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Míssil iraniano fere cinco em Israel e eleva risco de escalada

Um míssil lançado pelo Irã contra Israel fere ao menos cinco pessoas por estilhaços, nas últimas 24 horas até este domingo (8), em cidades da região central. O ataque, com ogiva de fragmentação, atinge principalmente Tel Aviv e Petah Tikva e aprofunda o temor de uma ampla escalada militar no Oriente Médio.

Míssil é interceptado em parte, mas estilhaços atingem civis

O míssil iraniano cruza o céu sobre o centro de Israel durante a madrugada e aciona sirenes em Tel Aviv, Petah Tikva e municípios vizinhos. O sistema de defesa israelense intercepta parte do projétil, mas a ogiva de fragmentação se abre no ar e espalha submunições em várias direções, transformando o céu em um mosaico de rastros luminosos e estilhaços.

Em Tel Aviv, um homem de cerca de 40 anos sofre o ferimento mais grave. Segundo o serviço de emergência Magen David Adom (MDA), ele está em estado crítico após ser atingido por fragmentos metálicos. Outros quatro moradores da região central do país têm cortes e lesões provocados pela chuva de estilhaços, em meio a relatos de pânico em ruas, parques e edifícios residenciais.

Yechezkel Goldreich, paramédico do MDA que atende uma das ocorrências, descreve um cenário de medo em plena área urbana. “Encontramos pessoas assustadas deitadas na grama e um homem de cerca de 40 anos com um ferimento grave causado por estilhaços”, relata. Imagens captadas por equipes internacionais em Tel Aviv mostram objetos no céu se dividindo em múltiplas partes antes de explodirem sobre bairros densamente povoados.

O Corpo de Bombeiros de Israel afirma que o míssil utiliza uma ogiva de fragmentação, projetada para se separar em diversas submunições e ampliar o raio de impacto. Esses dispositivos, também chamados de munições de fragmentação, liberam dezenas ou centenas de pequenos explosivos, que podem permanecer ativos no solo e aumentar o risco para civis muito depois do ataque inicial.

O Exército israelense mobiliza equipes de busca e resgate em múltiplos pontos de queda, espalhados por Tel Aviv, Petah Tikva e outras cidades da região central. As forças armadas dizem ter interceptado a maioria dos mísseis balísticos disparados pelo Irã, mas admitem que fragmentos de projéteis cruzam quase todo o território israelense, deixando uma trilha de danos e insegurança.

Retaliação iraniana amplia a guerra e pressiona potências

O ataque ocorre em um momento de forte escalada regional. Estados Unidos e Israel iniciam, em 28 de fevereiro, uma onda de bombardeios contra alvos militares no Irã, sob o argumento de conter avanços no programa nuclear iraniano. Ao longo da semana seguinte, a pressão militar se espalha para países que abrigam bases norte-americanas no Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Teerã passa a responder com ataques de retaliação e declara que considera a resposta armada um “direito e dever legítimo”, nas palavras do presidente Masoud Pezeshkian. A retórica endurece ainda mais depois de 1º de março, quando a mídia estatal iraniana anuncia que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por mais de três décadas, está entre as vítimas dos bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel.

A morte de Khamenei, figura central na estrutura política e religiosa iraniana desde o fim da década de 1980, provoca comoção interna e leva setores do regime a prometer a “ofensiva mais pesada” da história contra os responsáveis. O número de civis mortos no Irã chega a 1.200, segundo uma organização local, sinalizando o custo humano da nova fase da guerra e alimentando a pressão por uma resposta contundente.

Do outro lado, Washington também eleva o tom. O ex-presidente Donald Trump, que lidera a resposta norte-americana, afirma que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo”. Em outra declaração, ele adverte Teerã: “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”.

No terreno, a combinação de ataques cruzados e ameaças públicas empurra a região para um ciclo de ação e reação difícil de controlar. Cada novo míssil lançado, seja por Teerã, seja por Israel e seus aliados, redefine o cálculo de risco de governos árabes, europeus e asiáticos, atentos aos impactos sobre cadeias de energia, rotas comerciais e fluxos migratórios.

Escalada ameaça civis e amplia incerteza no Oriente Médio

O ataque deste fim de semana reforça a percepção de que a guerra deixa de ser um confronto limitado a instalações militares e passa a atingir centros urbanos cheios de civis. Em Israel, a chuva de estilhaços sobre Tel Aviv e cidades vizinhas expõe vulnerabilidades do sistema de defesa e recoloca a população em clima de emergência permanente, com abrigos lotados, aulas suspensas e comércio operando sob restrições.

Em território iraniano, o aumento para 1.200 civis mortos alimenta indignação popular e fortalece alas mais radicais do regime, que defendem respostas de maior escala. A promessa da “ofensiva mais pesada” alimenta o temor de que a próxima rodada de ataques envolva não apenas mísseis de longo alcance, mas também operações cibernéticas, sabotagem de infraestrutura e ações indiretas por meio de grupos aliados em países vizinhos.

Governos estrangeiros acompanham a escalada com preocupação crescente. Chancelerias europeias e organismos multilaterais veem nesse ciclo de retaliações um risco direto à estabilidade de uma região responsável por boa parte da produção e do transporte global de petróleo e gás. O alerta vem acompanhado de apelos a um cessar-fogo imediato e à retomada de canais de diálogo sobre o programa nuclear iraniano, paralisados há anos.

No âmbito religioso, o Papa Leão XIV pede o fim dos bombardeios e conclama as partes a buscar “diálogo sério” para evitar uma tragédia ainda maior no Oriente Médio. Seu apelo ecoa entre líderes de diferentes credos, mas enfrenta resistência de governos que, neste momento, veem na demonstração de força uma ferramenta central de sobrevivência política.

Enquanto diplomatas discutem sanções, resoluções e eventuais mediações, moradores de Tel Aviv, Teerã e de outras capitais da região vivem sob o som constante de sirenes e explosões. Para quem se protege em abrigos improvisados, a dúvida que domina o cotidiano não é mais se haverá um próximo ataque, mas quando e com qual intensidade ele virá.

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