Muller aponta principal responsável por eliminação do Santos no Paulista
O ex-atacante Muller, hoje comentarista da TV Gazeta, escolhe ao vivo o maior responsável pela eliminação do Santos no Campeonato Paulista, na noite de 23 de fevereiro de 2026. A análise, feita no programa Mesa Redonda, expõe falhas de gestão e desempenho em um momento de pressão máxima para o clube.
Mesa Redonda vira tribunal para o Santos
Em um estúdio acostumado a debates quentes, Muller chega ao ponto central sem rodeios. Ele afirma que a eliminação santista não é acidente, mas resultado direto de decisões equivocadas ao longo da temporada. O ex-jogador, campeão mundial em 1994 e com mais de 20 anos de carreira profissional, usa o peso da própria trajetória para sustentar o diagnóstico.
Ao comentar a queda no Estadual, ele mira primeiro na direção do futebol. Segundo o ex-atacante, a montagem do elenco para 2026 não acompanha o nível de exigência do Campeonato Paulista, um torneio que hoje tem pelo menos quatro clubes com investimentos acima dos R$ 100 milhões anuais. “O torcedor olha para o campo e não se reconhece nesse time. Isso não começa no vestiário, começa no gabinete”, afirma, em referência à cúpula do clube.
Gestão, elenco e banco de reservas sob escrutínio
Muller descreve a campanha no Paulista como um roteiro anunciado. Em partidas decisivas da fase de grupos, o Santos desperdiça vantagens, sofre gols nos minutos finais e demonstra clara dificuldade para controlar o ritmo dos jogos. O comentarista lembra que, em pelo menos três rodadas, o time abre o placar e cede o empate ou a virada na reta final, um sinal de fragilidade coletiva mais profunda que a simples falta de pontaria.
Ao apontar o que considera o maior culpado, ele volta à diretoria. Critica contratações em série de jogadores medianos, muitas vezes com salários próximos da casa dos R$ 300 mil, enquanto lacunas óbvias permanecem abertas. Fala em “planejamento de curto prazo” e cita a troca frequente de treinadores, fenômeno que obriga o time a reaprender conceitos a cada poucos meses. Esse ciclo, avalia, mina qualquer tentativa de construir um padrão de jogo estável em 2026.
O treinador também entra na pauta. Muller ressalta que, dentro de campo, decisões na beira do gramado aceleram o desgaste. Ele cita substituições defensivas com o placar apertado e um recuo precoce do time, algo que deixa o Santos exposto à pressão adversária. “Quando você chama o rival para o seu campo com 20, 25 minutos para acabar, está pedindo problema”, comenta, em tom didático. A crítica, porém, funciona mais como consequência da estrutura falha do que como causa isolada.
O ex-jogador destaca a distância entre o discurso público e a realidade esportiva. Enquanto dirigentes falam em “reconstrução gradual” e “processos internos”, o torcedor assiste, ano após ano, a campanhas que ficam pelo caminho já na fase classificatória. Em 2025, o Santos encerra o Paulista sem chegar às semifinais. Em 2026, repete o roteiro, desta vez com menos pontos e uma defesa mais vazada na comparação com a edição anterior.
Pressão da torcida cresce e debate se espalha
A fala de Muller circula rapidamente nas redes sociais e ganha força entre torcedores organizados e conselheiros. Em grupos de WhatsApp e fóruns de discussão, a entrevista é compartilhada com trechos editados, alguns com mais de 100 mil visualizações em poucas horas. O ponto que mais repercute é a tese de que o torcedor “não pode mais aceitar desculpa de calendário” diante de uma sequência de resultados ruins que atravessa pelo menos três temporadas completas.
Especialistas convidados do mesmo programa reforçam a linha crítica. Um deles lembra que o Santos, que já decide Campeonato Paulista com frequência entre as décadas de 2000 e 2010, agora observa rivais diretos ocuparem as fases finais de forma recorrente. Em 2024, 2025 e 2026, o clube fica fora da disputa pelo título estadual, enquanto vê rivais paulistas somarem taças e premiações milionárias que podem passar de R$ 5 milhões por campanha bem-sucedida.
Na prática, a eliminação impacta o caixa e a imagem. Sem avançar, o clube perde receita de bilheteria em jogos de mata-mata, deixa de negociar cotas extras de patrocínio de uniforme e reduz exposição em horário nobre de TV aberta. O resultado também pesa em futuras negociações com atletas, que tendem a priorizar projetos esportivos mais sólidos e presença constante em finais e competições nacionais.
Risco de ruptura e busca por um novo rumo
Dirigentes santistas acompanham a repercussão com preocupação. Conselheiros falam reservadamente em antecipar discussões sobre mudanças estruturais no departamento de futebol, com prazo interno de 30 a 60 dias para apresentar propostas ao conselho deliberativo. A pressão da arquibancada, que já cobra mais transparência em números de dívida e folha salarial, tende a crescer em jogos da sequência da temporada.
Muller insiste, no encerramento do programa, que a saída passa por um projeto de longo prazo, com metas claras de desempenho para dois ou três anos, e não apenas para o próximo clássico. “Se o Santos não entender que precisa se planejar como clube grande, o Paulista vai continuar terminando cedo”, resume. A eliminação deste ano, transformada em tema central do Mesa Redonda, abre um debate que o clube não consegue mais adiar: quem assume, de fato, a responsabilidade por recolocar o time entre os protagonistas do futebol paulista.
