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Morre Mulher Banana, ícone trans do funk carioca aos 34 anos

Julyana Barbosa, conhecida como Mulher Banana, marcou o funk carioca como pioneira trans e ex-Furacão 2000.

Morre Mulher Banana, ícone trans do funk carioca aos 34 anos

Julyana Barbosa, cantora conhecida como Mulher Banana e um dos rostos mais emblemáticos do funk carioca, morreu neste sábado (31) no Rio de Janeiro. Pioneira trans na cena musical do gênero, ela deixa um legado para o funk e para a comunidade LGBTQIA+, enquanto fãs e artistas cobram mais valorização e proteção a artistas travestis e transexuais.

Quando e como Mulher Banana morreu?

Julyana Barbosa morreu neste sábado, 31 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, mas a causa da morte ainda não foi divulgada pela família ou por pessoas próximas. A informação veio a público por meio de uma homenagem postada nas redes sociais pela cantora Tati Quebra Barraco, que lamentou a partida da amiga e colega de funk.

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Em publicação acompanhada de uma foto das duas, Tati escreveu: “Uma grande perda para o mundo do funk! Nossa querida Mulher Banana nos deixou. Descanse em paz! Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos os fãs. Que Deus conforte o coração de todos neste momento difícil.”

Até o momento, não há detalhes sobre velório e enterro, o que aumenta a expectativa de fãs e da imprensa por informações oficiais. A ausência de esclarecimentos também alimenta especulações, algo que preocupa quem defende respeito à memória da artista.

Quem foi Mulher Banana, a funkeira da Furacão 2000?

Mulher Banana foi uma das primeiras mulheres trans a alcançar projeção na cena do funk carioca, tornando-se referência em representatividade num ambiente historicamente dominado por homens. Nascida Julyana Barbosa, ela ganhou visibilidade ao integrar o projeto Furacão 2000, que impulsionou o funk do Rio de Janeiro para o restante do país.

Seu grande marco foi a música “Mulher Banana”, hit que deu origem ao nome artístico e virou sua assinatura nos bailes e programas de TV. Na mesma época, ela também ficou conhecida como Garota X em aparições ligadas ao universo do funk. Com figurinos ousados, humor afiado e presença de palco marcante, Julyana cravou seu espaço como símbolo de irreverência e liberdade.

Além da carreira musical, ela usava as redes sociais para relembrar momentos importantes da trajetória e para mostrar a rotina, aproximando-se de um público fiel que acompanhava sua história desde os primeiros bailes até a era digital.

Repercussão e homenagens nas redes

A notícia da morte de Mulher Banana provocou uma onda de homenagens imediatas nas redes sociais, especialmente de artistas e fãs ligados ao funk e à luta LGBTQIA+. Além de Tati Quebra Barraco, a funkeira MC Xuxu também destacou o peso da trajetória de Julyana para a comunidade travesti.

“Mulher Banana, sua irreverência, sua ousadia e sua existência fazem parte da história do funk e da resistência travesti brasileira. Que seu nome seja lembrado, respeitado e celebrado”, escreveu MC Xuxu.

Comentários de fãs lembram não só a importância musical, mas também o impacto emocional de ver uma mulher trans em posição de destaque em um dos gêneros mais populares do país. Muitos relatam que se sentiram representados pela artista em uma época em que quase não havia figuras trans com visibilidade midiática.

Entenda o contexto

A morte de Julyana Barbosa acontece em um momento em que a discussão sobre segurança, saúde e direitos da população trans ganha força no debate público. Sua trajetória, marcada por conquistas em um meio ainda hostil, ajuda a iluminar as barreiras enfrentadas por artistas travestis e transexuais no mercado da música e do entretenimento.

No funk carioca, espaço que historicamente serviu de plataforma para vozes de periferias e grupos marginalizados, a presença de Mulher Banana abriu caminho para que outras artistas trans se sentissem autorizadas a ocupar os palcos. A perda de uma figura tão simbólica provoca também uma reflexão sobre como preservar e reconhecer essas histórias em vida.

Qual foi o impacto de Mulher Banana no funk brasileiro?

O impacto de Mulher Banana no funk brasileiro passa pela representatividade, pela estética e pela própria história de expansão do gênero. Ao surgir na Furacão 2000 e estourar com o hit “Mulher Banana”, Julyana ajudou a consolidar uma fase em que o funk deixava de ser restrito aos bailes para ganhar a TV e outros estados.

Ser uma mulher trans em evidência, em plena ascensão do funk carioca, transformou Julyana em referência para travestis e pessoas trans que raramente se viam em posições de destaque. Sua imagem desafiava padrões de gênero e moralidade, ao mesmo tempo em que dialogava com o humor e a picardia típicos do funk.

Artistas e ativistas enxergam nesse percurso um elo entre cultura pop e militância. Mesmo sem se apresentar sempre como militante formal, ela incorporava na própria existência um gesto político: o de ocupar o palco, gravar clipes, dar entrevistas e transformar sua identidade em algo inegociável.

Esse impacto transborda a música. A morte de Mulher Banana tende a fortalecer debates sobre a valorização de artistas trans e sobre a necessidade de preservar a memória de quem pavimentou o caminho para as novas gerações do funk e de outras cenas musicais.

Atuação em causas sociais e cuidado com animais

Em paralelo à carreira artística, Julyana também era lembrada pelo engajamento em causas ligadas à proteção animal. Nas redes sociais, ela aparecia com frequência cercada de gatos e fazia campanhas de arrecadação para custear cuidados veterinários e acolhimento de animais resgatados.

Essas ações reforçavam a imagem de uma artista que usava a própria visibilidade para além do palco, conectando fãs a iniciativas de solidariedade. O cuidado com os bichos se tornava, para muitos seguidores, mais uma faceta afetiva de quem conheceram primeiro pela música e pelos bailes.

Legado e próximos passos

Sem informações oficiais sobre velório e cerimônias de despedida, fãs se organizam informalmente pelas redes para prestar homenagens, compartilhar vídeos antigos, trechos de apresentações e memórias pessoais com a artista. É possível que encontros e eventos em tributo à Mulher Banana sejam organizados por produtores de funk e coletivos culturais nos próximos dias.

A morte de Julyana Barbosa também deve estimular iniciativas de registro de memória — de documentários caseiros a homenagens em bailes — além de reacender discussões sobre políticas de proteção e acolhimento para artistas trans. Para quem cresceu ouvindo sua música ou se reconheceu em sua história, o compromisso agora é o de manter vivo o nome e a contribuição de Mulher Banana para o funk carioca e para a resistência travesti no Brasil.