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Mojtaba Khamenei é gravemente ferido em bombardeio no Irã

Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, sofre ferimentos graves no rosto em bombardeio aéreo no fim de fevereiro de 2026. Ele permanece lúcido, mas o ataque, que matou seu pai, Ali Khamenei, desencadeia uma crise política e de segurança em Teerã.

Ferimento expõe fragilidade do poder em Teerã

O bombardeio atinge uma área estratégica de Teerã em uma noite de tensão crescente na capital iraniana. Mojtaba é levado às pressas a um complexo médico militar, onde passa por cirurgias de emergência para conter hemorragias e reconstruir parte do rosto. Médicos que acompanham o caso descrevem o quadro como “grave, porém estável” e confirmam que ele permanece consciente, reconhece familiares e responde a comandos simples.

A morte de Ali Khamenei, líder máximo da República Islâmica por mais de três décadas, e o ferimento de seu herdeiro direto acontecem num intervalo de poucas horas, segundo autoridades iranianas. A sucessão, que já vinha sendo desenhada nos bastidores desde pelo menos 2023, sofre um abalo brusco. A estrutura de poder, baseada na figura do líder supremo como árbitro final de todas as decisões do Estado, entra em zona cinzenta.

Autoridades ligadas à Guarda Revolucionária impõem um cordão de isolamento em torno do hospital militar e de prédios-chave em Teerã. Comunicações oficiais sobre a saúde de Mojtaba são escassas e calculadas. Um assessor próximo afirma, sob condição de anonimato, que “o líder fala, ouve, entende o que está acontecendo e pede calma ao país”, numa tentativa de conter rumores de vacância imediata do cargo.

Conflito interno e risco de escalada regional

A sucessão de Ali Khamenei é tema sensível desde a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989. Mojtaba, de perfil discreto, ganha influência gradualmente, apoiado por setores da Guarda Revolucionária e do clero mais conservador. A confirmação de seu posto como líder supremo após a morte do pai, ainda que sem anúncio amplo, parecia consolidar essa transição. O bombardeio de fevereiro, porém, abre uma disputa implícita pelo comando do regime.

Diplomatas em capitais europeias descrevem o momento como “a mais grave incerteza institucional do Irã em pelo menos 20 anos”. Em Washington, analistas de segurança calculam que qualquer vácuo de poder em Teerã pode afetar, em poucas semanas, negociações sobre o programa nuclear e operações de milícias aliadas em países como Líbano, Síria e Iraque. O temor é que facções internas usem o ataque como justificativa para endurecer posições e acelerar respostas militares.

No mercado internacional de energia, operadores observam com atenção a movimentação no Estreito de Ormuz, corredor por onde passam cerca de 20% das exportações globais de petróleo. Um aumento de apenas 5% no prêmio de risco do barril, segundo estimativas de bancos de investimento, já gera impacto imediato no custo de importação para economias dependentes do Oriente Médio. A cada novo boato sobre o estado de saúde de Mojtaba, preços futuros oscilam em intervalos de minutos.

Em Teerã, a população sente a tensão nas ruas. Bairros centrais recebem reforço de tropas, e pontos de checagem se multiplicam desde o dia seguinte ao ataque. Universidades e centros religiosos discutem o significado da ferida visível no rosto do líder, símbolo de vulnerabilidade num sistema que se constrói sobre a ideia de resistência permanente. Um professor de ciência política resume: “Quando o corpo do líder é atingido, a narrativa de invulnerabilidade do regime também é”.

Dúvidas sobre continuidade da liderança e próximos passos

A Constituição iraniana prevê, em tese, que a Assembleia de Especialistas tenha a palavra final sobre a escolha do líder supremo e possa destituí-lo em caso de incapacidade. Na prática, porém, o processo depende do equilíbrio de poder entre clero, Guarda Revolucionária, governo e elites econômicas. Com Mojtaba ferido, lúcido, mas fisicamente debilitado, cresce a pressão por definições claras sobre quem, de fato, dá a última palavra nas decisões estratégicas.

Governos da região adotam postura de cautela. Países do Golfo monitoram movimentações militares no Irã e evitam declarações que possam ser vistas como provocação. A União Europeia, que tenta reativar canais diplomáticos desde o fim formal do acordo nuclear, acompanha o quadro de saúde de Mojtaba e a mensagem que virá em sua primeira aparição pública após o ataque, vista como um divisor de águas. A escolha de palavras, o tom e até a visibilidade das cicatrizes se tornam parte da batalha política.

Trongos aliados do Irã, como grupos armados em países vizinhos, também aguardam sinais. Uma reação rápida e agressiva poderia aumentar tensões já elevadas na região e fechar portas para negociações. Uma postura mais contida, por outro lado, correria o risco de ser lida internamente como fraqueza num momento em que a base mais dura do regime cobra respostas firmes ao ataque que matou Ali Khamenei e atingiu seu sucessor.

A diplomacia internacional trabalha com prazos curtos. Em 30 dias, vencem janelas importantes de negociação em fóruns multilaterais sobre sanções, comércio e cooperação nuclear. Sem clareza sobre a estabilidade do comando em Teerã, decisões são adiadas ou condicionadas à evolução do quadro interno. A pergunta que se impõe, em chancelerias e mercados, é se Mojtaba Khamenei terá condições políticas e físicas de exercer plenamente o poder que herdou em meio às bombas.

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