Muller aponta principal culpado por eliminação do Santos no Paulistão
Muller não poupa o Santos ao analisar a eliminação precoce no Campeonato Paulista. No Mesa Redonda deste domingo (23), o ex-atacante aponta responsabilidades claras e cobra mudanças internas no clube.
Mesa Redonda vira tribunal para queda santista
O relógio marca o fim de fevereiro de 2026, mas o clima na Vila Belmiro ainda é de janeiro em crise. A eliminação do Santos no Paulistão, antes mesmo das fases decisivas, segue ecoando entre torcedores, dirigentes e ex-jogadores. No estúdio da TV Gazeta, Muller assume o papel de acusador e analista ao mesmo tempo, disposto a organizar o caos em torno do fracasso alvinegro.
Durante o programa Mesa Redonda, na noite deste domingo (23), o ex-camisa 7 destrincha o desempenho santista e se recusa a tratar a queda como acidente de percurso. Ele fala em responsabilidade acumulada, decisões erradas e um elenco que não responde quando o calendário aperta. O tom é de cobrança direta, sem blindagem para comissão técnica, jogadores e cúpula executiva.
Gestão entra na linha de tiro de Muller
Muller dedica boa parte de sua análise à condução do futebol santista. O ex-atacante vê um padrão de escolhas equivocadas, tanto na montagem do elenco quanto na troca recorrente de treinadores. A leitura acompanha a sequência recente do clube, que em menos de cinco anos troca de técnico em quase todas as temporadas e raramente conclui um projeto de longo prazo.
Em um dos momentos mais duros da noite, ele afirma que a eliminação no Estadual expõe mais do que um time em má fase. Para ele, o Paulistão funciona como radiografia de problemas estruturais que atravessam temporadas. “Quando você cai cedo no Paulista, não é só porque a bola não entrou. É porque muita coisa foi feita errada antes da bola rolar”, diz, olhando fixo para a câmera.
O comentarista destaca que a competição, disputada em pouco mais de dois meses, cobra regularidade imediata. Clubes que falham em planejamento pagam o preço cedo. Cada ponto desperdiçado entre a primeira e a oitava rodada pesa, e a margem para reação é mínima. No caso do Santos, a combinação de tropeços em casa, atuações irregulares fora e um sistema defensivo vulnerável forma a base da crítica de Muller.
Ele lembra que o clube, historicamente protagonista no Estado, vive um contraste com a própria biografia. Entre 2010 e 2016, o Santos chega a seis finais estaduais em sete anos e ergue quatro taças. Na atual década, porém, o time alterna campanhas medianas e queda precoce. “O torcedor do Santos se acostumou a decidir título em abril. Agora assiste a jogo decisivo pela televisão. Isso tem um responsável”, afirma.
Comissão técnica e jogadores também são cobrados
A análise não se limita ao gabinete presidencial. Muller mira também as quatro linhas. Ele critica a postura de um elenco que, em sua visão, parece sentir o peso da camisa nos momentos decisivos. Jogos em que o Santos sai na frente e permite a virada, ou empates em casa contra adversários de menor investimento, entram no balanço negativo que culmina na eliminação.
O ex-jogador questiona a falta de reação em campo. Para ele, um time que briga por vaga em mata-mata precisa manter intensidade nos 90 minutos, sobretudo nas rodadas finais. A sequência de resultados ruins na reta decisiva do Paulista, com gols sofridos após os 30 minutos do segundo tempo, é apontada como sintoma de um grupo desequilibrado física e mentalmente.
O trabalho da comissão técnica também entra na pauta. Muller não ignora as limitações financeiras do clube, mas argumenta que isso não justifica desorganização. Ele cita falhas recorrentes de marcação, espaçamento entre setores e dificuldade para reagir a mudanças táticas dos adversários. “Você pode ter um elenco mais modesto, mas precisa ter ideia clara de jogo. O Santos muitas vezes parece um time que se encontra só no improviso”, afirma.
No estúdio, a leitura encontra eco em parte da bancada, que relembra erros de substituições, insistência em jogadores em má fase e demora para promover jovens da base. A pressão aumenta porque o Estadual costuma ser visto como laboratório para o restante do ano. Uma campanha ruim em pouco mais de 12 rodadas deixa o clube sem calendário relevante por meses, derruba receita de bilheteria e esfria o ambiente com a torcida.
Impacto na torcida e na imagem do clube
A eliminação no Paulista não abala apenas a tabela. A relação entre clube e arquibancada sofre novo abalo. Em 2025, o Santos já registra queda significativa de público em jogos de menor apelo. Em 2026, a tendência se acentua com a perda precoce de protagonismo estadual. Muller destaca esse ponto ao lembrar que o torcedor santista vive, há anos, a oscilação entre início de temporada esperançoso e frustração antes do meio do ano.
A análise do ex-atacante repercute quase em tempo real nas redes sociais. Trechos de sua fala circulam em perfis de torcedores e páginas esportivas. Alguns santistas defendem dirigentes e apontam limitações financeiras e arbitragem como parte do problema. Outros abraçam o diagnóstico duro e cobram mudanças mais profundas nas eleições internas e na composição do departamento de futebol.
O impacto da fala de Muller vai além da catarse de domingo à noite. Comentários de ex-jogadores em programas de grande audiência costumam pautar as conversas seguintes na imprensa esportiva. Nas rádios e portais da segunda-feira, a discussão sobre a “culpa” pela eliminação tende a ganhar novos capítulos, com análises de números, bastidores de vestiário e respostas, ainda que indiretas, de dirigentes e membros da comissão técnica.
Do ponto de vista esportivo, o prejuízo é imediato. Sem avançar no Paulistão, o Santos perde a chance de disputar premiação mais robusta, reduz a exposição de marca em jogos de TV aberta e diminui a vitrine para eventuais vendas de jogadores. Em um clube que há anos equilibra o orçamento com negociações de atletas formados na base, qualquer queda de receita pesa.
Debate pressiona diretoria por respostas
O comentário de Muller chega em um momento em que o torcedor já começa a olhar para a temporada com desconfiança. Com a eliminação confirmada ainda em fevereiro, o clube precisa reorganizar o ano em torno de competições nacionais e, eventualmente, disputas continentais. A janela de transferências se torna ainda mais sensível. Qualquer contratação mal avaliada agora tende a ser lembrada como continuidade do erro estrutural apontado no Mesa Redonda.
Nos bastidores, a pressão é para que a diretoria se manifeste com mais do que frases genéricas. A expectativa é por um plano detalhado: metas claras para o Brasileirão, critérios objetivos para manutenção ou troca de comissão técnica, e uma política transparente para o uso da base. A análise de Muller ajuda a cristalizar essa cobrança, porque traduz o sentimento difuso da arquibancada em diagnóstico direto, com endereço certo.
A partir desta semana, a bola está com o comando santista. Responder às críticas com resultados em campo é o caminho mais rápido para deslocar o foco do fracasso no Paulista para uma possível recuperação no restante do ano. O risco é que a inércia confirme o prognóstico do ex-jogador e transforme a eliminação de fevereiro em prenúncio de um 2026 inteiro de frustrações. A pergunta que fica no ar é se o Santos terá tempo, disposição e coragem política para virar esse jogo antes que a temporada o engula de vez.
