Ciencia e Tecnologia

Nasa adia Artemis 2 e foguete volta ao hangar por falha em hélio

A Nasa adia para, no mínimo, abril de 2026 o lançamento da missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em voo ao redor da Lua. O plano sofre novo revés após a agência detectar falha no sistema de hélio do foguete SLS, dias depois de conter vazamentos de hidrogênio no mesmo equipamento.

Falha em sistema crítico empurra cronograma

O anúncio ocorre neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, e atinge o coração do programa que pretende retomar voos tripulados à vizinha da Terra após mais de meio século. O gigantesco foguete Space Launch System, pilar da missão Artemis 2, deixa a plataforma no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, e inicia nesta semana a lenta viagem de 6,4 quilômetros de volta ao hangar de montagem para reparos adicionais.

Os engenheiros acreditam ter controlado, na quinta-feira, 19, vazamentos perigosos de hidrogênio detectados em testes de abastecimento. A Nasa chega a fixar o lançamento para 6 de março, já com cerca de um mês de atraso em relação ao plano anterior. A confiança dura pouco. No mesmo ciclo de checagens, o fluxo de hélio que alimenta o estágio superior do SLS é interrompido e acende novo alerta sobre a segurança do voo.

O hélio, gás inerte usado para purgar os motores e pressurizar os tanques de combustível, é peça central do sistema de propulsão. Sem ele, o foguete não consegue expulsar resíduos dos motores nem manter a pressão ideal nos tanques durante o lançamento. Em comunicado, a agência admite que não há como arriscar. “É necessário retornar ao prédio de montagem de veículos em Kennedy para determinar a causa do problema e corrigi-lo”, afirma.

Os quatro integrantes da tripulação, três americanos e um canadense, seguem em prontidão em Houston, no Texas. Eles se preparam há meses para a primeira viagem de astronautas aos arredores da Lua desde o programa Apollo, que enviou 24 pessoas ao espaço entre 1968 e 1972. Cada adiamento prolonga o treino em simuladores, estende protocolos médicos e impõe nova rotina às famílias, enquanto a missão permanece à espera de uma janela segura de lançamento.

Pressão sobre o programa lunar e parceiros

O novo atraso pressiona o cronograma estratégico da Nasa para a exploração lunar na década. Artemis 2 é o ensaio geral tripulado do sistema que deve levar astronautas à superfície da Lua na missão seguinte, a Artemis 3. O impacto vai além de algumas semanas no calendário. A agência dispõe de apenas alguns dias por mês em que a geometria entre Terra, Lua e a órbita planejada permite lançar, contornar o satélite natural e trazer a tripulação de volta com segurança.

O adiamento também reverbera entre parceiros internacionais. O Canadá participa com um dos assentos na cápsula Orion e fornece equipamentos para o programa. Europa, Japão e empresas privadas apostam na Estação Lunar Gateway, um posto avançado em órbita da Lua que depende do avanço de Artemis. Cada mês de atraso em Artemis 2 empurra negociações, contratos e prazos de entrega de módulos, painéis solares e sistemas de suporte à vida pensados para funcionar em conjunto com o SLS.

A confiança pública na capacidade da Nasa de cumprir o cronograma volta a ser testada. Artemis 2 já enfrenta críticas por custos bilionários e sucessivos remendos em um foguete concebido há mais de uma década. A agência tenta inverter a narrativa ao insistir que o rigor técnico é o que impede uma repetição dos acidentes que marcaram a era dos ônibus espaciais. A mensagem é clara: a pressa não vale o risco de uma falha catastrófica com quatro pessoas a bordo, a centenas de milhares de quilômetros da Terra.

Internamente, o adiamento força uma nova rodada de revisão de protocolos de manutenção e de testes. A equipe de engenharia precisa mapear se a falha no sistema de hélio é pontual ou sintoma de um problema de projeto. A depender da origem do defeito, a solução pode exigir apenas troca de válvulas e linhas, ou intervenção mais profunda, com impacto direto em orçamento e cronograma.

Janela estreita e incerteza sobre a próxima data

A Nasa afirma que a movimentação rápida do SLS de volta ao prédio de montagem preserva a chance de lançamento em abril, mas evita promessas. Técnicos trabalham com diferentes cenários, que variam de poucas semanas a vários meses de atraso, caso a investigação revele necessidade de modificações estruturais. Enquanto isso, a tripulação ajusta o treinamento e refaz cronogramas de simulação de voo, sempre com o relógio regulado pelas novas datas provisórias.

O mundo acompanha a novela de Artemis com atenção crescente. Navegar de volta à Lua, mais de 50 anos depois de Apollo, já não é apenas símbolo de poder nacional, mas teste da capacidade de diferentes países cooperarem em um projeto complexo e caro. Se os reparos no sistema de hélio se confirmam como mais um tropeço pontual, o programa segue em frente, com decolagem possível ainda neste semestre. Se revelam uma fragilidade mais profunda, a pergunta deixa de ser quando Artemis 2 vai decolar e passa a ser até onde a Nasa está disposta a ir para manter o atual desenho do seu foguete lunar.

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