Mulher morre em acidente em brinquedo ‘minhocão’ em parque de Itabirito
Uma mulher morre na noite de sábado (11) após o desprendimento da estrutura de um brinquedo tipo “minhocão” no Minas Center Park, no Centro de Itabirito (MG). Outras duas pessoas ficam feridas e são socorridas por equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu.
Estrutura se rompe durante a diversão em família
O clima de diversão do parque itinerante, instalado na região central da cidade, se transforma em pânico pouco depois das 20h. Testemunhas relatam gritos e correria quando parte da estrutura metálica do “minhocão” se desprende e cai, atingindo visitantes que ocupavam a atração.
De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o impacto provoca ferimentos em pelo menos três pessoas. Uma visitante entra em parada cardiorrespiratória ainda no local. Socorristas do Samu e da própria corporação iniciam manobras de reanimação por vários minutos, mas a mulher não resiste. O óbito é confirmado na área interna do parque.
A Polícia Militar afirma que outras duas vítimas sofrem ferimentos leves e são encaminhadas a unidades de saúde da região. Até o fim da noite, o parque permanece isolado, enquanto peritos da Polícia Civil iniciam a coleta de evidências no brinquedo e no entorno. O número exato de pessoas a bordo da atração no momento do acidente ainda não é divulgado oficialmente.
Minas Center Park fala em manutenção regular e diz colaborar
O Minas Center Park se apresenta nas redes sociais como um “parque de diversões itinerante” que circula por cidades do interior. Em nota publicada poucas horas após o acidente, a administração lamenta a morte da visitante e afirma prestar solidariedade à família. A empresa diz acionar os serviços de emergência assim que percebe o rompimento da estrutura.
“Desde o primeiro momento, o Minas Center Park adotou todas as medidas cabíveis, acionando prontamente os serviços de atendimento e colaborando integralmente com as autoridades competentes”, afirma o comunicado. O parque declara ainda que está “à disposição das autoridades para apuração completa dos fatos, contribuindo de forma transparente com as investigações, a fim de esclarecer as circunstâncias do ocorrido”.
A direção sustenta que atua em conformidade com normas técnicas e de segurança e diz manter rotinas de manutenção e fiscalização de seus equipamentos. Na prática, a investigação da Polícia Civil e de órgãos municipais deverá verificar se havia laudos atualizados, ARTs de engenheiros responsáveis e vistorias recentes do Corpo de Bombeiros e da prefeitura, como costuma ser exigido para a operação de parques itinerantes em Minas Gerais.
Autoridades locais tratam o episódio como um alerta para a cidade, que recebe atrações do tipo com frequência em datas comemorativas e períodos de férias escolares. O município soma pouco mais de 50 mil habitantes, segundo estimativas do IBGE, e depende desses eventos para reforçar o calendário de lazer e o movimento do comércio no Centro.
Tragédia reacende debate sobre fiscalização de parques itinerantes
O acidente em Itabirito volta a expor a vulnerabilidade de grandes brinquedos em estruturas temporárias. Parques itinerantes dependem de desmontagem e remontagem constantes, muitas vezes em poucos dias, o que aumenta a necessidade de inspeções minuciosas de travas, parafusos e sistemas de sustentação a cada montagem.
Especialistas em segurança de equipamentos de diversão costumam apontar três pontos críticos: a qualidade da manutenção, a capacitação das equipes de operação e a regularidade das vistorias do poder público. Quando uma dessas frentes falha, o risco de acidentes graves cresce de forma significativa, mesmo em brinquedos considerados tradicionais.
No caso específico do “minhocão”, que simula o movimento de uma centopeia ou trem em trilhos baixos, a expectativa do visitante é de um brinquedo de risco moderado, associado sobretudo a crianças e famílias. O rompimento de uma parte da estrutura, porém, indica um problema estrutural mais sério do que uma falha pontual de operação e tende a orientar a linha principal das investigações.
A comoção em Itabirito repercute entre frequentadores de parques em outras cidades da região central de Minas. Em redes sociais, moradores relatam insegurança e cobram explicações públicas sobre a última vistoria do equipamento. A pressão recai não apenas sobre o parque, mas também sobre a prefeitura e órgãos de fiscalização, responsáveis por liberar o funcionamento da estrutura em área urbana.
Investigações, responsabilização e possíveis mudanças nas regras
O inquérito da Polícia Civil deve ouvir operadores do brinquedo, responsáveis técnicos, representantes do Minas Center Park e familiares das vítimas nos próximos dias. A perícia busca identificar se o desprendimento da estrutura decorre de fadiga do material, erro de montagem, sobrecarga de peso, falha de projeto ou combinação desses fatores.
Em caso de comprovação de negligência, os envolvidos podem responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, além de lesão corporal em relação às pessoas feridas. A apuração administrativa da prefeitura tende a avaliar se o parque descumpre exigências de segurança, o que pode resultar em multas, interdição prolongada e até proibição de novas licenças na cidade.
O episódio pressiona ainda o debate sobre atualização de regras para parques itinerantes em nível estadual e municipal. Uma das possibilidades é a exigência de laudos estruturais mais frequentes, com prazos máximos de 6 ou 12 meses, além de inspeções técnicas obrigatórias a cada remontagem do parque em um novo terreno. Outra frente em discussão é o reforço da transparência, com a divulgação, em local visível ao público, da data da última vistoria e do engenheiro responsável.
Enquanto a investigação avança, o brinquedo permanece interditado e o futuro da operação do Minas Center Park em Itabirito é incerto. A morte da visitante, ocorrida em uma noite comum de lazer de fim de semana, deixa uma pergunta incômoda para autoridades e empresários do setor: quantas camadas de controle ainda serão necessárias para que a diversão não termine em luto?
