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México volta a emitir visto eletrônico para brasileiros em 2026

O governo do México retoma, a partir de fevereiro de 2026, a emissão de visto eletrônico para cidadãos brasileiros que viajam ao país. A autorização digital vale para uma única entrada, por até 180 dias, e está disponível para quem chega em voos internacionais.

Mudança mira turismo e negócios

A decisão mexe diretamente com um fluxo de cerca de 400 mil viajantes brasileiros por ano, segundo dados anteriores à pandemia. A reativação do sistema eletrônico reduz a burocracia, evita deslocamentos a consulados e busca tornar o México mais competitivo na disputa por turistas e por viagens de negócios na América Latina.

Brasileiros poderão solicitar o visto pela internet, enviar documentos em formato digital e receber a autorização em poucas horas ou dias, conforme a demanda. O documento passa a ser apresentado no embarque, junto ao passaporte válido, dispensando a etapa de colagem de visto físico.

Documento digital, regras claras

O visto eletrônico é emitido para uma única entrada no país e permite permanência máxima de 180 dias, voltada principalmente a turismo, eventos, visitas familiares e reuniões de negócios de curta ou média duração. A medida vale apenas para quem chega de avião, por aeroportos internacionais mexicanos, o que deixa de fora, neste primeiro momento, passagens por fronteira terrestre ou marítima.

Autoridades mexicanas afirmam, nos comunicados oficiais, que o objetivo é “facilitar a mobilidade ordenada, segura e regular” de viajantes brasileiros, sem abrir mão do controle migratório. Na prática, o formato digital permite cruzar dados em bases de segurança e reduzir filas em balcões consulares, além de tornar mais previsível o planejamento da viagem.

Contexto de ida e volta nas regras

A relação migratória entre México e Brasil vive idas e vindas na última década. Já houve períodos de isenção total de visto, seguidos de retomada da exigência em meio a preocupações com migração irregular rumo aos Estados Unidos, para onde parte dos viajantes tentava seguir. A reativação do visto eletrônico indica um ajuste de rota: o país tenta equilibrar vigilância de fronteiras com a necessidade de manter o turismo aquecido.

Para o setor privado, a mensagem é clara. Operadoras de turismo e companhias aéreas veem espaço para ampliar a oferta de pacotes e voos diretos. Um executivo de uma grande rede hoteleira com atuação em Cancún e Cidade do México resume a expectativa: “Quando o processo é simples e rápido, o passageiro decide a viagem com menos medo de imprevistos. Isso aumenta ocupação, consumo e a permanência média do turista brasileiro”.

Impacto para viajantes e economia

Na prática, o principal ganho para o viajante brasileiro está no tempo. Em vez de aguardar semanas por um agendamento consular, o pedido passa a ser feito de computador ou celular, com pagamento de taxa em cartão ou boleto internacional, conforme definição das autoridades mexicanas. A confirmação, enviada por e-mail, reduz o risco de cancelamento de voos por falta de visto emitido a tempo.

O limite de 180 dias abre espaço para estadias longas, como cursos de idioma, intercâmbios culturais e projetos de prospecção de negócios, desde que sem vínculo trabalhista formal no país. Especialistas em turismo lembram que o México tem no setor um de seus motores econômicos centrais, com mais de 8% do PIB ligado direta ou indiretamente à atividade. Um aumento de dois dígitos no número de brasileiros, mesmo que gradual, tende a se refletir em mais voos, mais empregos locais e maior arrecadação de impostos em destinos como Cancún, Cidade do México, Playa del Carmen e Los Cabos.

Setores que mais sentem a mudança

Companhias aéreas brasileiras e mexicanas aparecem entre as primeiras beneficiadas. Rotas diretas entre São Paulo, Rio de Janeiro e Cidade do México ganham atratividade quando o passageiro sabe, com antecedência, que consegue resolver o visto em poucos cliques. Agências de viagens online e físicas também tendem a explorar o novo cenário em campanhas para o primeiro semestre de 2026, com foco em férias de julho e feriados prolongados.

O comércio local mexicano, de restaurantes a lojas de rua, sente o efeito no caixa sempre que há avanço no fluxo de turistas estrangeiros. Um consultor em comércio exterior ouvido por reportagens locais afirma que “o viajante de negócios brasileiro costuma gastar mais por dia que o turista médio, em hospedagem, alimentação e transporte privado”, o que torna a facilitação de entrada um instrumento de política econômica.

Próximos passos e possíveis ajustes

O governo mexicano ainda detalha valores, prazos médios de análise e plataforma oficial para o pedido do visto eletrônico, pontos que serão decisivos para o sucesso da medida. A expectativa é que o site de solicitação entre no ar semanas antes de fevereiro de 2026, para evitar gargalos de última hora.

Autoridades brasileiras acompanham a movimentação e avaliam o impacto sobre a demanda por passaportes e pela malha aérea para o México. Analistas veem espaço para que, caso o fluxo se mantenha estável e sem distorções migratórias, novas flexibilizações possam ser discutidas nos próximos anos. A retomada do visto eletrônico recoloca uma pergunta central na relação entre os dois países: até onde é possível abrir portas para o turismo e os negócios sem afrouxar o controle de fronteiras?

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