Nasa divulga imagem inédita e detalhada de erupção solar
A Nasa divulga uma imagem inédita e detalhada de uma erupção solar registrada em 4 de fevereiro de 2026. O retrato mostra, em escala impressionante, a liberação violenta de energia na superfície do Sol, com jatos de plasma e campos magnéticos retorcidos em alta definição.
Retrato em alta definição de um fenômeno extremo
A cena é captada por uma constelação de satélites e sondas dedicadas ao monitoramento solar contínuo. A partir do espaço, câmeras e instrumentos de alta sensibilidade registram o momento em que uma região ativa do Sol libera uma quantidade colossal de energia em poucos minutos. Em comprimentos de onda invisíveis ao olho humano, o registro revela detalhes finos da explosão, como filamentos de plasma se estendendo por centenas de milhares de quilômetros.
O fenômeno não é raro, mas a nitidez alcançada agora surpreende até pesquisadores acostumados a observar o Sol diariamente. A imagem combina dados de diferentes sensores, processados em alta resolução para mostrar a arquitetura completa da erupção: o ponto de origem, a expansão rápida da nuvem de partículas e o desenho das linhas de campo magnético que canalizam a energia. É esse nível de detalhe que transforma uma “foto bonita” em uma ferramenta científica que alimenta modelos e previsões.
Risco para redes elétricas, satélites e comunicações
Erupções como a registrada em 4 de fevereiro podem afetar a Terra em questão de minutos a horas, dependendo do tipo de evento e da direção das partículas lançadas. Ondas de radiação podem interferir em comunicações de rádio de alta frequência, usadas por aviões em rotas polares e por operações militares. Nuvens de partículas carregadas podem atingir satélites em órbita, danificar componentes eletrônicos e distorcer sinais de navegação por GPS, que hoje são críticos para aviação, logística e serviços financeiros.
Redes elétricas também entram na conta. Correntes induzidas pelas chamadas tempestades geomagnéticas podem sobrecarregar transformadores e linhas de transmissão em grandes latitudes. Em 1989, um evento desse tipo derruba o sistema de energia de Quebec, no Canadá, e deixa milhões de pessoas sem luz por cerca de 9 horas. A imagem divulgada agora serve como alerta visual de que o risco permanece atual em um mundo ainda mais dependente de tecnologia interligada. “Cada novo retrato de alta resolução nos ajuda a entender como a energia é acumulada e liberada no Sol, e isso se traduz em minutos preciosos de aviso para operadores na Terra”, afirma um pesquisador ligado ao programa de monitoramento solar da Nasa.
Monitoramento contínuo em um Sol cada vez mais vigiado
O registro de 4 de fevereiro integra uma estratégia montada ao longo de décadas para vigiar o Sol de forma quase ininterrupta. A Nasa mantém sondas posicionadas em diferentes pontos do espaço, algumas alinhadas entre o Sol e a Terra, outras em órbitas que permitem enxergar regiões que ainda não giraram em direção ao nosso planeta. Instrumentos medem radiação em diversos comprimentos de onda, velocidade e composição de partículas solares e variações no campo magnético.
Essa infraestrutura custa bilhões de dólares e envolve cooperação com agências espaciais da Europa e de outros países. O objetivo é simples, mas ambicioso: transformar um astro imprevisível em uma fonte de risco gerenciável. “Não conseguimos impedir uma erupção solar, mas podemos saber quando ela acontece, qual a intensidade provável e quem será afetado”, resume outro cientista envolvido em programas de previsão do clima espacial.
Ciência, política pública e economia em jogo
A nova imagem chega em um momento em que governos e empresas discutem vulnerabilidades de infraestrutura crítica. Operadoras de energia, companhias aéreas, forças armadas e grandes bancos acompanham com atenção alertas sobre o chamado clima espacial. Uma tempestade forte pode forçar o desvio de rotas aéreas, exigir o desligamento preventivo de transformadores, alterar horários de lançamentos de foguetes e até afetar a sincronização de transações financeiras, que dependem de sinais precisos de GPS.
O registro detalhado da erupção fortalece argumentos por investimentos em proteção. Blindagem extra em satélites, redundância em sistemas de comunicação, protocolos de desligamento rápido em redes de energia e centros de comando preparados para agir em minutos ganham espaço nos planos de grandes operadores. Para o setor espacial, a imagem ajuda a desenhar melhor zonas e períodos de maior risco para astronautas em missão, que podem ser expostos a doses perigosas de radiação. “Imagens assim são essenciais para aprimorar modelos de dose de radiação e orientar decisões de segurança para equipes em órbita e futuras viagens à Lua e a Marte”, diz um especialista em radiação espacial.
Histórico recente e avanço tecnológico
O Sol passa por ciclos de atividade de cerca de 11 anos, com períodos de maior e menor número de manchas e erupções. O atual ciclo atinge o máximo de atividade entre 2025 e 2026, justamente quando a imagem é captada. Isso significa mais eventos extremos em potencial, mas também mais oportunidades de estudo. Em 2012, uma grande ejeção de massa coronal passa por pouco da órbita da Terra e, segundo estudos posteriores, poderia ter provocado danos severos se atingisse o planeta diretamente. A lembrança desse quase acidente cósmico ainda orienta políticas de prevenção.
Desde então, a instrumentação avança. Câmeras registram o Sol com resolução de poucos quilômetros em sua superfície aparente, filtros permitem isolar diferentes temperaturas de plasma e supercomputadores rodam simulações que tentam antecipar onde e quando o campo magnético solar vai se reconfigurar de forma explosiva. A imagem divulgada em 2026 é fruto desse salto tecnológico: sem esses sensores e capacidade de processamento, detalhes cruciais da erupção permaneceriam invisíveis.
O que vem a seguir
Os próximos meses devem transformar o retrato da erupção em dados quantificáveis. Equipes da Nasa e de instituições parceiras medem velocidades, temperaturas, densidade de partículas e intensidade de campos magnéticos associados ao evento. Esses números alimentam modelos usados em centros de alerta ao redor do mundo, que buscam ganhar minutos ou horas a mais entre a detecção de uma erupção e a chegada de seus efeitos à Terra.
A divulgação pública da imagem também mira fora da comunidade científica. Ao exibir a escala real da violência solar, a Nasa tenta aproximar o tema da rotina de quem depende de eletricidade, internet, navegação por satélite e viagens aéreas, ou seja, praticamente todo o planeta. A pergunta que permanece é se governos e empresas vão transformar esse alerta visual em políticas concretas, antes que a próxima grande tempestade solar deixe de ser apenas um espetáculo distante e se torne um teste direto para a infraestrutura da Terra.
