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Rio de Janeiro

Mpox: governo amplia pedido para 25 mil doses de vacina após alta de casos; veja quem pode se imunizar

Ministro Alexandre Padilha anunciou aumento de 20 mil para 25 mil doses solicitadas à Opas; vacinação pelo SUS continua restrita a grupos prioritários, e novas entregas ainda dependem da disponibilidade internacional.

Mpox: governo amplia pedido para 25 mil doses de vacina após alta de casos; veja quem pode se imunizar

O Ministério da Saúde ampliou de 20 mil para 25 mil doses o pedido de vacinas contra a mpox, doença viral que voltou a registrar aumento de casos em algumas capitais brasileiras. A atualização foi anunciada neste domingo (8) pelo ministro Alexandre Padilha, que destacou a necessidade de reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da ampliação, a vacinação continua restrita a grupos considerados prioritários.

A aquisição será realizada por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mecanismo utilizado para facilitar o acesso a imunizantes. Segundo Padilha, a pasta conseguiu aumentar em 5 mil doses a quantidade solicitada ao fabricante internacional. O Ministério da Saúde também estuda ampliar o aproveitamento dos frascos com a aplicação intradérmica em determinados grupos, estratégia que pode permitir o uso de uma quantidade menor de vacina por aplicação.

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A medida ocorre em meio ao crescimento dos diagnósticos de mpox em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. O Brasil registrou 665 casos confirmados em 2026 até o balanço nacional divulgado pelo governo, número 94% inferior ao observado durante o surto de 2022. Mesmo assim, autoridades sanitárias reforçam a importância da identificação precoce dos sintomas e da proteção de pessoas com maior risco de desenvolver complicações.

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Quem pode tomar a vacina contra mpox pelo SUS?

A vacinação contra mpox não está liberada para toda a população brasileira. O Ministério da Saúde mantém uma estratégia direcionada a pessoas com maior risco de agravamento da doença e a determinados grupos expostos ao vírus.

A prioridade nacional é para pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam imunossupressão grave, identificada pela contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico de sangue.

Esse grupo apresenta maior vulnerabilidade a complicações e, por isso, tem preferência na utilização das doses disponíveis.

O esquema prevê duas aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas.

Pessoas que atendem a esse critério devem procurar o centro de referência onde já realizam acompanhamento médico para receber orientações sobre cadastro e agendamento.

Quando existem doses remanescentes, a vacinação também pode ser ampliada para outros públicos, conforme as orientações sanitárias e a disponibilidade local.

Entre eles estão pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de CD4 inferior a 200 células, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras relacionadas ao vírus da mpox.

A vacina também pode ser indicada a pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação dos serviços de vigilância em saúde.

A inclusão nesses grupos não significa que a vacina esteja imediatamente disponível em qualquer unidade de saúde. O acesso depende da oferta de doses e dos procedimentos definidos pelas autoridades locais.

Por que o governo aumentou o pedido para 25 mil doses?

Na quinta-feira (5), o Ministério da Saúde havia anunciado a autorização para adquirir até 20 mil doses do imunizante.

Neste domingo (8), Alexandre Padilha informou que o pedido foi ampliado para 25 mil unidades.

Mpox: Ministério da Saúde garante 25 mil doses de vacina. Foto: Ministério da Saúde
Mpox: Ministério da Saúde garante 25 mil doses de vacina. Foto: Ministério da Saúde

A negociação ocorre por meio da Opas, que atua na aquisição internacional de vacinas para os países da região das Américas.

A ampliação pretende recompor os estoques estratégicos brasileiros e garantir que o SUS tenha condições de responder ao crescimento de casos em regiões específicas.

Segundo o ministro, a oferta internacional é limitada porque existe apenas um fabricante com vacina contra mpox pré-qualificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A nova quantidade representa um aumento de 25% em relação ao pedido anunciado inicialmente.

Entretanto, o reforço solicitado não significa que as 25 mil doses já tenham chegado ao país.

A entrega dependerá da disponibilidade internacional, da conclusão dos procedimentos de aquisição e da distribuição aos estados.

Até o anúncio, não havia sido informado um calendário definitivo para o recebimento de todas as unidades solicitadas.

Aplicação intradérmica pode aumentar aproveitamento das vacinas

Outra medida mencionada por Alexandre Padilha envolve a utilização da via intradérmica para aplicar a vacina em determinados grupos.

Nessa técnica, o imunizante é administrado em uma camada superficial da pele, utilizando uma quantidade menor do produto por aplicação.

Segundo o ministro, a estratégia pode permitir que o conteúdo de uma dose convencional seja utilizado em até cinco aplicações intradérmicas, quando essa modalidade estiver indicada e autorizada pelas orientações técnicas.

Isso não significa que qualquer pessoa poderá receber a vacina em dose reduzida.

A utilização da via intradérmica depende das recomendações oficiais, da avaliação dos profissionais de saúde e das características dos grupos contemplados.

A estratégia busca ampliar o número de aplicações possíveis diante da oferta limitada de imunizantes no mercado internacional.

Rio de Janeiro registra aumento de casos e recebe reforço de vacinas

O Rio de Janeiro está entre os estados que registraram crescimento recente dos diagnósticos de mpox.

