Ciencia e Tecnologia

Nasa revela que Júpiter é menor e mais achatado do que se pensava

A Nasa informa nesta quarta-feira, 4 de outubro de 2023, que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que os astrônomos calculam há décadas. Novas medições de raio e formato do planeta, obtidas com a sonda Juno, revisam para baixo números usados desde os anos 1970.

Dados de Juno corrigem medições históricas

Júpiter continua sendo o maior planeta do Sistema Solar, mas encolhe alguns quilômetros nas contas oficiais. O novo raio equatorial passa a ser de 71.488 quilômetros, quatro quilômetros a menos que a referência anterior, de 71.492 quilômetros. O raio polar recua de 66.854 para 66.842 quilômetros, indicando um planeta um pouco mais comprimido nos polos do que se supunha.

Os números nascem de uma série de 13 sobrevoos da missão Juno, que orbita Júpiter desde 2016. Durante essas passagens rasantes, pesquisadores usam a técnica de ocultação de rádio, em que o sinal de rádio da espaçonave é temporariamente bloqueado pela atmosfera do planeta. As distorções nesse sinal revelam, com grande precisão, onde termina a atmosfera densa e começa o espaço, o que permite traçar o contorno real do planeta.

As primeiras medições de raio e forma de Júpiter surgem na década de 1970, com as missões Pioneer e Voyager. Na época, os cientistas contam com apenas seis experimentos de ocultação de rádio e modelos ainda rudimentares da atmosfera joviana. Meio século depois, a Juno oferece uma base de dados muito mais extensa e detalhada, capaz de refinar esses valores.

A Nasa explica que o novo trabalho incorpora um elemento ausente nas estimativas antigas: os ventos zonais, correntes de ar que circulam em faixas e moldam as faixas coloridas visíveis nas imagens de Júpiter. Esses ventos alteram a distribuição de massa e a forma aparente do planeta. “A ocultação de rádio é usada para ‘enxergar’ através das densas e opacas nuvens da atmosfera de Júpiter, a fim de compreender sua estrutura interna”, afirma a agência. Ao levar esses efeitos em conta, o cálculo final aponta para um planeta ligeiramente menor e mais achatado.

Por que alguns quilômetros fazem diferença

A diferença de poucos quilômetros pode soar irrelevante diante de um mundo com mais de 140 mil quilômetros de diâmetro. Para a astronomia planetária, no entanto, essa correção tem peso. O raio de Júpiter funciona como padrão para modelos de planetas gigantes usados tanto para estudar o Sistema Solar quanto para interpretar dados de exoplanetas, mundos que orbitam outras estrelas.

Quando um telescópio observa um exoplaneta passando à frente de sua estrela, mede a queda de brilho provocada por essa passagem. Para transformar essa queda em tamanho, pesquisadores se apoiam em modelos calibrados em planetas conhecidos, como Júpiter. “Ter uma forma mais precisa ajudará os astrônomos a interpretar melhor os dados de planetas observados passando em frente à sua estrela hospedeira muito além da nossa vizinhança cósmica”, destaca a Nasa.

As novas medidas também interessam a quem estuda a dinâmica interna e o clima de Júpiter. Um raio ligeiramente diferente implica ajustes em cálculos de gravidade, densidade média e distribuição de massa. Essas variáveis alimentam simulações que tentam reproduzir a formação do planeta, a espessura de suas camadas de gás e a profundidade das tempestades que marcam sua atmosfera, como a Grande Mancha Vermelha.

No campo da modelagem atmosférica, o achatamento mais pronunciado ajuda a entender como a rotação rápida de Júpiter, que completa uma volta em cerca de 10 horas, esculpe o planeta. Um corpo mais achatado nos polos sofre efeitos de rotação diferentes em relação ao equador. Isso influencia padrões de vento, circulação de calor e até a forma como o campo magnético interage com o plasma em torno do planeta.

Impacto em exoplanetas e próximos passos da Juno

O novo raio de Júpiter entra agora no arsenal de parâmetros usados para comparar mundos gigantes fora do Sistema Solar. Em estudos de exoplanetas, diferenças de poucos por cento no raio ou na densidade podem mudar a classificação de um objeto de “gasoso” para “rico em elementos pesados”. Medidas mais exatas em Júpiter ajudam a reduzir essas incertezas. A agência ressalta que o planeta atua como um “padrão essencial de calibração” para a modelagem de exoplanetas gigantes.

As correções também servem de teste para as técnicas de ocultação de rádio. O sucesso da Juno fortalece a estratégia de usar esse tipo de observação em futuras missões a outros gigantes gasosos, como Saturno, Urano e Netuno. A mesma abordagem pode refinar o entendimento de como ventos e campos magnéticos deformam esses mundos e alterar, novamente, parâmetros considerados consolidados.

A missão Juno segue em operação e continua sobrevoando Júpiter em órbitas alongadas, que se aproximam do planeta a cada dezenas de dias. Cada novo sobrevoo acrescenta dados sobre a estrutura interna, o campo magnético e a atmosfera. A combinação dessas informações tende a ajustar ainda mais os modelos usados hoje para explicar a formação de planetas gigantes, tanto aqui quanto em sistemas distantes.

As medições divulgadas nesta quarta-feira não esgotam o assunto. A comunidade científica agora testa como os novos valores de raio e achatamento afetam teorias sobre a origem de Júpiter, o transporte de calor em seu interior e a evolução de seu campo magnético. À medida que telescópios detectam exoplanetas cada vez menores e mais diversos, a precisão conquistada ao redor de um velho conhecido do Sistema Solar se torna um guia para interpretar mundos que, por enquanto, só aparecem como pequenas quedas de luz em estrelas distantes.

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