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Mulher morre prensada entre caminhão e mureta na BR-381 em MG

Uma mulher de cerca de 60 anos morre prensada entre um caminhão e a mureta de proteção na BR-381, em Bom Jesus do Amparo, na manhã desta sexta-feira (13). O acidente envolve dois carros e dois caminhões e fecha uma das pistas no sentido Vitória (ES), na Região Central de Minas Gerais.

Colisões em sequência e pista bloqueada

O trânsito na BR-381 desacelera pouco depois do amanhecer, quando motoristas percebem dois caminhões e dois carros destruídos no acostamento e sobre a faixa da direita. O Corpo de Bombeiros confirma a morte da passageira do Fiat Palio e o resgate do motorista, levado consciente para um hospital pela ambulância da concessionária Nova 381.

A batida começa quando um carro de passeio roda na pista, no sentido Vitória, por volta das primeiras horas da manhã. Um caminhão que segue logo atrás consegue frear. O segundo caminhão, porém, não evita a colisão e atinge a traseira do veículo de carga, iniciando um efeito em cadeia no trecho, que é um dos mais movimentados de Minas Gerais.

Enquanto os dois veículos de carga ainda desaceleram, o Fiat Palio, que vem atrás, tenta passar pelo espaço estreito entre a mureta de concreto e o segundo caminhão. O motorista busca um vão para escapar do engavetamento. O carro, no entanto, bate na barreira de proteção e é comprimido pelo baú da carreta contra a mureta. A passageira morre na hora, presa às ferragens no banco do carona.

Imagens enviadas por motoristas à rádio Itatiaia mostram o Palio completamente destruído na lateral direita, encostado na mureta, e os dois caminhões com a dianteira avariada. Em outro ponto da cena, o primeiro carro envolvido no acidente aparece com a traseira amassada, sinal da sequência de impactos que transforma o trecho em um corredor de sucata metálica em poucos segundos.

Rodovia crítica volta ao centro do debate

A BR-381, que liga Belo Horizonte ao Espírito Santo e ao sul da Bahia, volta a expor sua fama trágica, construída ao longo de décadas de acidentes graves. O trecho entre a capital mineira e Governador Valadares, onde fica Bom Jesus do Amparo, é conhecido por curvas fechadas, fluxo intenso de carretas e recorrentes registros de colisões frontais e engavetamentos.

Equipes da Polícia Rodoviária Federal e da perícia da Polícia Civil chegam ao local para isolar a área e levantar informações sobre velocidade, distância entre veículos e sinalização. A pista em direção a Vitória fica totalmente interditada durante o atendimento e a perícia, o que provoca lentidão e filas de caminhões e carros de passeio em plena sexta-feira, início de um fim de semana de verão.

Os investigadores avaliam marcas de frenagem, posição final dos veículos e possíveis falhas humanas na condução. A dinâmica já conhecida indica uma sequência típica de rodovia congestionada: perda de controle de um veículo leve, reação imediata de um caminhão, choque traseiro de outro pesado e tentativa de desvio de um quarto veículo, que, desta vez, termina em tragédia.

Responsáveis por campanhas educativas reforçam, mais uma vez, o alerta sobre a distância segura entre veículos, sobretudo em trechos dominados por carretas. “Em rodovias como a BR-381, qualquer perda de controle pode gerar um efeito dominó em poucos instantes”, afirma um agente ouvido pela reportagem. A combinação de tráfego pesado, pressa de motoristas e espaço reduzido para manobras transforma cada frenagem brusca em risco real de engavetamento.

Impacto imediato e alerta para segurança

O bloqueio da faixa no sentido Vitória afeta diretamente o escoamento de cargas entre Belo Horizonte e o litoral capixaba, rota usada por transportadoras, ônibus de linha e veículos de passeio. A pista parcialmente liberada só retoma o fluxo de maneira gradual após a retirada do Palio e dos caminhões, operação que envolve guinchos pesados e apoio da concessionária.

Motoristas que passam pelo trecho reduzem a velocidade e observam o cenário de destruição, que funciona como um lembrete concreto da fragilidade de quem divide espaço com veículos de grande porte. Para muitos, a sexta-feira começa com atraso, desvios e incerteza, enquanto equipes de resgate removem destroços e limpam a pista para evitar novos acidentes.

Os bombeiros destacam a violência do impacto que atinge o Palio. O corpo da passageira só é retirado após trabalho cuidadoso de desencarceramento, procedimento que exige corte da lataria com ferramentas hidráulicas. O motorista, único sobrevivente no carro, segue para atendimento médico sob observação, e seu estado de saúde não é detalhado até o fim da manhã.

O caso se soma a outras ocorrências recentes na BR-381, incluindo colisões com mortes e bloqueios prolongados que afetam moradores de cidades ao longo do traçado e motoristas em trânsito interestadual. A recorrência alimenta a pressão por melhorias estruturais, como duplicação, sinalização mais clara e fiscalização constante de velocidade e distância entre veículos.

Investigações, responsabilização e próximos passos

A perícia da Polícia Civil colhe dados no local e deve ouvir motoristas envolvidos, testemunhas e equipes de resgate para definir as responsabilidades pela batida em cadeia. Os laudos técnicos costumam levar semanas para ficar prontos, mas as primeiras informações já indicam uma sequência de decisões e reações em poucos segundos que termina com a morte da passageira do Palio.

A concessionária Nova 381, responsável pelo trecho, fornece apoio ao atendimento e monitora o trânsito por meio de câmeras e equipes em campo. A empresa deve encaminhar relatórios às autoridades sobre o tempo de resposta ao acidente, condições da pista no momento da batida e registros de velocidade. Esses dados alimentam estudos que podem embasar novas ações de engenharia e campanhas de conscientização.

Moradores de cidades cortadas pela BR-381 cobram, há anos, obras de ampliação e melhorias que prometem reduzir o número de colisões e mortes. Em alguns trechos, projetos de duplicação avançam em ritmo desigual, com trechos concluídos, frentes de trabalho paradas e disputas contratuais. Enquanto o calendário de obras se arrasta, motoristas seguem se arriscando diariamente em pistas estreitas, com poucos espaços de fuga.

O acidente desta sexta-feira reacende a pergunta que ronda a BR-381 sempre que uma tragédia acontece: até quando uma das principais rodovias de Minas continuará combinando fluxo intenso, trechos problemáticos e decisões de segundos que custam vidas?

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