Ultimas

Monobloco encerra Carnaval 2026 com desfile no Circuito Preta Gil

O Monobloco encerra neste domingo (22) o Carnaval 2026 com um desfile lotado no Circuito Preta Gil. O grupo mistura homenagens a Arlindo Cruz, Preta Gil e Jorge Aragão em um repertório pensado para celebrar a música brasileira e marcar o fim oficial da folia.

Desfile transforma encerramento em celebração afetiva

O cortejo começa no fim da tarde e atravessa a noite diante de milhares de foliões, muitos ainda com glitter do primeiro fim de semana de carnaval. O circuito, que leva o nome de Preta Gil desde 2024, ganha neste ano um peso simbólico maior com o tributo direto à cantora, celebrado em versos, projeções e coros espontâneos. A cada parada, o público responde como se recusasse o fim da festa.

O grupo leva para a rua sucessos que ajudaram a renovar o formato de bloco de carnaval desde o início dos anos 2000. Entre marchinhas, sambas e funk, o roteiro de pouco mais de duas horas costura canções próprias, releituras e faixas do novo álbum dedicado a Jorge Aragão. A escolha reforça uma linha de tempo clara: a festa se ancora na tradição, mas fala com uma geração que cresceu ouvindo o Monobloco em caixas de som de celular e playlists nas plataformas de streaming.

Homenagens pontuam repertório e reforçam legado

As primeiras grandes reações surgem quando o grupo anuncia a sequência em homenagem a Arlindo Cruz. O sambista, que se recupera de um AVC sofrido em 2017, é saudado em coro em “Bagaço da Laranja” e “Meu Lugar”, faixas que se tornaram quase obrigatórias nos desfiles do Monobloco. O público levanta celulares e bandeiras, transformando a avenida em uma espécie de arquibancada emocionada.

O momento dedicado a Preta Gil vem na metade do percurso, quando o carro de som reduz a velocidade e a banda puxa um pot-pourri com “Sinais de Fogo” e “Meu Corpo Quer Você”. Foliões exibem mensagens de apoio escritas à mão, gesto que ecoa o período recente de tratamento de saúde da cantora. Nas caixas de som, um dos integrantes do grupo destaca ao microfone que a artista “abre caminho para uma festa mais diversa, mais preta e mais popular”. A frase é repetida por quem acompanha o bloco, como um slogan improvisado de carnaval.

As novidades aparecem com as músicas do álbum que homenageia Jorge Aragão, lançado às vésperas do carnaval para aproveitar o pico de audiência da festa. As versões para “Vou Festejar” e “Coisa de Pele” recebem arranjos com metais mais destacados e batidas próximas do funk carioca, movimento que o Monobloco testa desde meados da década passada. O resultado agrada a um público que mistura fãs de longa data e turistas que lotam hotéis e pousadas da região nos quatro dias de folia.

O impacto vai além da avenida. Nas redes sociais, vídeos do desfile começam a circular ainda durante o percurso, com cortes de 15 a 30 segundos que destacam as homenagens e os arranjos inéditos. Perfis ligados à música e ao carnaval replicam trechos do show, ajudando a consolidar a imagem do Monobloco como um dos principais responsáveis por aproximar o formato de bloco de rua de um espetáculo de grande porte, sem perder a lógica de festa aberta.

Encerramento consolida modelo de carnaval inclusivo

O desfile de encerramento no Circuito Preta Gil consolida uma tendência que se desenha ao longo da última década: blocos que atuam como plataformas de memória da música brasileira. Ao reunir três gerações de artistas em um mesmo roteiro, o Monobloco produz um mapa afetivo da cultura popular e oferece um atalho para quem tem pouco contato com o repertório do samba e da MPB. A escolha influencia novos grupos que já nascem com a ideia de construir desfiles temáticos e tributos anuais.

A cena também movimenta a economia criativa do carnaval. Produtores, arranjadores, técnicos de som, iluminadores e equipes de transmissão em streaming encontram no desfile de encerramento um laboratório para projetos futuros. A visibilidade alcança artistas homenageados e abre espaço para relançamentos, documentários e parcerias em shows fora do período de carnaval. Em um mercado pressionado pela queda na venda de discos físicos e pela remuneração baixa do streaming, a rua se confirma como vitrine central.

O encerramento oficial da folia em 22 de fevereiro não significa descanso imediato. Integrantes do Monobloco já discutem quais nomes podem ganhar destaque nos próximos anos, seguindo a lógica de tributos que deu certo em 2026. O grupo observa a boa repercussão de projetos colaborativos em outras praças, como desfiles com escolas de samba, encontros com blocos temáticos de periferia e shows em circuitos fora do eixo Rio-São Paulo.

A relação com artistas consagrados tende a se aprofundar depois do tributo triplo exibido neste carnaval. Produtores próximos ao grupo falam em pelo menos duas possíveis parcerias em palco ainda em 2026, com a participação de nomes ligados ao samba e ao pop. A agenda inclui a possibilidade de registrar parte do desfile em áudio e vídeo, para lançamento em plataformas digitais até o fim do ano, aproveitando o impulso das redes e o interesse renovado por registros ao vivo.

O Circuito Preta Gil, fortalecido pelo encerramento deste domingo, entra de vez no mapa dos grandes roteiros de carnaval do país. A presença do Monobloco amplia o alcance do circuito, atrai marcas interessadas em associar seus nomes à ideia de carnaval diverso e estrutura uma base de público que promete retornar em 2027. A disputa por espaço e patrocínio deve se intensificar, mas também pode abrir brecha para novos arranjos entre poder público, blocos e artistas, em um modelo que ainda busca o equilíbrio entre festa gratuita e sustentabilidade financeira.

O carnaval de 2026 termina com a sensação de que a rua segue sendo o principal palco de afirmação da cultura brasileira. A resposta do público ao desfile indica que homenagens bem construídas, misturadas a repertório inédito, encontram espaço em meio a playlists padronizadas e algoritmos de recomendação. O desafio, para o Monobloco e para outros grupos, é transformar o brilho de uma noite em projetos duradouros que mantenham viva a força dessa música quando os tamborins se calam.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *