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Militares dos EUA seguram ataque e colocam decisão sobre Irã nas mãos de Kushner

A cúpula militar dos Estados Unidos segura, por ora, um ataque ao Irã e transfere o foco da decisão para Jared Kushner e um enviado especial de Donald Trump. Em 25 de fevereiro de 2026, em Washington, a dupla passa a ter peso decisivo sobre o futuro de uma ação militar, à medida que revisa documentos de inteligência sobre o programa nuclear iraniano.

Cautela no topo do comando americano

O freio parte dos principais generais do país, que admitem em reservado o risco de um conflito aberto com Teerã num momento de volatilidade global. Eles não descartam uma ofensiva, mas insistem que a decisão final só ocorre após o veredito político de Kushner e do enviado especial do presidente, que conduzem as conversas com intermediários iranianos e aliados europeus.

O movimento expõe uma divisão silenciosa em Washington. De um lado, oficiais que calculam baixas, impacto em bases no Oriente Médio e reação de milícias ligadas ao Irã. De outro, um núcleo político na Casa Branca que tenta arrancar sinais concretos de que Teerã aceita recuar de forma verificável do enriquecimento de urânio em níveis próximos ao grau militar. O ponto central é simples: sem garantia de que o Irã abandona de fato o programa nuclear, a pressão por uma resposta dura cresce.

Diplomacia, influência e cálculo de risco

Kushner volta ao centro do tabuleiro quase quatro anos depois de deixar o governo com a imagem associada aos Acordos de Abraão, firmados em 2020 entre Israel e países árabes. Hoje, aos 45 anos, retorna como conselheiro informal, mas com acesso direto ao presidente e aos relatórios de inteligência. O enviado especial, diplomata com passagem pelo Departamento de Estado, atua como ponte com chanceleres europeus que temem novo colapso do acordo nuclear de 2015.

Na prática, os dois formam uma espécie de comitê restrito. A missão é destrinchar, em questão de dias, se Teerã está realmente disposto a congelar o enriquecimento acima de 60% e aceitar inspeções surpresa da Agência Internacional de Energia Atômica. Um assessor envolvido nas discussões resume o dilema: “Se eles estiverem blefando, um ataque agora parece inevitável. Se houver espaço real para um entendimento, qualquer bomba lançada depois de hoje será cobrada pela história”.

Os militares mostram desconforto com o papel político da dupla, mas evitam choque público. Generais lembram que as tropas americanas ainda somam mais de 30 mil soldados distribuídos em bases no Golfo Pérsico, a menos de 500 quilômetros de alvos iranianos. Um erro de cálculo pode espalhar o conflito por ao menos três fronteiras em menos de 72 horas, afetando diretamente rotas de navios petroleiros no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Mercado, alianças e poder dentro da Casa Branca

A indefinição já repercute nos mercados. O preço do barril do Brent sobe mais de 8% em fevereiro, com investidores antecipando interrupções na oferta caso mísseis cruzem o Golfo. Empresas aéreas, fundos de energia e países dependentes de importações do Oriente Médio monitoram cada sinal que sai de Washington. Em conversas reservadas, diplomatas europeus admitem que uma escalada com o Irã pode empurrar inflação e custo de energia para níveis vistos apenas em 2022, no auge da guerra na Ucrânia.

No plano político, a delegação de poder a Kushner e ao enviado especial acende debate em Washington sobre o papel da assessoria presidencial em decisões de guerra. Parlamentares da oposição questionam a falta de transparência sobre critérios e prazos. Aliados do governo defendem a estratégia. “É melhor esgotar cada centímetro da diplomacia antes de enviar um único soldado ao front”, diz um congressista republicano, sob condição de anonimato, após reunião a portas fechadas no Capitólio.

A forma como a Casa Branca organiza a tomada de decisão também envia recado a aliados regionais. Israel e Arábia Saudita pressionam por um posicionamento firme e exigem, nos bastidores, um prazo claro para a “janela diplomática”. Fontes na região falam em um horizonte de 30 a 60 dias para que Teerã comprove, com dados e acesso de inspetores, que recua do limiar nuclear. Sem isso, cresce a possibilidade de ações coordenadas, com ou sem o endosso público dos Estados Unidos.

O que acontecerá se a diplomacia travar

Os próximos passos se concentram em relatórios que chegam diariamente à Casa Branca. Kushner e o enviado especial recebem, segundo assessores, atualizações hora a hora sobre sites de enriquecimento, movimentação de mísseis balísticos e sinais de abertura do regime iraniano. Qualquer mudança de rota vira imediatamente insumo para reuniões do Conselho de Segurança Nacional, que trabalha com diferentes roteiros militares, de ataques cirúrgicos a instalações nucleares a operações prolongadas.

Nos bastidores, cresce a percepção de que nenhuma saída é simples. Um ataque pode retardar o programa nuclear por alguns anos, mas também consolidar setores mais duros do regime iraniano e estimular uma corrida regional por armas atômicas. Uma concessão ampla, por outro lado, pode ser retratada internamente como fraqueza em ano eleitoral. Entre esses extremos, a Casa Branca aposta no poder de persuasão de um conselheiro familiar ao presidente e de um enviado discreto, mas bem conectado. O mundo observa, à espera da resposta para a pergunta que paira sobre Washington neste fevereiro de 2026: quem, afinal, vai traçar a linha que separa a diplomacia da guerra com o Irã?

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