Segundo dados divulgados neste domingo, o estado chegou a 346 casos confirmados em 2026, contra 119 registrados durante todo o ano anterior.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 174,6% em relação ao total de 2025.

Na capital fluminense, foram confirmados 81 casos somente em outubro, o maior número mensal desde setembro de 2022, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A elevação dos registros levou o Ministério da Saúde a reforçar os estoques locais.

Na quarta-feira (4), a pasta enviou mais 2 mil doses da vacina contra mpox ao estado.

Com a remessa, o total de doses destinadas ao Rio de Janeiro em 2026 chegou a 3,5 mil, conforme o balanço federal.

A distribuição entre os municípios é coordenada pela Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a aplicação fica sob responsabilidade dos serviços municipais.

Novos envios poderão ocorrer conforme a evolução dos casos e a disponibilidade nacional.

São Paulo também registra crescimento recente da mpox

O estado de São Paulo confirmou 67 novos casos de mpox entre 4 de outubro e 6 de novembro.

Com isso, o total de diagnósticos registrados em 2026 chegou a 300, sendo 197 na capital paulista.

O aumento nas últimas semanas levou as autoridades sanitárias a reforçar o monitoramento e a importância da identificação precoce de possíveis infecções.

Apesar do crescimento recente, o total acumulado permanece abaixo dos números observados nos dois anos anteriores.

Em 2025, São Paulo contabilizou 423 casos. Em 2024, foram 1.134 confirmações.

Até o levantamento divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, não havia registro de mortes pela doença no estado em 2026.

O aumento localizado dos diagnósticos não significa, por si só, que o Brasil esteja enfrentando um surto da mesma dimensão daquele registrado em 2022.

Quais são os sintomas da mpox?

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus.

Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios, fraqueza e aumento dos linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas.

Uma das principais características é o surgimento de lesões na pele ou nas mucosas.

Essas alterações podem começar como manchas, evoluir para elevações e bolhas com líquido e, posteriormente, formar crostas.

As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, na região genital, no ânus e em outras partes do corpo.

Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas. Em algumas situações, as lesões podem surgir sem febre ou outros sinais gerais.

A maioria dos casos apresenta evolução leve ou moderada e melhora em aproximadamente duas a quatro semanas.

Entretanto, pessoas com comprometimento do sistema imunológico e outros grupos vulneráveis podem desenvolver quadros mais graves.

Como a mpox é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com uma pessoa infectada, especialmente com lesões na pele, mucosas ou secreções contaminadas.

O vírus pode ser transmitido durante beijos, abraços prolongados, relações sexuais e outras situações que envolvam contato direto.

Também existe risco ao compartilhar roupas, toalhas, lençóis e objetos contaminados.

A mpox não é uma infecção exclusiva de pessoas sexualmente ativas. Qualquer pessoa exposta ao vírus pode desenvolver a doença.

Por isso, as orientações de prevenção devem ser adotadas por todas as pessoas que tenham contato com um caso suspeito ou confirmado.

Quem teve contato com uma pessoa infectada pode receber a vacina?

Sim. Em determinadas situações, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação após a exposição ao vírus.

A indicação depende de uma avaliação do risco realizada pelos profissionais de saúde.

A vacinação pós-exposição é recomendada preferencialmente nos primeiros quatro dias depois do contato.

A aplicação também pode ocorrer até 14 dias após a exposição, mas a capacidade de prevenir a infecção diminui depois dos primeiros dias.

Nesse período, a imunização ainda pode contribuir para reduzir o risco de agravamento.

Quem teve contato próximo com uma pessoa com suspeita ou confirmação de mpox deve procurar uma unidade de saúde para receber orientações.

A decisão sobre a aplicação considera o tipo de contato, a disponibilidade de doses e os critérios estabelecidos pela vigilância epidemiológica.

O que fazer em caso de suspeita de mpox?

Pessoas que apresentam lesões suspeitas na pele ou nas mucosas devem procurar atendimento médico, especialmente se também houver febre, ínguas ou histórico de contato com alguém infectado.

O diagnóstico pode ser confirmado por exames laboratoriais realizados a partir de amostras coletadas das lesões.

Até a avaliação médica, a recomendação é evitar contato físico próximo e não compartilhar objetos pessoais.

Também é importante higienizar as mãos com frequência e seguir as orientações de isolamento.

Em casos confirmados, o isolamento geralmente deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões e a formação de uma nova camada de pele.

Não há medicamento específico aprovado no Brasil para o tratamento rotineiro da mpox. O atendimento envolve controle dos sintomas, prevenção de complicações e suporte clínico.

Pacientes que apresentam sinais de agravamento podem necessitar de acompanhamento especializado e internação.

Próximos passos

O Ministério da Saúde deverá continuar as negociações para adquirir as 25 mil doses solicitadas por meio da Opas.

A distribuição dependerá da chegada dos imunizantes ao Brasil e das necessidades identificadas pelos estados.

Enquanto isso, a estratégia nacional continuará priorizando pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da mpox e determinados grupos expostos ao vírus.

As secretarias estaduais e municipais de saúde também deverão manter o monitoramento dos casos e a investigação de possíveis contatos.

A orientação à população é procurar atendimento diante de sintomas suspeitos e acompanhar as informações oficiais sobre a disponibilidade de vacinas nos serviços de referência.