Nassif revela esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Banco Master
Um dossiê divulgado neste 23 de fevereiro de 2026 expõe um esquema sistemático de lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e uma rede de agentes financeiros. A apuração, conduzida pelo jornalista Luís Nassif, indica proteção institucional e falhas de fiscalização que colocam em xeque a integridade do sistema financeiro brasileiro.
Rede articulada, não caso isolado
Os dados tornados públicos nas últimas semanas já sugerem que o Banco Master não é um caso de crescimento acelerado que saiu do controle. Os documentos e movimentações analisados por Nassif mostram uma engrenagem montada para deslocar grandes volumes de recursos, com operações fracionadas, uso de empresas de fachada e triangulações internacionais. O resultado, segundo o jornalista, é um padrão que se repete em diferentes períodos e estruturas societárias.
A apuração aponta para transações que ultrapassam a casa de bilhões de reais ao longo de vários anos, com registros pulverizados em dezenas de contas e veículos de investimento. Parte dessas operações, de acordo com a investigação jornalística, envolve valores que superam com folga limites de alerta previstos em normas do Banco Central, sem que mecanismos internos de controle tenham sido acionados de forma eficaz. “Os dados já não deixam margem a dúvidas. Não é um acidente de gestão, é um modelo de negócios baseado em fraude financeira”, resume Nassif em sua análise.
Cumplicidade institucional e risco sistêmico
O coração da denúncia não está apenas na atuação do banco, mas na rede que o cerca. A investigação descreve a participação de múltiplos agentes financeiros, consultorias, escritórios de advocacia e operadores de mercado que dão sustentação às operações suspeitas. A engrenagem, segundo o dossiê, se apoia em pareceres jurídicos, estruturas societárias opacas e relações próximas com figuras influentes do setor financeiro e de órgãos de controle. O que emerge é um ambiente de complacência em que alertas técnicos se perdem em camadas de proteção política e institucional.
As revelações expõem brechas de fiscalização que, na prática, permitem que esquemas dessa magnitude prosperem. Em um cenário de juros elevados e crédito restrito, operações ilícitas dessa ordem distorcem a competição, favorecem grupos específicos e ampliam o custo do dinheiro para toda a economia. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o impacto não se restringe a um único banco. “Quando um esquema de lavagem se torna estrutural, ele contamina preços, decisões de investimento e a própria confiança no sistema”, afirma um consultor que atua há mais de 20 anos em regulação financeira.
Pressão por reação de reguladores e Justiça
A divulgação do dossiê aumenta a pressão sobre Banco Central, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Ministério Público. Órgãos de supervisão podem ser cobrados a explicar por que operações de grande porte, muitas vezes acima de R$ 10 milhões em janelas de poucos dias, não geraram investigações visíveis ou punições exemplares. A experiência recente com grandes escândalos financeiros no país mostra que a reação costuma ser lenta e fragmentada, com processos administrativos que se arrastam por anos e decisões judiciais que chegam quando o dano já se consolidou.
No mercado, executivos monitoram o caso com preocupação. Instituições rivais avaliam reforçar protocolos internos de prevenção à lavagem de dinheiro, com revisão de cadastros, filtros automáticos e auditorias independentes ainda em 2026. Fundos de investimento, sobretudo os que administram recursos de previdência complementar e investidores estrangeiros, já discutem o risco de contágio reputacional e a possibilidade de reprecificação de ativos ligados a instituições sob suspeita. A percepção é que, se novas informações confirmarem a extensão do esquema, haverá espaço para mudanças regulatórias mais duras, inclusive com aumento de multas e responsabilização pessoal de dirigentes.
O que está em jogo daqui para frente
A revelação do esquema coloca o sistema financeiro diante de um teste de estresse institucional. A partir das próximas semanas, a reação dos órgãos de controle e da Justiça indicará se o caso do Banco Master será tratado como exceção escandalosa ou como sintoma de um problema estrutural. Investigações formais podem destravar quebras de sigilo, cruzamento de dados e cooperação internacional, elementos essenciais para rastrear fluxos que, segundo as apurações, atravessam fronteiras e utilizam paraísos fiscais.
A resposta também terá efeito direto sobre a confiança do público. Se autoridades se moverem com rapidez, o episódio pode impulsionar uma reorganização das regras de compliance, com prazos mais curtos para comunicação de operações suspeitas e fiscalização mais incisiva de bancos médios e pequenos, tradicionalmente menos visados que os grandes conglomerados. Se a reação for tímida, a mensagem enviada ao mercado será a de que a impunidade continua compensando. Enquanto isso, uma pergunta central permanece sem resposta: até que ponto o esquema que hoje aparece associado ao Banco Master é, na verdade, apenas a parte visível de uma engrenagem muito maior?
