Mutirão do INSS faz 13 mil perícias médicas em 12 estados
O Ministério da Previdência Social realiza neste fim de semana, 11 e 12 de abril de 2026, um mutirão de perícia médica em 12 estados. A expectativa é atender cerca de 13 mil segurados que aguardam análise de benefícios por incapacidade e assistenciais, como o BPC/LOAS.
Força-tarefa para destravar benefícios
A ação mobiliza a Perícia Médica Federal e o INSS em 32 agências da Previdência Social. O objetivo declarado é encurtar a espera de quem depende de um laudo médico oficial para garantir renda mínima, em um momento em que a fila volta a pressionar o sistema de benefícios.
Os atendimentos ocorrem em regime de força-tarefa, com médicos peritos escalados além da rotina semanal. O foco está nos benefícios por incapacidade, como o auxílio por incapacidade temporária, e nas avaliações para o Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
O mutirão combina consultas presenciais com a chamada Perícia Conectada, modalidade de teleatendimento criada para ampliar o alcance do serviço. Nessa sistemática, o segurado é atendido em uma agência do INSS, mas o médico perito pode estar em outra cidade ou até outro estado, conectado por sistema seguro de vídeo e dados.
O Ministério da Previdência defende que, mesmo à distância, a avaliação mantém os mesmos critérios da consulta tradicional. A pasta reforça que privacidade, sigilo médico e autonomia técnica do perito seguem preservados, e afirma que a escolha entre perícia presencial ou conectada continua sob responsabilidade do profissional.
Impacto direto na vida de quem espera
O mutirão mira um problema conhecido de milhões de brasileiros: a demora para marcar perícia e ter o benefício analisado. Em muitas cidades, o intervalo entre o pedido e a consulta passa de meses, o que significa famílias sem renda formal enquanto aguardam a decisão do INSS.
Ao anunciar a ação, a Previdência afirma que a estratégia busca “reduzir o tempo de espera e garantir maior eficiência no atendimento à população”. Na prática, cada laudo concluído neste fim de semana pode destravar o pagamento de um benefício que sustenta despesas básicas como aluguel, remédios e alimentação.
Em regiões com poucos médicos peritos, a Perícia Conectada tenta evitar viagens longas e caras até cidades maiores. O governo destaca que o sistema de teleatendimento “amplia o acesso da população à perícia médica, especialmente em regiões com escassez de profissionais peritos” e contribui para “evitar que os segurados enfrentem longos deslocamentos”.
O esforço se soma a outros mutirões que vêm sendo organizados quinzenalmente. Quem não conseguiu vaga nas rodadas anteriores tem nova chance neste fim de semana e, segundo a pasta, pode se programar para as próximas datas. A iniciativa também busca melhorar a imagem de um serviço frequentemente associado a filas, cancelamentos e reagendamentos sucessivos.
A agenda de atendimentos pode ser antecipada pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h, ou pelo Meu INSS, disponível em site e aplicativo. Após a confirmação do agendamento, o segurado precisa comparecer à agência escolhida no dia e horário marcados, com documentos pessoais e laudos médicos atualizados.
Rotina de mutirões e próximos passos
O modelo de força-tarefa vem sendo adotado como política permanente. A Previdência Social afirma que os mutirões ocorrem a cada 15 dias, com atendimento em diferentes regiões do país, de acordo com a demanda local. A próxima rodada já tem data definida: 25 e 26 de abril de 2026.
A repetição da estratégia indica que o governo aposta nos mutirões como forma de impedir o crescimento da fila e responder à pressão social por celeridade. O desempenho deste fim de semana, com quase 13 mil perícias previstas, será um termômetro importante para medir se o formato consegue dar conta do acúmulo de pedidos sem virar um paliativo permanente.
Especialistas em políticas públicas costumam lembrar que ações concentradas ajudam a aliviar picos de demanda, mas não substituem reforço estrutural de equipes, melhoria de sistemas e gestão mais estável do fluxo de pedidos. O governo, por sua vez, sinaliza que a ampliação da Perícia Conectada é um dos caminhos para ganhar escala sem abrir mão de controle técnico.
À medida que a tecnologia se consolida no atendimento previdenciário, a experiência deste mutirão pode servir de laboratório para futuros ajustes. A reação de segurados, peritos e servidores do INSS deve orientar mudanças em protocolos, treinamento e infraestrutura das agências.
Com uma nova rodada já marcada para o fim de abril, o desafio agora é transformar a força-tarefa em resultados duradouros. A fila anda neste fim de semana, mas a pergunta que permanece é se o ritmo de mutirões e teleatendimentos será suficiente para acompanhar a demanda de um país que envelhece rápido e depende, cada vez mais, de um sistema previdenciário ágil e confiável.
