o episódio como um laboratório a céu aberto. A megatempestade, que pode manter o clima rigoroso pelos próximos dias, reacende o debate sobre extremos climáticos em um planeta mais quente. Especialistas destacam que um inverno mais agressivo não contradiz o aquecimento global, mas pode ser um de seus efeitos: massas de ar frio deslocadas, umidade abundante e sistemas de baixa pressão mais intensos.
Pesquisadores evitam conclusões apressadas e reforçam que cada evento precisa ser avaliado dentro de séries históricas mais amplas. Ainda assim, o conjunto de ondas de calor, enchentes, queimadas e, agora, tempestades de inverno potentes pressiona governos a investir em adaptação. Cidades como Nova York, acostumadas a lidar com neve, encaram a necessidade de repensar infraestrutura elétrica, drenagem, mobilidade e planos de emergência.
A conta chega primeiro para os mais vulneráveis. Moradores de periferias urbanas, trabalhadores informais e famílias que dependem de transporte público sofrem de forma desproporcional. Uma falha de aquecimento em casa, um atraso prolongado em um ônibus ou uma caminhada longa sob vento cortante podem se transformar em risco real de hipotermia. Hospitais se preparam para aumento de atendimentos por quedas, acidentes de trânsito e complicações respiratórias.
A megatempestade deixa prejuízos econômicos que ainda são difíceis de calcular. Interrupções de transporte atrasam entregas, afetam cadeias de suprimentos e paralisam serviços. Pequenos comércios, que dependem do movimento diário de rua, fecham as portas por segurança. Companhias aéreas e empresas de logística lidam com custos extras de operação em clima extremo.
Próximos dias de frio extremo e um alerta para o futuro
O Serviço Nacional de Meteorologia prevê que o frio intenso persista pelos próximos dias em grande parte do território atingido. A tendência é de que novas ondas de gelo e neve avancem sobre regiões já fragilizadas. Equipes de manutenção se alternam em turnos prolongados para manter estradas abertas, limpar calçadas e restabelecer energia onde houver falhas.
Governos estaduais e federal devem concentrar esforços na recuperação das áreas mais afetadas ao longo das próximas semanas. A prioridade passa por garantir abrigo aquecido, reforçar redes elétricas vulneráveis e reduzir o risco de acidentes fatais em rodovias e centros urbanos. Em paralelo, meteorologistas e climatologistas mergulham nos dados coletados durante a megatempestade para identificar padrões anormais deste inverno americano e possíveis conexões com a escalada de eventos extremos ao redor do mundo.
O novo recorde de neve no Central Park entra para a história como um número, mas também como um sinal. A imagem de 29 centímetros de neve acumulada no coração de Nova York resume a força de um sistema climático capaz de afetar 160 milhões de pessoas de uma só vez. A questão que permanece é se as cidades e as políticas públicas conseguem se adaptar na mesma velocidade com que o clima parece mudar.
